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Mentira compulsiva existe? O que a ciência já sabe sobre a mitomania e por que ela vai além de ‘mentir demais’

Especialistas explicam como a mentira compulsiva, motivada pela necessidade de aceitação e fuga da realidade, difere do hábito comum e pode sinalizar transtornos psicológicos mais profundos

  • Foto do(a) author(a) Raphael Miras
  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Raphael Miras

  • Agência Correio

Publicado em 1 de abril de 2026 às 22:10

Diferente da mentira comum, a mitomania é uma condição compulsiva em que o indivíduo perde o controle sobre suas próprias narrativas
Diferente da mentira comum, a mitomania é uma condição compulsiva em que o indivíduo perde o controle sobre suas próprias narrativas Crédito: Banco de imagem

Mentir para evitar um jantar chato ou não magoar um amigo com uma verdade nua e crua é algo que quase todos já fizemos. É o famoso "lubrificante social". Mas, para algumas pessoas, a mentira não é uma escolha estratégica, é algo obrigatório, quase como respirar.

Quando o fato de mentir se torna o único lugar onde alguém consegue se colocar socialmente, essa ação é chamada de mitomania.

Marcelo VIP por Reprodução

Diferente do mentiroso oportunista, o mitomaníaco é aquele que usa a mentira para criar uma ‘realidade’ que doa menos.

A mentira comum x mentira patológica

A grande diferença não está no tamanho da mentira, mas no porquê. Em uma matéria feita pelo G1, o psicanalista Christian Dunker (USP) aponta que, enquanto a maioria de nós mente com um pé no freio e um objetivo claro, o mitomaníaco perdeu o controle do veículo.

Dito isso, existem dois tipos de mentira: a comum e a própria mitomania. Enquanto a mentira comum possui uma intenção estratégica e deliberada, a mitomania opera em uma lógica distinta.

Trata-se de uma compulsão movida por uma necessidade interna de aceitação ou pelo desejo de tornar a realidade mais suportável; nela, o remorso dá lugar a uma narrativa que passa a ser a "verdade" absoluta do indivíduo naquele momento.

Como ler os sinais (sem julgamentos)

Identificar um mitomaníaco exige olhar além das palavras e observar o padrão de comportamento. Se você sente que a vida de alguém parece um roteiro de cinema que muda a cada sessão, fique atento a:

  • O excesso de detalhes: a história é tão minuciosa que parece ensaiada, mas os detalhes mudam conforme o público.

  • O "vácuo" biográfico: você conhece a pessoa há meses, mas nunca viu a casa dela, os pais ou fotos antigas que comprovem seus feitos.

  • A fuga da realidade: quando confrontada com fatos, a pessoa não admite; ela cria uma nova camada de mentira para proteger a anterior.

Por trás da máscara: o que dói?

É fundamental compreender que a mitomania raramente se manifesta de forma isolada, sendo frequentemente tratada na psicologia como um sintoma de quadros mais profundos em vez de uma doença em si.

Ela funciona como a ponta de um iceberg que esconde transtornos de personalidade, como o narcisista ou o borderline, além de uma profunda insegurança baseada na crença de que a identidade real do indivíduo não é interessante o suficiente para ser aceita.

Nesses casos, a mentira atua como uma espécie de anestesia contra a depressão e a ansiedade, tornando suportável uma realidade que, para o paciente, parece intolerável.

Existe caminho de volta?

Sim, mas ele não passa pelo tribunal. Confrontar um mitomaníaco de forma agressiva geralmente o faz se esconder ainda mais em suas fantasias. A cura para a mitomania não é a "verdade absoluta", mas sim a autoaceitação.

Se o caso for mais grave, tratamentos como psicoterapia e apoio psiquiátrico pode ajudar. Além disso, o acolhimento é necessário para mostrar ao indivíduo que ele é digno de atenção mesmo sem as medalhas falsas ou as tragédias inventadas.