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Monge budista que utiliza heavy metal para bloquear ansiedade e pensamentos tristes vira destaque em filme e diz como atingir iluminação

Apesar de contraintuitivo, o heavy metal não induz emoções negativas, segundo estudo

  • Foto do(a) author(a) Luiz Dias
  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Luiz Dias

  • Agência Correio

Publicado em 29 de maio de 2026 às 17:17

Monge é um dos principais personagens do documentário
Monge é um dos principais personagens do documentário Crédito: Reprodução / Instagram / Rádio Rock FM

O heavy metal costuma ser associado ao barulho, raiva e letras sombrias, mas você poderia se surpreender com até onde ele pode ir. Nas redes sociais, começou a viralizar a postagem de um monge que tem como apoio na sua busca do nirvana o rock.

Ryushin, monge budista japonês que aparece no documentário "Crows Are White", chamou atenção nas redes por um contraste inesperado: sua rotina religiosa rígida convive com o gosto por heavy metal.

Ryushin faz parte da ordem dos monges Tendai, com sede no templo Enryakuji do Monte Hiei por 663highland / Wikimedia Commons

Monge do metal

Apesar da imagem ascética de abnegação tradicional dos monges, alguns ainda mantêm fortes traços pessoais, e esse é o caso de Ryushin. Mesmo que siga o caminho de Buda para a iluminação, ele gosta da banda Slayer, iPad e até saquê.

O documentário acompanha Ahsen Nadeem em uma busca por orientação espiritual em um mosteiro budista japonês. A ideia inicial era filmar monges ligados a práticas extremas de resistência no Monte Hiei, perto de Kyoto, mas a história muda quando Nadeem conhece Ryushin, descrito como o monge mais disposto a conversar com ele.

O filme se aproxima dos monges budistas Tendai do Monte Hiei, conhecidos pela prática do kaihogyo, uma disciplina ascética de caminhada e oração em rotas ao redor da montanha
O filme se aproxima dos monges budistas Tendai do Monte Hiei, conhecidos pela prática do kaihogyo, uma disciplina ascética de caminhada e oração em rotas ao redor da montanha Crédito: Zairon / Wikimedia Commons

Efeito do metal no cérebro

Um estudo publicado na Frontiers in Human Neuroscience, feito por pesquisadoras da Universidade de Queensland, analisou 39 ouvintes de música pesada, entre 18 e 34 anos. O objetivo da pesquisa era avaliar como as canções afetavam as cobaias emocionalmente.

Os participantes passaram por uma indução de raiva e, depois, foram divididos entre ouvir músicas extremas escolhidas por eles ou ficar em silêncio por dez minutos. O resultado contrariou a ideia de que o metal deixaria as pessoas mais agressivas.

No grupo do silêncio, a frequência cardíaca caiu depois da entrevista de raiva, voltando a um estado mais próximo do repouso
No grupo do silêncio, a frequência cardíaca caiu depois da entrevista de raiva, voltando a um estado mais próximo do repouso Crédito: Roshan Kumara / Pexels

Já no grupo da música, os batimentos não continuaram subindo, mas também não caíram da mesma forma. Eles se mantiveram elevados, o que indica que a música acompanhou a excitação física causada pela raiva, mas sem piorar a emoção.

Quem ouviu metal se sentiu mais ativo e inspirado após a música, efeito que não foi observado no grupo que ficou em silêncio. Ou seja, o silêncio ajudou a baixar a ativação do corpo, enquanto o metal pareceu transformar a energia em algo positivo.

Tags:

Música Histórias Curiosas Budismo Documentário