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Fernanda Varela
Publicado em 12 de maio de 2026 às 14:00
Um castelo no interior da França virou o centro de um projeto que mistura turismo, bem-estar e convivência feminina. A propriedade, comprada coletivamente por mais de 300 mulheres, abriga hoje o Camp Château, um retiro exclusivo para mulheres que reúne experiências como ioga, pintura, cavalgadas, passeios em vilas francesas, jantares coletivos e dias inteiros dedicados ao descanso. >
Camp Château
A iniciativa nasceu da união entre Philippa Girling, executiva com experiência em finanças e empreendedorismo, Lynda Coleman, especialista em eventos e cruzeiros, e Leah Lykins, educadora e fundadora de uma ONG educacional. O trio conta que o imóvel foi encontrado por acaso durante buscas na internet e chamou atenção imediatamente pela atmosfera acolhedora. >
Segundo Leah, muitas participantes relatam uma sensação imediata de pertencimento logo na chegada ao castelo. A proposta do retiro é justamente criar um espaço onde as mulheres possam relaxar sem cobranças externas. “Nenhuma mulher precisa ser nada além de si mesma”, resumem as fundadoras. >
O modelo de negócio também chama atenção. O castelo foi comprado com recursos arrecadados por mais de 300 “membros fundadoras”, que contribuíram coletivamente com cerca de US$ 2,3 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 11,9 milhões. Além disso, outras centenas de milhares de dólares foram destinados às reformas e melhorias de segurança da propriedade. >
As participantes podem escolher uma programação cheia ou simplesmente não fazer nada durante os seis dias de estadia. O retiro oferece mais de três atividades eletivas por dia, mas o descanso também é valorizado como parte da experiência. Há oficinas de aquarela, aulas de cerâmica, fabricação de geleias, sessões de ioga, degustações de vinho e cavalgadas em pequenos grupos. >
Outro diferencial é o formato de convivência. Não existem acomodações VIP e todas as mulheres ficam em quartos compartilhados com beliches, independentemente da idade ou condição financeira. A ideia é incentivar integração e eliminar barreiras sociais dentro da experiência. >
As fundadoras afirmam que mulheres de diferentes gerações convivem naturalmente durante os retiros. Há participantes na faixa dos 20 anos dividindo atividades e refeições com mulheres acima dos 70. Segundo elas, isso cria uma sensação de comunidade e acolhimento semelhante à de uma família temporária. >
O Camp Château já recebeu mulheres de 26 países, incluindo Austrália, Índia, Emirados Árabes Unidos, Malásia e países da América do Sul. O crescimento da procura levou o grupo a comprar uma segunda propriedade na França, que começa a receber participantes nesta temporada europeia. >
Atualmente, as reservas são abertas com antecedência e costumam esgotar rapidamente. A expectativa das organizadoras é receber até 1.500 mulheres neste verão europeu, um salto enorme em relação à primeira edição, em 2023, quando cerca de 96 participantes passaram pelo retiro. >
Além da experiência de hospedagem, as mulheres que ajudaram a financiar o projeto também recebem retorno financeiro sobre o investimento feito. Segundo Philippa, as fundadoras recebem cerca de 5% de retorno e ainda têm direito a participar anualmente do retiro. >
Com lista de espera para novas integrantes e capital disponível para futuras aquisições, as criadoras do Camp Château afirmam que avaliam expandir o conceito para outros países e diferentes formatos de experiência voltados exclusivamente para mulheres. >