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Luiz Dias
Agência Correio
Publicado em 19 de maio de 2026 às 20:20
Imagine um homem que teve quase dez filhos. Bastante trabalho, não é? Agora, alguém com centenas deles? Esse é o caso de Diego, uma tartaruga-gigante centenária que fez uma grande contribuição na preservação da sua espécie. >
Da Ilha Española, no Equador, ele foi levado para zoológicos nos Estados Unidos e voltou décadas depois para um programa de reprodução que mudou o destino da sua espécie, a Chelonoidis niger hoodensis. Ao longo de mais de 40 anos, Diego ajudou a gerar ao menos 800 filhotes.>
Histórico de conservação da tartaruga-gigante-de-Española
Diego nasceu na ilha Española, no arquipélago de Galápagos, uma região famosa pela biodiversidade e pela influência nos estudos de Charles Darwin sobre evolução.>
No século passado, tartarugas-gigantes foram retiradas das ilhas em grande número. A maioria era transformada em alimento, pois elas conseguiam sobreviver bastante tempo sem comida ou água.>
Com a caça, a retirada de animais e a presença de espécies invasoras, a população da tartaruga-gigante de Española entrou em colapso. Nos anos 1960, restavam apenas 15 indivíduos conhecidos.>
Diego foi localizado no Zoológico de San Diego e enviado de volta a Galápagos em 1976. A partir daí, passou a integrar um programa de reprodução em cativeiro conduzido por instituições de conservação.>
A fama veio porque Diego teve papel decisivo na recuperação da população. Ele viveu por décadas em um centro de criação, onde ovos eram coletados, incubados e os filhotes cresciam antes de voltar à natureza.>
Segundo a ONU Meio Ambiente, Diego gerou ao menos 800 descendentes. O parque também estimou que ele tenha sido responsável por cerca de 40% dos filhotes da população recuperada na ilha Española.>
Um estudo publicado na revista científica PLOS One analisou cinco décadas de reintrodução da tartaruga-gigante-de-Española, tratada pela IUCN como Chelonoidis hoodensis. Essa é a subespécie de Diego, a Chelonoidis niger hoodensis, dentro do complexo das tartarugas-gigantes de Galápagos.>
Esse recorte é importante porque o risco não é o mesmo para todos os grupos. A população ligada a Diego, de Española, segue classificada como criticamente em perigo pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), embora esteja em crescimento. >
Enquanto isso, a espécie geral das tartarugas-de-galápagos se encontra no estado de vulnerável à extinção.>
Antes da ação humana, a população de Española era estimada em cerca de 2.400 tartarugas. Nos anos 1960, restavam apenas 14 ou 15 adultos, conforme o recorte usado pelos levantamentos. Entre eles estava o pequeno grupo que deu origem ao programa de reprodução.>
Diego entrou nesse processo em 1976, após ser identificado no Zoológico de San Diego. Desde o fim dos anos 1970, quase 1.900 tartarugas nascidas em cativeiro foram reintroduzidas em Española, com sobrevivência estimada em torno de 50%.>
Hoje, a população de Chelonoidis niger hoodensis é estimada em cerca de 860 indivíduos na ilha e segue aumentando. Mesmo assim, a classificação de criticamente em perigo permanece, porque a recuperação ainda parte de um gargalo populacional muito pequeno.>
Do ponto de vista demográfico, a PLOS One apontou avanço claro. A população reintroduzida já se reproduz na natureza, e os modelos indicaram risco de extinção inferior a 1% em 100 anos. >
E grande parte disso é graças à contribuição de Diego, o "garanhão" das tartarugas, cujos descendentes hoje nadam pelas terras de seus ancestrais.>