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Luiz Dias
Agência Correio
Publicado em 8 de maio de 2026 às 14:00
A recente missão Artemis II chamou a atenção para a exploração espacial, mas essa busca nunca esteve parada. Todos os anos são gastos milhões de dólares em pesquisas, e as mais recentes apontaram indícios de sobrevivência biológica em Marte. >
Estudo recente publicado na revista PNAS Nexus avaliou a capacidade de células sobreviverem no terreno marciano. Os principais pontos de análise foram a tolerância aos sais tóxicos do solo e às ondas de choque geradas por meteoritos.>
Marte
Para avaliar o desempenho da vida em Marte, foram utilizadas leveduras Saccharomyces cerevisiae. Esses microrganismos foram submetidos a ambientes controlados que simulam esses fatores marcianos.>
Primeiramente, para simular os impactos de meteoros, as células foram expostas a ondas de choque de 5,6 Mach, velocidade muito superior à do som. Também foram colocadas em contato com perclorato de sódio em concentração parecida com a de Marte.>
Mesmo sob essas condições, as leveduras sobreviveram. O crescimento ficou mais lento, elas apresentaram sinais de desgaste, mas resistiram. Nessas condições extremas, demonstraram um mecanismo de sobrevivência inesperado.>
As células formaram pequenos grupamentos de proteínas conhecidos como ribonucleoproteínas (RNP). O nome é difícil, mas a função pode ser resumida de forma simples: elas ajudam a organizar a resposta da célula quando algo a ameaça.>
Quando estressadas, as células reorganizaram seu próprio conteúdo interno em pequenos bunkers, os RNP. No estudo, os pesquisadores observaram dois tipos principais dessas estruturas: os P-bodies e os grânulos de estresse.>
As ondas de choque, parecidas com as geradas por impactos de meteoritos em Marte, ativaram os dois. Já o perclorato de sódio, sal tóxico presente no solo marciano, ativou apenas os P-bodies.>
Outra pesquisa, publicada na revista npj Microgravity, também fez testes nesse sentido. O trabalho analisou um fungo negro chamado Rhinocladiella similis em condições com perclorato de magnésio e radiação UV-C (a mais intensa radição solar).>
Esse tipo de sal é relevante porque os percloratos de Marte podem aparecer ligados a elementos como magnésio. Segundo os pesquisadores, o fungo mostrou resistência maior que a de outros modelos usados em estudos de ambientes marcianos.>
Em um dos testes, Rhinocladiella similis manteve cerca de 80% de sobrevivência mesmo sob dose alta de UV-C combinada com perclorato. O resultado também sugere que formas de vida terrestres têm recursos inesperados contra ambientes extremos.>