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O país europeu que precisa atrair imigrantes para evitar colapso: sobram vagas e faltam profissionais

Setores vitais sofrem com a escassez de mão de obra enquanto empresas buscam formas de atrair e formar talentos estrangeiros

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Agência Correio

Publicado em 17 de fevereiro de 2026 às 16:00

Alemanha precisa de 300 mil profissionais qualificados por ano, mas enfrenta desafios de burocracia, integração e tensão política
Alemanha precisa de 300 mil profissionais qualificados por ano, mas enfrenta desafios de burocracia, integração e tensão política Crédito: Roman Eisele/Wikimedia Commons

Mesmo com indústria forte e exportações altas, a Alemanha enfrenta um problema básico de população. O número de nascimentos caiu por décadas enquanto milhões de trabalhadores mais velhos chegam à aposentadoria.

Para evitar queda econômica, o país precisa receber cerca de 300 mil profissionais qualificados por ano. Sem reposição, serviços cotidianos começam a ficar comprometidos.

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Áreas que precisam de mais pessoas

O déficit é mais visível em funções essenciais. Enfermeiros são escassos em hospitais e clínicas, professores faltam em várias etapas da educação e o setor digital procura especialistas sem parar.

Essas ocupações exigem formação específica e tempo de treinamento, o que impede reposição rápida apenas com trabalhadores locais.

Economistas alertam que, sem imigração, a alternativa seria trabalhar mais anos antes da aposentadoria ou ampliar jornadas semanais.

Entrar não é tão simples

Apesar da necessidade, o processo de contratação é lento para estrangeiros. A estrutura pública ainda depende de procedimentos presenciais e análise manual de documentos.

Há profissionais formados no próprio país que aguardam muitos meses para converter visto de estudante em autorização de trabalho.

Escritórios jurídicos relatam filas longas até para médicos e engenheiros. A demora ocorre porque os órgãos migratórios também enfrentam escassez de funcionários.

Adaptação além do emprego

Depois da chegada surgem outros desafios. O idioma é indispensável no ambiente profissional e exige dedicação intensa nos primeiros anos.

Diferenças culturais e distância da família dificultam a permanência de parte dos recém-chegados. Alguns retornam após contratos iniciais.

O reconhecimento de diplomas também complica. Cada um dos 16 estados alemães possui regras próprias, prolongando a validação acadêmica.

Impacto político da imigração

Nos últimos anos, o debate sobre imigração se intensificou na Alemanha. O aumento de refugiados e a chegada de profissionais estrangeiros provocaram tensão social e reforçaram movimentos de ultradireita, como o partido AfD.

O partido critica políticas de abertura e defende restrições mais rígidas, o que influencia decisões regionais e nacionais sobre integração.

Para os recém-chegados, isso se traduz em desafios de convivência e preocupação com aceitação social.

Atalhos para atrair mais pessoas

Para reduzir a demora, empresas passaram a recrutar jovens estrangeiros ainda no início da carreira. Elas oferecem formação prática dentro do próprio sistema alemão.

Assim o trabalhador já aprende normas locais e começa a atuar sem esperar anos por validação de diploma.

A economia alemã já dependeu de estrangeiros no passado e volta a disputar profissionais no mercado global. A diferença agora será a capacidade de tornar a chegada mais rápida e a integração mais estável.