Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

O paraíso com praias em tons de verde que virou cenário de uma batalha e hoje tem corais em meio a ruínas

A ilha de Peleliu mistura corais preservados, ruínas militares e memórias da Segunda Guerra Mundial

  • Foto do(a) author(a) Helena Merencio
  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Helena Merencio

  • Agência Correio

Publicado em 12 de maio de 2026 às 14:00

Mesmo cercada por mar azul, a ilha lembra que nem toda paisagem bonita consegue esconder o que aconteceu sobre ela
Mesmo cercada por mar azul, a ilha lembra que nem toda paisagem bonita consegue esconder o que aconteceu sobre ela Crédito: Babiesan/Wikimedia Commons

Peleliu poderia parecer apenas mais uma ilha exuberante do Pacífico. A chuva acende os tons de verde, os corais preservados aparecem perto da costa e as trilhas passam por figueiras, samambaias e pedras cinzas.

Só que a paisagem logo esbarra na guerra. Em um campo aberto, um tanque anfíbio japonês enferrujado permanece tomado por plantas. A cena ajuda a explicar por que turistas dos Estados Unidos, Canadá, Taiwan, Coreia do Sul e Japão viajam até esse ponto remoto de Palau.

Mais do que um destino tropical, Peleliu guarda a memória de uma das batalhas mais sangrentas e menos lembradas da Segunda Guerra Mundial no Pacífico.

Peleliu fica na Micronésia, a cerca de 800 quilômetros a leste das Filipinas, e integra Palau, país independente desde 1994 por C0021/Wikimedia Commons

Ilha vazia, guerra escondida

Em setembro de 1944, tropas americanas chegaram a Peleliu com uma missão aparentemente simples: tomar a ilha e destruir a base aérea japonesa instalada ali.

Depois de dias de bombardeio, os soldados encontraram o local quase vazio. A resistência japonesa, no entanto, estava escondida em redes profundas de cavernas que o reconhecimento aéreo não havia detectado.

Muitas dessas cavernas tinham sido fortificadas e abastecidas com comida, água e munição. Quando os ataques começaram, os japoneses foram para o subsolo. A operação que deveria durar poucos dias se transformou em um cerco de meses.

Uma batalha contestada

Joe Whelan, autor de “Bitter Peleliu”, define o episódio como um horror. Para ele, a batalha não precisava ter sido travada e provavelmente deveria ter sido evitada.

Segundo Whelan, o almirante William Halsey Jr. recomendou que a ilha fosse ignorada. A frota de invasão, porém, já estava a caminho, e a decisão foi vencida pelo almirante Chester Nimitz, comandante das operações no Pacífico.

O custo humano foi enorme. Cerca de 14 mil japoneses e 10 mil americanos morreram durante o cerco. Nem todos foram atingidos por bombas ou tiros. O calor podia passar de 37 ºC, e soldados morreram por insolação e desidratação. Outros adoeceram após beber água contaminada.

No fim, os principais comandantes japoneses morreram por seppuku, ritual de suicídio. A maioria dos historiadores considera 24 de novembro de 1944 como o fim da batalha, data da morte do coronel Kunio Nakagawa.

Ruínas no caminho

Hoje, guias levam visitantes para cavernas usadas no combate. Em alguns pontos, pedras xintoístas com inscrições em japonês homenageiam locais onde soldados morreram.

Marcas americanas também permanecem. Nomes como White Beach e Bloody Nose Ridge continuam em uso, enquanto ruínas da antiga base japonesa seguem expostas ao tempo.

Moradores ainda encontram relíquias da guerra durante as caminhadas. A regra local não oficial é deixar esses objetos perto das placas que indicam pontos importantes da batalha, para que historiadores e curadores possam recolhê-los depois.

A ilha que mudou de forma

Peleliu fica na Micronésia, a cerca de 800 quilômetros a leste das Filipinas, e integra Palau, país independente desde 1994. Antes disso, a região foi controlada pelo Japão, pela Espanha, pela Alemanha e pelos Estados Unidos.

A guerra também alterou a paisagem. Segundo Shingo Iitaka, professor de história da Universidade de Kochi, tratores e equipamentos americanos nivelaram o terreno, expuseram o subsolo branco e mudaram a topografia da ilha.

Para Iitaka, relatos sobre a batalha costumam privilegiar americanos e japoneses, deixando em segundo plano os palauanos, verdadeiros donos daquele território.

Memória e turismo

Ainda hoje, grupos japoneses chegam a Peleliu para homenagear soldados mortos ou tentar repatriar os ossos que permaneceram na ilha. Nos últimos anos, gamers também passaram a visitar o local por causa de “Call of Duty: World at War”, lançado em 2008.

Antes da guerra e da colonização, Peleliu tinha aldeias organizadas por anciãos de clãs, que tomavam decisões em construções chamadas “bai”. Poucas sobreviveram.

Em Peleliu, o coral preservado divide espaço com cavernas, tanques e ruínas. Mesmo cercada por mar azul, a ilha lembra que nem toda paisagem bonita consegue esconder o que aconteceu sobre ela.

Tags:

Turismo História