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Estudo revela que sua cozinha pode ser mais perigosa do que a de qualquer restaurante

Pesquisa da USP conclui que a maioria das intoxicações alimentares nasce dentro das residências e aponta que hábitos "clássicos" são os grandes vilões da saúde familiar

  • Foto do(a) author(a) Flavia Azevedo
  • Flavia Azevedo

Publicado em 7 de abril de 2026 às 23:26

O date perfeito para Câncer: cozinhar juntos
A maioria dos surtos de doenças transmitidas por alimentos ocorre em casa Crédito: Imagem gerada por IA

Se você é daquelas pessoas que morrem de medo de comer um "podrão" na rua, mas se sente totalmente protegida na santidade da sua própria cozinha, os dados trazem um choque de realidade. Ao contrário do que dita o senso comum, a maioria dos surtos de doenças transmitidas por alimentos não ocorre em lanchonetes ou restaurantes - que são vigiados de perto por regras sanitárias - mas sim dentro dos lares brasileiros. O motivo é uma combinação explosiva de hábitos culturais e falhas básicas de higiene que transformam o preparo do jantar em um campo minado para bactérias.

A pia da cozinha

Um dos dados mais alarmantes do estudo, que analisou mais de 5 mil residências em todo o país, mostra que metade dos brasileiros ainda mantém o costume de lavar carne crua na pia. Embora pareça um gesto de limpeza, a ciência alerta para o efeito contrário: a água não elimina os patógenos, mas ajuda a espalhá-los por todo o balcão, utensílios e até para outros alimentos próximos, em um processo conhecido como contaminação cruzada. Outro erro clássico de quem tem pressa - ou esquece de tirar o bife do congelador a tempo - é realizar o descongelamento em temperatura ambiente ou sobre a pia durante a noite. Cerca de 39% da população faz isso, ignorando que temperaturas acima de 5 °C são o convite perfeito para a proliferação acelerada de bactérias na superfície da carne, conforme apontado pelos especialistas da USP.

Vinagre e pano de prato

A higienização dos vegetais também é um ponto crítico onde 62% das pessoas falham. Muitas famílias acreditam que deixar a alface de molho apenas na água ou no vinagre é o suficiente para garantir a segurança, mas os pesquisadores reforçam que essa técnica não basta. O protocolo correto exige o uso de hipoclorito de sódio diluído em água para realmente neutralizar as ameaças invisíveis. Além disso, a higiene pessoal e dos acessórios de cozinha muitas vezes é negligenciada no dia a dia. A lavagem frequente das mãos é um pilar da segurança alimentar que muitos esquecem durante a correria do preparo, assim como a troca diária dos panos de prato, que podem se tornar verdadeiros criadouros de microorganismos se permanecerem úmidos e sujos por muito tempo.

Camarões, lagostas e caranguejos estão fora da mesa real. Segundo o ex-mordomo real Grant Harrold, frutos do mar crus oferecem maior risco de intoxicação alimentar devido à presença de bactérias por Imagem: Glauco Epov | Chef Mariele Horbach e Grupo Hungry

A pressa é inimiga da conservação

Depois que o banquete está pronto, surge outro vilão: o tempo de espera para guardar as sobras. O estudo indica que muita gente aguarda até duas horas para colocar a comida na geladeira, esperando que ela esfrie completamente. Esse intervalo, no entanto, é o bastante para que patógenos comecem a se multiplicar nos alimentos cozidos. A recomendação da segurança alimentar é armazenar o que sobrou o quanto antes, sem medo de estragar o eletrodoméstico. Diante desse cenário, os autores do estudo reforçam que a educação do consumidor e a comunicação clara sobre esses processos são as únicas formas de evitar que a próxima refeição em família termine em uma indesejada intoxicação alimentar. Afinal, como mostra a pesquisa, o maior risco para a sua saúde pode estar escondido naquele hábito que você herdou dos seus avós e nunca questionou.

Por @flaviaazevedoalmeida

O conteúdo desta matéria foi extraído de pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) e publicada na revista científica Food and Humanity.