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Helena Merencio
Agência Correio
Publicado em 28 de maio de 2026 às 21:00
Existe um ponto da faca de cozinha que quase sempre passa despercebido, justamente porque não corta. Ele fica espremido entre o cabo e o início da lâmina afiada, aparece como um pequeno recuo e costuma ser tratado como detalhe de acabamento por quem usa o utensílio todos os dias. >
Só que essa parte tem uma função prática: ajudar a mão a encontrar apoio, controlar melhor a força e diminuir o risco de escorregar em direção ao fio.>
Faca
Na cutelaria, essa área recebe o nome de ricasso ou gavião. Por não ter lâmina afiada, ela funciona como uma espécie de zona de segurança entre os dedos e o gume, especialmente quando o preparo exige movimentos rápidos, pressão ou cortes em alimentos mais duros.>
Em vez de ser apenas um desenho tradicional, esse recuo interfere na forma como a faca se comporta na mão. >
Ele melhora o equilíbrio da peça, ajuda a distribuir a força aplicada pelo braço e torna o corte mais estável em tarefas comuns da cozinha.>
O ricasso fica entre o cabo protetor e a área de corte. Essa posição permite apoiar o dedo indicador em um ponto firme, sem aproximá-lo demais da lâmina afiada.>
Esse apoio faz diferença quando o cozinheiro precisa aplicar força vertical. A mão deixa de depender apenas do punho e passa a conduzir o movimento com mais controle.>
Também há uma função ligada ao equilíbrio. A geometria dessa região ajuda a ajustar o centro de gravidade da faca, o que torna o manuseio mais previsível.>
Alimentos úmidos ou gordurosos aumentam o risco de deslizamento. Quando isso acontece, o recuo sem fio atua como uma barreira física entre os dedos e o gume.>
Em movimentos repetitivos, essa proteção ganha ainda mais importância. Chefs usam essa área para picar ingredientes com velocidade, mantendo estabilidade durante o sobe e desce da lâmina.>
A vantagem aparece na empunhadura, na proteção dos dedos de apoio e na distribuição mais uniforme da pressão feita pelo braço.>
Em alimentos duros, como abóboras e tubérculos, o ricasso ajuda a aplicar força total sem perder tanto controle. Nos cortes delicados, ele oferece uma referência fixa para direcionar melhor a lâmina.>
Facas de tradição ocidental costumam ter essa reentrância mais evidente. O formato favorece o movimento de balanço, comum em vários cortes feitos sobre a tábua.>
Nos modelos de estilo japonês, a área geralmente é menor. A intenção é aproveitar ao máximo a extensão cortante da lâmina.>
Essa diferença acompanha formas distintas de trabalhar os alimentos. Por isso, o ricasso pode ser bem visível em algumas facas e quase discreto em outras.>
O recuo também ajuda na manutenção da lâmina. Durante a afiação em pedras abrasivas de grão fino, ele cria uma área livre perto do cabo.>
Sem esse espaço, o cabo de madeira ou plástico poderia atrapalhar o deslize longitudinal da faca. Com a passagem livre, fica mais fácil manter o gume alinhado e retilíneo por mais tempo.>
Lavar a faca logo após o uso, com esponja macia, ajuda a evitar corrosão química no metal.>
Na hora de guardar, suportes magnéticos protegem melhor o fio do que gavetas comuns, onde a lâmina pode bater em outros utensílios.>
A chaira de aço também ajuda na manutenção, porque alinha o fio sem remover material desnecessariamente.>
Tábuas de vidro ou cerâmica devem ser evitadas. Por serem rígidas demais, elas prejudicam a afiação em pouco tempo.>
Madeira tratada e polímeros plásticos maleáveis preservam melhor o metal. Com esses cuidados, a faca mantém precisão, firmeza e segurança por muito mais tempo.>