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Agência Correio
Publicado em 1 de abril de 2026 às 13:00
Corvos atingiram uma marca rara em testes de cognição: reconhecer padrões geométricos complexos e apontar a figura “intrusa” sem treino específico para essas formas. O resultado reforça por que essas aves estão entre as mais inteligentes do reino animal. >
O estudo foi publicado na Science Advances e avaliou corvos-carniceiros, da espécie Corvus corone corone. A tarefa tinha um alvo simples na aparência, mas exigia leitura visual fina de contornos, ângulos e simetria.>
A inteligência das aves - papagaios
Os pesquisadores colocaram os animais diante de uma tela com seis formas geométricas. Cinco seguiam um mesmo padrão e uma tinha algo diferente, como leve assimetria, distorção ou contorno fora do esperado.>
O corvo precisava escolher a “intrusa” para completar a rodada. O desafio continuava mesmo quando as figuras mudavam de posição, apareciam rotacionadas ou tinham tamanhos diferentes.>
O desempenho ficou bem acima do acaso. Em um conjunto em que chutar daria 16,7% de chance de acerto, os corvos mantiveram taxas por volta de 48,3% a 56,7% de forma estável.>
Os resultados também não ficaram “subindo” aos poucos, como se a ave estivesse aprendendo o truque no meio do caminho. A leitura das formas apareceu logo no início dos testes com quadriláteros, sem prática específica.>
A percepção de regularidade geométrica é tratada como uma intuição básica em humanos. Em trabalhos anteriores, primatas não tiveram o mesmo desempenho em tarefas desse tipo, o que alimentou a ideia de uma vantagem exclusivamente humana.>
Nos corvos, a leitura parece mais forte quando a forma tem regras claras, como ângulos retos, linhas paralelas e simetria. Conforme o desenho fica mais irregular e abstrato, a precisão cai, o que sugere limites bem definidos.>
Uma possibilidade levantada no debate científico é a raiz evolutiva da habilidade. Para aves, navegar no ambiente exige uma boa leitura de espaço, distância e orientação, algo que pode favorecer esse tipo de percepção visual.>
Corvos já aparecem em outros estudos por memória e reconhecimento social, como o fato de guardarem rancor por até 17 anos em situações associadas a ameaça. Esse conjunto de habilidades ajuda a entender por que eles seguem surpreendendo em laboratório.>
Entre aves, também há exemplos de uso de estratégia e ferramenta, como aves de rapina na Austrália que exploram o fogo para caçar. O novo resultado coloca a geometria como mais uma peça nesse quebra-cabeça.>