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Fernanda Varela
Publicado em 21 de maio de 2026 às 13:10
O jornalista Décio Piccinini, de 80 anos, abriu o coração ao relembrar um dos episódios mais dolorosos de sua vida: a morte súbita da segunda esposa, Heloísa, em 1989. Atualmente jurado do Programa do Ratinho, no SBT, ele contou que encontrou a companheira sem vida na cama do casal e afirmou que viveu um “inferno em vida” após a perda.>
Durante entrevista ao podcast Intervenção, Décio revelou que o impacto emocional foi tão intenso que precisou passar anos em tratamento psiquiátrico para conseguir lidar com o trauma. Casados desde 1974, os dois tiveram dois filhos juntos. “Quando cheguei no meu quarto, minha mulher estava morta”, contou o jornalista ao recordar a noite da tragédia.>
Décio Piccinini
Segundo ele, um detalhe chamou atenção antes mesmo de perceber o que havia acontecido. “Sempre que eu me sentava na cama, quando eu deitava depois dela, havia um movimento qualquer dela, ainda que inconsciente. Naquela noite, não aconteceu nada”, lembrou.>
Décio disse que estranhou o silêncio e decidiu acender a luz. “Quando acendi a luz, ela estava com o olho aberto, e eu percebi o que tinha acontecido”, afirmou.>
O apresentador contou ainda que passou mais de quatro anos tentando reconstruir a vida enquanto criava os filhos sozinho. Na época, um deles tinha 7 anos e o outro estava entrando na adolescência.>
“Passei quatro anos e meio viúvo, completamente pirado. Fiz cada bobagem, cada loucura. Eu não queria mais viver, mas me perguntava: ‘E os meus filhos, quem cria?’”, declarou.>
Décio também revelou hábitos que desenvolveu durante o período mais intenso do luto. Segundo ele, em alguns momentos de ansiedade extrema, só conseguia dormir embaixo da própria cama. “Eu pegava o travesseiro e me enfiava debaixo da cama. Lá, eu estava um pouco mais seguro”, contou.>
O jornalista afirmou que o acompanhamento médico foi fundamental para conseguir superar o trauma. “Dei muito trabalho para psiquiatra. Felizmente, encontrei um que ficou comigo muitos anos”, disse.>