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'Mister Catra' das tartarugas tem 800 filhotes e é responsável por quase 40% do repovoamento em ilha

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  • Foto do(a) author(a) Luiz Dias
  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Luiz Dias

  • Agência Correio

Publicado em 19 de maio de 2026 às 20:20

O espécime é, humoristicamente, referido na internet como ‘monstro do sexo’
O espécime é, humoristicamente, referido na internet como ‘monstro do sexo’ Crédito: Bernard Gagnon / Wikimedia Commons

Imagine um homem que teve quase dez filhos. Bastante trabalho, não é? Agora, alguém com centenas deles? Esse é o caso de Diego, uma tartaruga-gigante centenária que fez uma grande contribuição na preservação da sua espécie.

Da Ilha Española, no Equador, ele foi levado para zoológicos nos Estados Unidos e voltou décadas depois para um programa de reprodução que mudou o destino da sua espécie, a Chelonoidis niger hoodensis. Ao longo de mais de 40 anos, Diego ajudou a gerar ao menos 800 filhotes.

Ilustração de 1878 registra tartarugas-gigantes de Galápagos antes dos programas modernos de conservação por G. Mützel / Wikimedia Commons

As origens da lenda

Diego nasceu na ilha Española, no arquipélago de Galápagos, uma região famosa pela biodiversidade e pela influência nos estudos de Charles Darwin sobre evolução.

No século passado, tartarugas-gigantes foram retiradas das ilhas em grande número. A maioria era transformada em alimento, pois elas conseguiam sobreviver bastante tempo sem comida ou água.

Elas podiam ser mantidas vivas por mais tempo para evitar que a carne estragasse e abatidas apenas na hora do consumo
Elas podiam ser mantidas vivas por mais tempo para evitar que a carne estragasse e abatidas apenas na hora do consumo Crédito: Johann Theodor de Bry / Wikimedia Commons

Com a caça, a retirada de animais e a presença de espécies invasoras, a população da tartaruga-gigante de Española entrou em colapso. Nos anos 1960, restavam apenas 15 indivíduos conhecidos.

Diego foi localizado no Zoológico de San Diego e enviado de volta a Galápagos em 1976. A partir daí, passou a integrar um programa de reprodução em cativeiro conduzido por instituições de conservação.

O último garanhão

A fama veio porque Diego teve papel decisivo na recuperação da população. Ele viveu por décadas em um centro de criação, onde ovos eram coletados, incubados e os filhotes cresciam antes de voltar à natureza.

Garanhão é o termo dado para cavalos reprodutores com ótimos genes, alta fertilidade e com descendentes de boa saúde/porte com os traços genéticos do progenitor
Garanhão é o termo dado para cavalos reprodutores com ótimos genes, alta fertilidade e com descendentes de boa saúde/porte com os traços genéticos do progenitor. Com o tempo, o termo começou a se tornar um adjetivo genérico Crédito: Missi Köpf / Pexels

Segundo a ONU Meio Ambiente, Diego gerou ao menos 800 descendentes. O parque também estimou que ele tenha sido responsável por cerca de 40% dos filhotes da população recuperada na ilha Española.

Recuperação da espécie

Um estudo publicado na revista científica PLOS One analisou cinco décadas de reintrodução da tartaruga-gigante-de-Española, tratada pela IUCN como Chelonoidis hoodensis. Essa é a subespécie de Diego, a Chelonoidis niger hoodensis, dentro do complexo das tartarugas-gigantes de Galápagos.

Espécies e subespécies endêmicas de uma ilha ou um pequeno recorte geográfico tendem a ser mais suscetíveis à extinção, como é o caso da tartaruga-gigante-de-Española
Espécies e subespécies endêmicas de uma ilha ou um pequeno recorte geográfico tendem a ser mais suscetíveis à extinção, como é o caso da tartaruga-gigante-de-Española Crédito: E bailey / Wikimedia Commons

Esse recorte é importante porque o risco não é o mesmo para todos os grupos. A população ligada a Diego, de Española, segue classificada como criticamente em perigo pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), embora esteja em crescimento.

Enquanto isso, a espécie geral das tartarugas-de-galápagos se encontra no estado de vulnerável à extinção.

A IUCN utiliza uma escala de sete níveis e as tartarugas-de-galápagos estão em uma das categorias menos preocupantes, atualmente, mas ainda assim em risco
A IUCN utiliza uma escala de sete níveis e as tartarugas-de-galápagos estão em uma das categorias menos preocupantes, atualmente, mas ainda assim em risco Crédito: Screenshot / Wikipedia

Antes da ação humana, a população de Española era estimada em cerca de 2.400 tartarugas. Nos anos 1960, restavam apenas 14 ou 15 adultos, conforme o recorte usado pelos levantamentos. Entre eles estava o pequeno grupo que deu origem ao programa de reprodução.

Diego entrou nesse processo em 1976, após ser identificado no Zoológico de San Diego. Desde o fim dos anos 1970, quase 1.900 tartarugas nascidas em cativeiro foram reintroduzidas em Española, com sobrevivência estimada em torno de 50%.

Hoje, a população de Chelonoidis niger hoodensis é estimada em cerca de 860 indivíduos na ilha e segue aumentando. Mesmo assim, a classificação de criticamente em perigo permanece, porque a recuperação ainda parte de um gargalo populacional muito pequeno.

Do ponto de vista demográfico, a PLOS One apontou avanço claro. A população reintroduzida já se reproduz na natureza, e os modelos indicaram risco de extinção inferior a 1% em 100 anos. 

E grande parte disso é graças à contribuição de Diego, o "garanhão" das tartarugas, cujos descendentes hoje nadam pelas terras de seus ancestrais.

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Meio Ambiente Histórias Curiosas Extinção