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Helena Merencio
Agência Correio
Publicado em 19 de maio de 2026 às 17:17
O verde dos olhos chama atenção justamente porque parece guardar um mistério. A cor é rara, mas não surge de um pigmento verde escondido na íris. >
Ela aparece quando genética, quantidade de melanina, pigmentos amarelados e a forma como a luz se espalha nos olhos se combinam em uma medida pouco comum.>
Essa mistura ajuda a explicar por que olhos verdes são tão incomuns. Segundo dados citados pela Academia Americana de Oftalmologia, essa tonalidade aparece em cerca de 2% da população mundial, o que a coloca entre as cores menos frequentes quando se consideram as principais variações dos olhos humanos.>
Olhos verdes
Nos Estados Unidos, o número é maior e chega a cerca de 9% da população. Ainda assim, o verde segue raro em comparação com outras cores. >
A conta não inclui íris avermelhadas ou violeta que podem aparecer em pessoas com albinismo, casos mais específicos e ligados à baixa presença de melanina.>
Durante muito tempo, a explicação mais conhecida dizia que olhos castanhos eram dominantes e olhos azuis, recessivos. Essa ideia ajuda em uma explicação inicial, mas não dá conta de tudo o que acontece na genética humana.>
A cor dos olhos depende da quantidade de melanina presente na íris. Quanto mais pigmento, maior a tendência a tons escuros. Quando há menos melanina, aparecem tonalidades mais claras, como azul, verde e avelã.>
Só que esse processo não fica nas mãos de um único gene. Diferentes partes do DNA influenciam a produção, o transporte e o armazenamento da melanina. >
Por isso, mesmo situações aparentemente improváveis podem acontecer, como dois pais de olhos azuis terem um filho de olhos castanhos.>
Um estudo publicado em 2021 na revista Science Advances analisou quase 195 mil pessoas de populações europeias; pesquisadores identificaram dezenas de regiões genéticas associadas à cor dos olhos, mostrando que o resultado final envolve uma rede muito maior do que se imaginava.>
Mesmo com vários genes envolvidos, dois deles aparecem com destaque: OCA2 e HERC2. Ambos ficam próximos no cromossomo 15 e têm grande influência na pigmentação da íris.>
O OCA2 está ligado à produção de uma proteína envolvida na maturação dos melanossomos, estruturas celulares que produzem e armazenam melanina. Por causa disso, ele interfere diretamente na quantidade e na qualidade do pigmento presente nos olhos.>
Já o HERC2 funciona como uma espécie de regulador. Algumas variações desse gene podem reduzir a atividade do OCA2, diminuindo a produção de melanina e favorecendo olhos mais claros.>
No caso dos olhos verdes, o resultado depende de uma faixa bem específica de pigmentação. >
Há menos melanina do que em olhos castanhos, mas mais do que em olhos azuis. Esse ponto intermediário é uma das razões pelas quais a cor aparece em tão pouca gente.>
Apesar do nome, a íris verde não carrega um pigmento verde. O tom surge quando pequenas quantidades de pigmento marrom se combinam com o lipocromo, um pigmento amarelado e lipossolúvel também associado à cor da gema do ovo e da manteiga.>
Quando a luz entra nos olhos e interage com essa combinação, parte dela se dispersa. O efeito visual criado por esse encontro entre pigmento e luz faz a íris parecer verde.>
Com os olhos azuis, acontece algo parecido, mas sem o mesmo papel do lipocromo. >
Nesse caso, a quase ausência de pigmento faz com que a luz dispersa favoreça comprimentos de onda mais curtos, criando a aparência azulada.>
A raridade dos olhos verdes, portanto, não vem de um único fator. Ela nasce de uma combinação difícil de herdar: genes específicos, melanina em quantidade intermediária, pigmento amarelado e dispersão da luz. Quando tudo isso se encaixa, aparece uma das cores de olhos menos comuns do mundo.>