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Mistério histórico dos Cavalos de Fergana volta a intrigar especialistas

Reverenciados como divinos na China antiga, animais lendários voltam ao centro de um mistério histórico

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Agência Correio

Publicado em 2 de abril de 2026 às 13:00

Séculos após serem considerados extintos, relatos reacendem o debate sobre os cavalos celestiais
Séculos após serem considerados extintos, relatos reacendem o debate sobre os cavalos celestiais Crédito: Freepik

Poucos animais atravessaram a história cercados de tanta reverência quanto os cavalos de Fergana, chamados na antiguidade de “cavalos celestiais”. Considerados divinos e decisivos em guerras, eles teriam desaparecido há séculos. Mas novos relatos sugerem que a história pode não ter acabado.

Originários da Ásia Central, esses cavalos ficaram famosos por sua velocidade, resistência e por um fenômeno intrigante que alimentou lendas durante milênios. Hoje, pesquisadores e criadores tentam responder a uma pergunta que voltou a circular no mundo equestre.

Yanjin, cidade na China, é considerada a mais estreita no mundo por Reprodução

Afinal, os lendários cavalos que “suavam sangue” realmente desapareceram ou ainda caminham discretamente entre nós?

Interesse imperial

No século 2 a.C., a China enfrentava dificuldades militares diante de povos nômades com cavalarias mais ágeis. O imperador Wu, da dinastia Han, acreditava que apenas uma raça superior poderia mudar o rumo das batalhas e garantir vantagem estratégica duradoura.

Quando ouviu relatos sobre animais extraordinários vindos do vale de Fergana, descritos como “cavalos celestiais vindos do noroeste”, decidiu obtê-los a qualquer custo. A primeira tentativa diplomática fracassou tragicamente, com emissários assassinados após negociações malsucedidas.

A resposta foi militar. Em 104 a.C., tropas chinesas marcharam até o reino de Dayuan. Após perdas severas, uma segunda expedição conseguiu sitiar a cidade e impor um acordo histórico, levando milhares de cavalos para reforçar a cavalaria imperial.

O mistério dos animais que “suavam sangue”

O detalhe mais intrigante desses cavalos era a crença de que eles suavam sangue durante o esforço físico, característica que reforçou sua aura sobrenatural. Na época, o fenômeno foi interpretado como prova de origem divina e sinal de poder extraordinário.

Hoje, especialistas sugerem uma explicação bem menos mística. Pequenos parasitas hematófagos poderiam causar feridas na pele, fazendo com que o sangue escorresse misturado ao suor após corridas intensas. Ainda assim, o impacto visual certamente alimentou as lendas.

Não por acaso, os animais tornaram-se símbolos de status absoluto. Restritos à elite e frequentemente retratados na arte e na mitologia, eles representavam força, prestígio e a própria capacidade do império de dominar territórios distantes.

Extinção, reaparecimento e dúvidas persistentes

Durante quase mil anos, os cavalos de Fergana foram sinônimo de excelência. Com o tempo, porém, cruzamentos com raças maiores diluíram suas características originais. Gradualmente, o tipo puro desapareceu e passou a ser considerado extinto pelos estudiosos.

A história ganhou um novo capítulo em 2013, quando um criador chinês afirmou possuir exemplares autênticos vindos do vale de origem. Segundo ele, restariam apenas cerca de 3 mil animais no mundo, números que elevaram ainda mais o fascínio e os preços.

Apesar da empolgação, especialistas mantêm cautela. Sem registros genealógicos confiáveis ou testes genéticos amplamente divulgados, muitos acreditam que esses cavalos possam ser, na verdade, da raça Akhal-Teke, considerada o parente mais próximo dos lendários celestiais.

Mito ou história?

Sejam mito, realidade ou uma mistura dos dois, os cavalos de Fergana continuam ocupando um lugar único na história. Mais do que montarias extraordinárias, eles influenciaram guerras, expandiram impérios e inspiraram narrativas que sobrevivem há mais de dois mil anos.

E, enquanto novos relatos surgem ocasionalmente, uma certeza permanece: poucas criaturas conseguiram galopar através dos séculos mantendo intacto o poder de fascinar. Talvez o maior mistério não seja onde esses cavalos estão, mas por que ainda nos encantam tanto.