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O treino de elite para a força emocional dos adultos pode ser a 'bagunça' que você faz na infância e sua mãe manda arrumar

Psicologia explica por que as brincadeiras sem regras e os imprevistos da infância foram, na verdade, um treinamento para você encarar os desafios da vida adulta

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  • Foto do(a) author(a) Raphael Miras
  • Agência Correio

  • Raphael Miras

Publicado em 16 de abril de 2026 às 17:00

Muito além da diversão, o brincar livre atua como um laboratório para a mente
Muito além da diversão, o brincar livre atua como um laboratório para a mente Crédito: Banco de imagem

A resiliência emocional nem sempre nasce em consultórios ou grandes lições de moral. Muitas vezes, ela começou no asfalto quente da rua, na regra inventada de última hora ou naquela discussão boba sobre quem seria o próximo a jogar. 

Sem saber, enquanto brincávamos, estávamos em um "treino de elite" para a vida adulta. Para a psicologia, o que parecia apenas bagunça era, na verdade, um laboratório real de adaptação, vínculo e autonomia.

Nunca deixe crianças sozinhas perto da água por Shutterstock

O que a psicologia vê onde a gente vê saudade

Na psicologia do desenvolvimento, ser resiliente não é ser "blindado" ou frio. É a capacidade de sentir o baque da frustração e, ainda assim, conseguir processar o que aconteceu e recalcular a rota sem desmoronar.

O brincar livre é o cenário perfeito para isso. Diferente de uma aula estruturada, na rua a criança precisa negociar, improvisar e tolerar.

Estudos reforçam que essa falta de roteiro é o que constrói a musculatura emocional necessária para enfrentar os imprevistos da maturidade.

Da infância para o "corre" do dia a dia

Você já reparou naquela criança que perde um jogo, faz um bico, chora dois minutos e logo depois já está rindo com o grupo? Ali, ela está exercitando o autocontrole e a regulação emocional.

Na vida adulta, é essa mesma habilidade que aparece quando você respira fundo após um erro no trabalho ou consegue se manter calmo em um conflito de relacionamento.

Muitas das nossas reações de hoje foram ensaiadas décadas atrás, em contextos onde não havia um adulto mediando cada pequeno conflito.

O valor do "caos" controlado

A psicologia revela um detalhe precioso: o brincar espontâneo não precisa ser calmo para ser bom. Pelo contrário. A disputa, o medo de perder e a pequena decepção são os temperos que ensinam a mente a lidar com limites.

O aprendizado acontece justamente no desconforto. Quando a criança resolve sozinha uma briga com o amigo, ela descobre que é capaz de gerir crises.

Um novo olhar para as nossas histórias

Entender esse tema nos faz olhar com mais carinho para a nossa própria trajetória. Muitas mulheres percebem hoje que sua força não veio do nada; ela foi forjada em tardes de negociações e descobertas.

Para quem cuida de crianças hoje, fica o convite: nem toda experiência precisa ser perfeita ou controlada para ser saudável.

Às vezes, o melhor que podemos fazer pelo bem-estar emocional dos pequenos é dar um passo atrás e permitir que eles vivam o improviso.

Afinal, aquilo que parecia ser "só rua" era a nossa mente aprendendo a cair, levantar, sacudir a poeira e seguir em frente.