Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Raphael Miras
Agência Correio
Publicado em 14 de abril de 2026 às 09:04
Para muitos brasileiros, o almoço só termina de fato após a última gota daquela xícara de café. No entanto, o que parece ser um empurrãozinho necessário para encarar o resto do dia pode, na verdade, estar roubando sua energia. >
Estudos indicam que a ingestão de cafeína imediatamente após as grandes refeições interfere na absorção de nutrientes vitais, criando um ciclo de cansaço que afeta diretamente a produtividade.>
Cidades em que mercados vão fechar aos domingos
A ciência explica que compostos presentes no café, como os taninos e substâncias quelantes, têm uma afinidade natural com minerais essenciais. >
Ao entrarem em contato com o que foi ingerido durante o almoço, esses componentes "sequestram" os minerais antes que o sistema digestivo consiga transportá-los para a corrente sanguínea. O maior prejudicado nesse processo é o ferro. >
Em testes com seres humanos, observou-se que uma xícara de café pode reduzir em até 39% a captação desse mineral, que é fundamental para a produção de energia e transporte de oxigênio no corpo. >
Além do ferro, a disponibilidade de cálcio, potássio, zinco e magnésio também pode ser afetada. No caso do cálcio, a cafeína pode inclusive estimular sua eliminação pelo organismo, o que acende um alerta para quem já possui baixa ingestão desse mineral ou riscos de osteoporose.>
A boa notícia para os amantes da bebida é que não é preciso abandoná-la, mas sim ajustar o relógio. Especialistas recomendam aguardar pelo menos uma hora após o almoço para consumir o café. >
Esse intervalo permite que o organismo finalize o processamento dos nutrientes mais importantes sem interferências externas. Outras estratégias para minimizar os impactos incluem:>
Consumir frutas cítricas: ricas em vitamina C, elas ajudam a potencializar a absorção de nutrientes como o ferro.>
Doses menores: se a vontade for irresistível, um espresso padrão (de 30 a 50 ml) logo após comer tem um impacto menor do que uma xícara média.>
Alternativas sem teína: chás digestivos que não possuam substâncias estimulantes podem ser usados para garantir o conforto abdominal sem prejudicar a química mineral.>
Apesar do alerta sobre o horário, o café continua sendo um aliado da saúde quando consumido com moderação. >
Ele possui propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes, além de inibir a adenosina no cérebro, substância responsável pelo relaxamento, o que melhora o desempenho cognitivo e diminui o tempo de reação.>
O limite seguro para usufruir desses benefícios sem prejudicar o organismo gira em torno de 300 mg de cafeína por dia, o que equivale a duas ou três xícaras médias. >
Respeitando o tempo de digestão e a dose diária, o cafezinho deixa de ser um sabotador da nutrição para se tornar o combustível esperado para o cotidiano.>