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Estados declaram guerra a 'planta assassina', e cultivar essa espécie no Brasil pode dar multa de R$ 1 mil

Àrvore de origem africana conhecida pela aparência vistosa e muito popular no Brasil é considerada uma ameaça relevante às abelhas

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Agência Correio

Publicado em 10 de abril de 2026 às 17:00

Espatódea
Espatódea Crédito: Reprodução

Com o avanço do debate sobre conservação ambiental e defesa dos polinizadores, Santa Catarina adotou uma medida mais rígida. O estado proibiu o cultivo da espatódea, árvore de origem africana conhecida pela aparência vistosa, mas considerada uma ameaça relevante às abelhas.

Apesar de ser comum em jardins e espaços urbanos por causa das flores alaranjadas, a espécie é classificada como tóxica e nociva ao equilíbrio ambiental.

Espatódea por Reprodução

Estudos identificaram que o néctar, o pólen e até a mucilagem da espatódea possuem compostos letais para abelhas e outros insetos polinizadores.

Com isso, quem insistir em plantar ou produzir mudas da árvore em Santa Catarina pode ser penalizado com multa de até R$ 1 mil por unidade, conforme a legislação estadual. A iniciativa busca proteger a biodiversidade e estimular o uso de espécies nativas mais seguras. Outros estados estudam seguir o caminho catarinense.

A árvore que encanta e ameaça

A espatódea, de nome científico Spathodea campanulata, é originária da África tropical e pode ultrapassar 20 metros de altura. Por décadas, foi amplamente aplicada no paisagismo brasileiro, sobretudo em ruas e praças, por conta das flores chamativas. No entanto, sob a perspectiva ecológica, passou a ser vista como um risco oculto sob sua beleza.

Pesquisas mostram que sua seiva, pólen e néctar são altamente prejudiciais às abelhas, levando muitas à morte após o contato. O impacto se intensifica porque os insetos contaminados podem transportar a substância tóxica para as colmeias, afetando todo o grupo.

Esse efeito em cadeia reduz a polinização e gera impactos diretos na agricultura e no equilíbrio ambiental, já que esses insetos são essenciais para a reprodução de diversas plantas.

A lei e as penalidades em vigor

Desde 2019, está em vigor em Santa Catarina a Lei nº 17.694, que proíbe o plantio, a manutenção e a comercialização de mudas da espatódea em todo o estado. Além de impedir novos cultivos, a norma incentiva a substituição das árvores já existentes por espécies nativas mais adequadas ao ecossistema local.

O descumprimento pode resultar em multa de até R$ 1.000 por árvore ou muda. Em caso de reincidência, o valor pode ser aplicado em dobro.

A medida tem como objetivo desencorajar o cultivo da espécie e promover ações de conscientização sobre seus impactos ambientais. A fiscalização fica a cargo das prefeituras e de órgãos ambientais, que também orientam a população.

Riscos ecológicos e impacto na biodiversidade

A morte de abelhas após contato com a espatódea provoca um desequilíbrio nos ecossistemas. Esses insetos têm papel central na polinização, processo essencial para a reprodução vegetal e a produção de frutos. A redução de suas populações afeta diretamente tanto a agricultura quanto áreas naturais.

Além disso, a espatódea apresenta comportamento invasivo: cresce rapidamente, compete com espécies nativas e pode causar danos estruturais devido às raízes superficiais e galhos pesados. Em áreas urbanas, esse crescimento desordenado aumenta o risco de quedas e acidentes, tornando a árvore perigosa para o ambiente e para a população.

Alternativas sustentáveis e orientações

Quem possui uma espatódea deve buscar orientação junto ao Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) ou às secretarias municipais para realizar a remoção e substituição de forma segura, evitando a disseminação de sementes.

Como alternativa, especialistas indicam o plantio de espécies nativas que não oferecem risco às abelhas e ajudam na recuperação da flora local. Entre as opções recomendadas estão o ipê, a canafístula, a timbaúva, o ingá-cipó e a aroeira. A substituição contribui para restabelecer o equilíbrio ecológico, fortalecer os polinizadores e tornar os espaços urbanos mais seguros e sustentáveis.