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Novo estudo descobre mecanismos ocultos em rochas e revela prova incontestável da sobrevivência em Marte

Estudo com leveduras mostra como células simples enfrentaram sais tóxicos e choques simulados como os de Marte

  • Foto do(a) author(a) Luiz Dias
  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Luiz Dias

  • Agência Correio

Publicado em 8 de maio de 2026 às 14:00

Espécie demonstrou capacidade de se reorganizar para sobreviver em ambientes extremos
Espécie demonstrou capacidade de se reorganizar para sobreviver em ambientes extremos Crédito: Magnify

A recente missão Artemis II chamou a atenção para a exploração espacial, mas essa busca nunca esteve parada. Todos os anos são gastos milhões de dólares em pesquisas, e as mais recentes apontaram indícios de sobrevivência biológica em Marte.

Estudo recente publicado na revista PNAS Nexus avaliou a capacidade de células sobreviverem no terreno marciano. Os principais pontos de análise foram a tolerância aos sais tóxicos do solo e às ondas de choque geradas por meteoritos.

Marte tem atmosfera fina, frio extremo, radiação intensa e compostos químicos que tornam a superfície hostil para células terrestres por Tris1606 / Wikimedia Commons

Como foi o estudo?

Para avaliar o desempenho da vida em Marte, foram utilizadas leveduras Saccharomyces cerevisiae. Esses microrganismos foram submetidos a ambientes controlados que simulam esses fatores marcianos.

Espécies como leveduras são comumente usadas nesse tipo de experimento por possuírem processo celular simples e acelerado, que pode ser usado como análogo ao de outros seres mais complexos, como os humanos.
Espécies como leveduras são comumente usadas nesse tipo de experimento por possuírem processo celular simples e acelerado, que pode ser usado como análogo ao de outros seres mais complexos, como os humanos. Crédito: Mogana Das Murtey and Patchamuthu Ramasamy / Wikimedia Commons

Primeiramente, para simular os impactos de meteoros, as células foram expostas a ondas de choque de 5,6 Mach, velocidade muito superior à do som. Também foram colocadas em contato com perclorato de sódio em concentração parecida com a de Marte.

Mesmo sob essas condições, as leveduras sobreviveram. O crescimento ficou mais lento, elas apresentaram sinais de desgaste, mas resistiram. Nessas condições extremas, demonstraram um mecanismo de sobrevivência inesperado.

Rota de fuga

As células formaram pequenos grupamentos de proteínas conhecidos como ribonucleoproteínas (RNP). O nome é difícil, mas a função pode ser resumida de forma simples: elas ajudam a organizar a resposta da célula quando algo a ameaça.

Quando estressadas, as células reorganizaram seu próprio conteúdo interno em pequenos bunkers, os RNP. No estudo, os pesquisadores observaram dois tipos principais dessas estruturas: os P-bodies e os grânulos de estresse.

As ondas de choque, parecidas com as geradas por impactos de meteoritos em Marte, ativaram os dois. Já o perclorato de sódio, sal tóxico presente no solo marciano, ativou apenas os P-bodies.

P-bodies são pequenos “grânulos” que aparecem dentro do citoplasma da célula. O nome vem de processing bodies, algo como “corpos de processamento”.
P-bodies são pequenos “grânulos” que aparecem dentro do citoplasma da célula. O nome vem de processing bodies, algo como “corpos de processamento”. Crédito: Turiya1952 / Wikimedia Commons

Pesquisa complementar

Outra pesquisa, publicada na revista npj Microgravity, também fez testes nesse sentido. O trabalho analisou um fungo negro chamado Rhinocladiella similis em condições com perclorato de magnésio e radiação UV-C (a mais intensa radição solar).

Rhinocladiella similis é conhecido como “levedura negra”, pois possui altas doses de melanina, pigmento que absorve radiação solar.
Rhinocladiella similis é conhecido como “levedura negra”, pois possui altas doses de melanina, pigmento que absorve radiação solar. Crédito: Medmyco / Wikimedia Commons

Esse tipo de sal é relevante porque os percloratos de Marte podem aparecer ligados a elementos como magnésio. Segundo os pesquisadores, o fungo mostrou resistência maior que a de outros modelos usados em estudos de ambientes marcianos.

Em um dos testes, Rhinocladiella similis manteve cerca de 80% de sobrevivência mesmo sob dose alta de UV-C combinada com perclorato. O resultado também sugere que formas de vida terrestres têm recursos inesperados contra ambientes extremos.

Tags:

Marte Ciência Tecnologia