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FW: FW: FW: IA decifra idioma perdido e revela 'e-mails' enviados há 4 mil anos

Softwares de inteligência artificial estão sendo treinados para decifrar línguas mortas e artefatos antigos

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  • Foto do(a) author(a) Luiz Dias
  • Agência Correio

  • Luiz Dias

Publicado em 5 de abril de 2026 às 07:00

Um dos alvos dessa nova tecnologia é a escrita cuneiforme, provinda da Antiga Mesopotâmia Crédito: Osama Shukir Muhammed Amin FRCP(Glasg) / Wikimedia Commons

A escrita cuneiforme foi usada por diferentes povos do Oriente Próximo ao longo de milênios. Um dos idiomas mais importantes nesse universo é o acadiano, uma língua semítica sem falantes vivos, registrada em tabletes que atravessaram guerras, erosão e séculos de esquecimento.

Água transformada em sangue por Reprodução

Tradução algorítmica

Segundo estudo publicado na PNAS Nexus, modelos de tradução automática já conseguem converter textos em acadiano para o inglês com qualidade suficiente para uma primeira leitura.

Em vez de começar cada peça do zero, o pesquisador recebe uma base de trabalho com a qual trabalhar. O processo então encurta etapas, ajuda a separar sinais em palavras e acelera a triagem de acervos enormes, hoje espalhados por museus, universidades e bibliotecas digitais.

Porém, existem limites claros na tecnologia; por exemplo, trechos longos, quebrados ou muito ambíguos ainda exigem revisão pesada. A própria pesquisa trata a ferramenta como parceria entre máquina e especialista, não como veredito automático sobre o passado.

Na prática, a IA ajuda a:

  • reconhecer padrões da escrita com mais rapidez;
  • sugerir uma tradução inicial para cartas e registros;
  • priorizar os tabletes mais promissores para revisão humana.

Cotidiano ancestral

Após passar por essa barreira linguística, mesmo que parcialmente, as informações reveladas vão além de escritos governamentais, contas e inventários. Dentre os achados estão textos do cotidiano dos cidadãos mesopotâmicos, com desafios que poderiam ser de qualquer pessoa do século XXI.

Um caso famoso é a carta de Nanni a Ea-nasir. Nela, o autor reclama da qualidade do cobre recebido e da demora numa nova entrega. O tom é seco, direto e reconhecível para qualquer pessoa que já cobrou um fornecedor.

Esse tipo de material ajuda a demonstrar como a história não foi feita apenas de grandes reis e conquistadores, cujos registros dos escribas tendem a sobreviver ao tempo. Também ficaram registros de mercadorias, pagamentos, deslocamentos e tarefas diárias, uma papelada que mostra como a burocracia já moldava a vida urbana há milênios.

Traduzindo o indecifrável

Enquanto o estudo da PNAS Nexus auxiliava na tradução direta de textos legíveis, a IA auxiliava o acesso a textos que há alguns anos jamais cogitaríamos conseguir acessar: textos presentes em pergaminhos incinerados, mais próximos de um pedaço de carvão do que de um rolo de pergaminho.

Os pergaminhos são sobreviventes da cidade romana de Pompeia que foi sepultado por uma cataclísmica erupção do vulcão Vesúvio
Os pergaminhos são sobreviventes da cidade romana de Pompeia que foi sepultado por uma cataclísmica erupção do vulcão Vesúvio Crédito: Karl Bryullov / Wikimedia Commons

Os artefatos sobreviventes são frágeis demais para serem desenrolados, e dessa forma a tecnologia teve que dar um jeito de "desenrolá-los" virtualmente. A primeira etapa foi feita com a coleta de radiografias 3D dos artefatos que futuramente seriam submetidos à inteligência artificial.

Com as radiografias em seu sistema, os softwares de IA desenvolvidos para essa tarefa começaram a analisar padrões cromatográficos nos perfis de tinta das páginas, literalmente detectando letra por letra: um trabalho apenas possível por meio de leitura computacional intensa.

O pergaminho recuperado continha textos filosóficos sobre as fontes do prazer que se acredita serem escritos por Filodemo, um filósofo epicurista que viveu por volta de 40 A.C., e sua recuperação foi o tópico principal de um estudo publicado no PLOS em 2019.

Próximo passo

O avanço mais promissor não está apenas na tradução de um tablete ou pergaminho isolado. Ele está na possibilidade de abrir acervos inteiros, comparar versões do mesmo texto, reconstruir lacunas e tornar esse conteúdo legível para mais gente, dentro e fora da academia.

Outro efeito importante é cultural. Ao ampliar o acesso a textos cuneiformes, a IA pode mudar a forma como o público enxerga a Mesopotâmia, região que ainda desperta perguntas históricas, como mostra a discussão sobre os Jardins Suspensos da Babilônia, cercados por tradição, dúvida arqueológica e interpretações rivais.

Tendo em vista que a arqueologia e a história são ciências que se baseiam na leitura de fragmentos disponíveis, assim como ler um quebra-cabeça. Nesse cenário, a IA surge como uma oportunidade de encontrar novos capítulos perdidos da história e possibilita uma leitura mais precisa do passado.

Tags:

Inteligência Artificial Ciência Histórias Curiosas