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Flavia Azevedo
Publicado em 7 de abril de 2026 às 22:52
Se você passou os últimos meses tentando descobrir se seu ex-namorado é narcisista, se sua chefe tem traços de psicopatia ou se aquele parente inconveniente é borderline, talvez seja a hora de fechar o manual de psiquiatria e encarar uma realidade bem mais simples, embora amarga. Segundo o psicólogo Marcos Lacerda, vivemos uma era de "psicopatologização" excessiva, onde cada deslize ético ou traço de mau caráter é imediatamente rotulado como uma doença. Para o especialista, a verdade é mais direta: há simplesmente pessoas que não prestam e isso não é um transtorno clínico, é ruindade mesmo. Identificar esses indivíduos é uma questão de sobrevivência emocional, seja para se defender, se afastar ou, como ele brinca, para se casar sabendo exatamente onde está se metendo. >
A ditadura da própria régua>
Um dos sinais mais claros de que alguém "não presta" não é necessariamente um crime terrível, mas uma característica diluída no cotidiano: a absoluta intolerância às diferenças. Lacerda explica que essas pessoas acreditam piamente que o mundo deve ser medido pela régua delas e que sua vontade é a única lei legítima. Esse tipo de indivíduo não consegue compreender que a sua "verdade" é útil apenas para si mesmo e não para o vizinho. Quando você convive com alguém que rebaixa, discrimina e se acha superior apenas porque o outro não segue seus padrões, você está diante de alguém que "não presta" para o convívio saudável. Essa rigidez de pensamento muitas vezes se traduz em maus-tratos reais, onde a pessoa se coloca como o centro de todas as razões, tornando-se alguém insuportável e incapaz de negociar qualquer milímetro de concessão.>
O perigo do mundo em preto e branco>
Outro comportamento clássico de quem não presta é o pensamento dicotômico, aquele famoso "ou é oito ou oitenta". Para essas pessoas, não existem nuances, tons de cinza ou gradações de cores entre o preto e o branco absoluto. Essa visão extremista impede o perdão e a compreensão dos motivos alheios, pois qualquer erro é visto como um pecado imperdoável e qualquer discordância é tratada com autoritarismo. Lacerda ilustra essa complexidade com um exemplo extremo: embora a tortura seja inaceitável, a certeza absoluta pode balançar diante de um cenário hipotético onde uma bomba prestes a explodir mataria dezenas de crianças. O ponto central não é justificar o erro, mas entender que a vida não é uma conta exata de matemática e que pessoas razoáveis consideram variáveis antes de condenar o outro.>
O "combo" da hipersensibilidade e o diagnóstico final>
Para fechar o perfil de quem deve ser evitado, surge a hipersensibilidade seletiva. Sabe aquela pessoa que transforma um erro bobo do outro na Terceira Guerra Mundial, mas que, ao acertar qualquer detalhe pequeno, sente que encostou no céu com as próprias mãos? Esse exagero constante torna o convívio uma corda bamba exaustiva. Lacerda reforça que essas características costumam andar juntas, formando um "combo" que muitas vezes passa despercebido justamente por ser tratado como "o jeito da pessoa ser".>
O conselho final do psicólogo é valioso para quem preza pela saúde mental: resista à tentação de diagnosticar o próximo. Você não precisa ser psicólogo de ninguém para perceber que uma relação está lhe fazendo mal. Às vezes, o outro não tem um transtorno de personalidade complexo; ele é apenas egoísta, mesquinho ou "imprestável". Se o "abraço" desse tipo de pessoa está apertando demais o seu pescoço, a solução não é entender o CID do problema, mas simplesmente ir embora.>
O conteúdo desta matéria foi extraído do vídeo "COMO IDENTIFICAR QUEM NÃO PRESTA", do canal "Nós da Questão", apresentado pelo psicólogo Marcos Lacerda.>
Por @flaviaazevedoalmeida>