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Agência Correio
Raphael Miras
Publicado em 9 de abril de 2026 às 21:00
Conhecida como gavião-real, a maior ave de rapina das Américas foi confirmada no Parque Nacional da Serra das Lontras, na Bahia. >
A notícia foi recebida com entusiasmo pela equipe gestora vinculada ao Núcleo de Gestão Integrada (NGI) de Ilhéus, responsável também pela administração da Reserva Biológica de Una e do Refúgio de Vida Silvestre de Una.>
Harpia harpyja, ave também chamada de águia-harpia ou gavião-real
Em uma entrevista feita para o site do Governo Federal, o analista ambiental do NGI, Pablo Casella, anunciou que já havia indícios sobre a possível ocorrência da harpia na região. >
“Já havia uma suspeita sobre a presença da harpia no Parque Nacional da Serra das Lontras e nas demais unidades sob gestão do NGI Ilhéus. A parceria com o Projeto Harpia trouxe essa confirmação, o que foi motivo de imensa alegria. Saber da existência da rainha das florestas em nosso território é, além de uma honra, também uma grande responsabilidade”, destacou.>
A Harpia (Harpia harpyja), popularmente chamada de gavião-real, se encontra nas florestas tropicas, especialmente na região da Amazônia. >
Esta gigante dos céus apresenta um dimorfismo sexual marcante: enquanto os machos pesam entre 4 kg e 5 kg, as fêmeas são significativamente maiores, podendo atingir 1 metro de altura, 9 kg de peso e uma envergadura de asas impressionante de 2 metros.>
Sua anatomia é projetada para a caça de elite no topo da cadeia alimentar. A Harpia possui garras de 13 centímetros, sendo maiores que as de um urso-cinzento.>
A ave exerce uma pressão capaz de quebrar ossos com facilidade, permitindo que ela se alimente de mamíferos como preguiças e macacos, além de répteis e outras aves de grande porte.>
Visualmente, a espécie é inconfundível pela sua crista característica, que se levanta conforme a percepção de sons ou ameaças, e pela plumagem que mescla o dorso cinza-escuro à barriga branca. >
Com uma expectativa de vida de cerca de 40 anos na natureza, o gavião-real permanece como o símbolo máximo da força e da biodiversidade nas copas das árvores sul-americanas.>
Para cientistas e ornitólogos, avistar uma harpia em seu habitat natural é considerado um "prêmio". Mais do que uma ave majestosa, ela é uma espécie indicadora: sua presença em uma região reflete um ecossistema equilibrado e saudável. >
Como necessita de grandes áreas de floresta preservada, entre 40 e 100 quilômetros quadrados por casal, o desaparecimento da harpia é um sinal claro de que não há mais mata ou caça suficiente para sustentar a biodiversidade local.>
Além de ser encontrado na Bahia, a mesma espécie foi encontrada no Pantanal, após 10 anos de monitoramento, especialistas localizaram em 2025 um ninho no Maciço do Urucum, em Mato Grosso do Sul, reforçando a importância de áreas protegidas.>
Apesar de não possuir predadores naturais, a harpia está classificada como "quase ameaçada" de extinção. O principal inimigo é a ação humana, através do desmatamento e da fragmentação das florestas.>
Outro fator que dificulta a recuperação da espécie é o seu ciclo reprodutivo extremamente lento. Devido ao cuidado prolongado, um casal de Harpia só se reproduzem a cada três anos, em média.>
A conexão da harpia com o Brasil vai além da biologia. Para tribos indígenas, ela simboliza a força e a avidez, sendo muitas vezes considerada a personificação dos caciques. >
Entre os Mehinako, por exemplo, havia a tradição de manter gaiolas para a ave no centro das aldeias, e suas penas eram usadas em adornos para ocasiões específicas ou rituais de passagem.>
Preservar a harpia significa, portanto, manter viva a própria integridade das florestas tropicais e o equilíbrio de um sistema que garante, inclusive, a formação de recursos hídricos.>