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Olhos verdes NÃO têm pigmento verde e só aparecem em 2% das pessoas: por que eles são tão raros?

A tonalidade aparece em uma pequena parte da população mundial e depende de uma combinação rara entre genes, melanina e luz

  • Foto do(a) author(a) Helena Merencio
  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Helena Merencio

  • Agência Correio

Publicado em 19 de maio de 2026 às 17:17

Apesar do nome, olhos verdes não têm pigmento verde; a cor aparece pela interação entre luz e pigmentação
Apesar do nome, olhos verdes não têm pigmento verde; a cor aparece pela interação entre luz e pigmentação Crédito: Kamil Saitov/Wikimedia Commons

O verde dos olhos chama atenção justamente porque parece guardar um mistério. A cor é rara, mas não surge de um pigmento verde escondido na íris.

Ela aparece quando genética, quantidade de melanina, pigmentos amarelados e a forma como a luz se espalha nos olhos se combinam em uma medida pouco comum.

Essa mistura ajuda a explicar por que olhos verdes são tão incomuns. Segundo dados citados pela Academia Americana de Oftalmologia, essa tonalidade aparece em cerca de 2% da população mundial, o que a coloca entre as cores menos frequentes quando se consideram as principais variações dos olhos humanos.

Olhos verdes aparecem quando a íris reúne uma quantidade intermediária de melanina e reflete a luz de modo particular por Freepik

Nos Estados Unidos, o número é maior e chega a cerca de 9% da população. Ainda assim, o verde segue raro em comparação com outras cores.

A conta não inclui íris avermelhadas ou violeta que podem aparecer em pessoas com albinismo, casos mais específicos e ligados à baixa presença de melanina.

Cor nasce de equilíbrio raro

Durante muito tempo, a explicação mais conhecida dizia que olhos castanhos eram dominantes e olhos azuis, recessivos. Essa ideia ajuda em uma explicação inicial, mas não dá conta de tudo o que acontece na genética humana.

A cor dos olhos depende da quantidade de melanina presente na íris. Quanto mais pigmento, maior a tendência a tons escuros. Quando há menos melanina, aparecem tonalidades mais claras, como azul, verde e avelã.

Só que esse processo não fica nas mãos de um único gene. Diferentes partes do DNA influenciam a produção, o transporte e o armazenamento da melanina.

Por isso, mesmo situações aparentemente improváveis podem acontecer, como dois pais de olhos azuis terem um filho de olhos castanhos.

Um estudo publicado em 2021 na revista Science Advances analisou quase 195 mil pessoas de populações europeias; pesquisadores identificaram dezenas de regiões genéticas associadas à cor dos olhos, mostrando que o resultado final envolve uma rede muito maior do que se imaginava.

Papel dos genes

Mesmo com vários genes envolvidos, dois deles aparecem com destaque: OCA2 e HERC2. Ambos ficam próximos no cromossomo 15 e têm grande influência na pigmentação da íris.

O OCA2 está ligado à produção de uma proteína envolvida na maturação dos melanossomos, estruturas celulares que produzem e armazenam melanina. Por causa disso, ele interfere diretamente na quantidade e na qualidade do pigmento presente nos olhos.

Já o HERC2 funciona como uma espécie de regulador. Algumas variações desse gene podem reduzir a atividade do OCA2, diminuindo a produção de melanina e favorecendo olhos mais claros.

No caso dos olhos verdes, o resultado depende de uma faixa bem específica de pigmentação.

Há menos melanina do que em olhos castanhos, mas mais do que em olhos azuis. Esse ponto intermediário é uma das razões pelas quais a cor aparece em tão pouca gente.

Por que o olho parece verde

Apesar do nome, a íris verde não carrega um pigmento verde. O tom surge quando pequenas quantidades de pigmento marrom se combinam com o lipocromo, um pigmento amarelado e lipossolúvel também associado à cor da gema do ovo e da manteiga.

Quando a luz entra nos olhos e interage com essa combinação, parte dela se dispersa. O efeito visual criado por esse encontro entre pigmento e luz faz a íris parecer verde.

Com os olhos azuis, acontece algo parecido, mas sem o mesmo papel do lipocromo.

Nesse caso, a quase ausência de pigmento faz com que a luz dispersa favoreça comprimentos de onda mais curtos, criando a aparência azulada.

A raridade dos olhos verdes, portanto, não vem de um único fator. Ela nasce de uma combinação difícil de herdar: genes específicos, melanina em quantidade intermediária, pigmento amarelado e dispersão da luz. Quando tudo isso se encaixa, aparece uma das cores de olhos menos comuns do mundo.

Tags:

Ciência