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Mistério de estrada de tijolos amarelos achada a 3 mil metros no Oceano Pacífico tem explicação que surpreende cientistas

Formação geológica impressiona pela semelhança com pavimentação humana e revela o quanto ainda desconhecemos sobre o leito oceânico

  • Foto do(a) author(a) Raphael Miras
  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Raphael Miras

  • Agência Correio

Publicado em 30 de abril de 2026 às 15:32

Natureza ou design? Formação curiosa encontrada a 3 km de profundidade desafia a percepção e destaca o vasto território inexplorado dos nossos oceanos
Natureza ou design? Formação curiosa encontrada a 3 km de profundidade desafia a percepção e destaca o vasto território inexplorado dos nossos oceanos Crédito: Reprodução

Não é todo dia que pesquisadores, em meio à escuridão absoluta do fundo do mar, exclamam pelo rádio: “É o caminho para Atlântida!” ou “A estrada de tijolos amarelos?”.

Mas foi exatamente essa a reação da equipe do navio de exploração E/V Nautilus ao se deparar com uma estrutura intrigante na Cordilheira Liliʻuokalani, ao norte do Havaí.

A 'piscina da morte' que divide o fundo do oceano em dois e surpreende até mergulhadores experientes por Universidade de Miami / Divulgação

A imagem, captada por um veículo submarino operado remotamente (ROV), mostrava o que parecia ser um caminho pavimentado com blocos amarelados e ângulos perfeitos de 90 graus.

A descoberta ocorreu dentro do Monumento Nacional Marinho Papahānaumokuākea (PMNM), uma das maiores áreas de conservação marinha do mundo, e rapidamente viralizou na internet pela semelhança com o cenário do clássico O Mágico de Oz.

A explicação está na geologia, não na ficção

Apesar do impacto visual, a "estrada" não foi construída por mãos humanas ou civilizações perdidas. Os cientistas explicam que a estrutura é composta por uma rocha vulcânica chamada hialoclastito.

O fenômeno acontece quando a lava de uma erupção entra em contato brusco com a água gelada do fundo do mar. Esse resfriamento repentino cria tensões internas na rocha que, após sucessivos ciclos de aquecimento e resfriamento ao longo de milênios, acaba se fragmentando em padrões geométricos surpreendentemente regulares.

O aspecto "escamável" e a coloração amarela são resultados da composição mineral e do processo de oxidação da rocha vulcânica.

Por que enxergamos uma estrada?

O fato de o nosso cérebro identificar imediatamente um pavimento onde existem apenas rochas fraturadas tem nome: pareidolia. É a tendência humana de encontrar padrões familiares em formas aleatórias, como ver rostos em nuvens ou, neste caso, uma estrada em blocos de hialoclastito.

Para a geologia, a perfeição dos ângulos de 90 graus é um exemplo fascinante de como o estresse térmico e a pressão constante da coluna de água podem moldar o relevo submarino de forma quase simétrica.

O abismo desconhecido

Para além da curiosidade visual, o achado reforça um dado desconfortável: estima-se que menos de 0,001% do fundo oceânico profundo da Terra foi observado diretamente pelo ser humano.

A expedição do Ocean Exploration Trust destaca que, embora o oceano cubra mais de 70% da superfície do planeta, a maior parte dele permanece um território inexplorado. Cada nova imagem capturada por robôs submarinos, como a desta "estrada", é uma peça fundamental para entender a evolução geotérmica da Terra e a saúde dos ecossistemas que sobrevivem na ausência total de luz solar.

A "estrada de tijolos amarelos" do Pacífico pode não levar à Cidade das Esmeraldas, mas serve como um lembrete de que o verdadeiro mistério está na imensidão azul que ainda mal começamos a mapear.