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Pedra antiga com traços de rosto humano pode esconder segredo da pré-história

Pesquisadores investigam se marcas em pedra antiga foram feitas por humanos ou criadas naturalmente pelo desgaste do tempo

  • Foto do(a) author(a) Helena Merencio
  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Helena Merencio

  • Agência Correio

Publicado em 22 de maio de 2026 às 07:00

Marcas no menir de Longis Common criam a impressão de um rosto visto em determinados ângulos
Marcas no menir de Longis Common criam a impressão de um rosto visto em determinados ângulos Crédito: Dig Alderney/Reprodução

Uma pedra estava fincada no solo havia milhares de anos quando arqueólogos perceberam algo incomum em sua superfície. Sob determinada luz, as marcas, rachaduras e saliências pareciam formar um rosto humano, como se a rocha guardasse uma figura escondida desde a pré-história.

Esse achado aconteceu em Longis Common, na ilha de Alderney, no Canal da Mancha, durante escavações conduzidas pela Dig Alderney.

A peça é um menir, nome dado a pedras erguidas verticalmente no solo, e pode ter sido usada como marcador de limite territorial ou em práticas rituais.

Segundo o HeritageDaily, o objeto pode remontar à Idade do Bronze Média europeia.

Isso coloca a pedra em um contexto bem diferente do Paleolítico Superior: em vez de 35 mil anos, a descoberta se relaciona a um período muito mais recente da pré-história, mas ainda assim antigo o suficiente para levantar perguntas sobre como povos daquela região ocupavam e interpretavam a paisagem.

Alinhamento de Kerlescan, na França, mostra como estruturas de pedra marcaram diferentes regiões da Europa antiga por Myrabella/Wikimedia Commons

O rosto que apareceu na rocha

À primeira vista, o menir parece apenas uma pedra cinzenta, áspera e desgastada pelo tempo. O detalhe muda quando a parte superior é observada com atenção. Ali, pequenas cavidades e fissuras criam a impressão de traços faciais, como se olhos, nariz e contornos surgissem da própria irregularidade da rocha.

Jason Monaghan, arqueólogo e secretário da Dig Alderney, afirmou ao HeritageDaily que a pedra pode lembrar uma figura humana, embora ainda não exista uma conclusão definitiva. Segundo ele, sob certas luzes, o objeto realmente parece ter um rosto.

Essa dúvida é justamente o que torna o achado interessante. Os pesquisadores ainda investigam se a aparência foi produzida por intervenção humana ou se processos naturais, como erosão e desgaste, criaram o efeito ao longo do tempo.

Uma pedra colocada de pé

O fato de o menir ter sido encontrado na vertical reforça a curiosidade dos arqueólogos. A equipe também avalia se a base da pedra foi moldada em formato retangular para que pudesse ser fixada com mais firmeza no solo.

Pedras erguidas aparecem em diferentes regiões da Grã-Bretanha e de partes da Europa. Muitas estão associadas a paisagens cerimoniais ou antigas divisões de território. Algumas têm figuras ou marcas humanas; outras são completamente lisas.

No caso de Alderney, a possível face abre duas leituras. A primeira é que alguém tenha percebido na pedra uma semelhança com o corpo humano e decidido erguê-la por esse motivo. A segunda é que a aparência tenha sido reforçada por algum tipo de trabalho manual, algo que os pesquisadores ainda precisam confirmar.

Alderney guarda camadas

Longis Common já vinha revelando outros vestígios antes desse menir. Em escavações anteriores, arqueólogos encontraram fragmentos de cerâmica da Idade do Ferro e munições ligadas à ocupação alemã de Alderney durante a Segunda Guerra Mundial.

Essas descobertas mostram que a área foi usada por diferentes grupos ao longo de muitos séculos.

Para a Dig Alderney, o novo achado ajuda a reforçar a importância arqueológica da ilha e sua relação com regiões próximas da Europa, como a Bretanha e o norte da França, onde pedras semelhantes também foram encontradas.

As escavações continuam em Longis Common e em outros pontos próximos, como Whitegates e Paddock. Nos próximos meses, os pesquisadores devem examinar o menir com mais cuidado, procurando marcas de ferramentas e tentando definir melhor sua idade.

Mesmo sem uma resposta fechada, a pedra já cumpre um papel raro: transformar uma superfície irregular em uma pergunta sobre o passado.

Se o “rosto” foi esculpido, escolhido ou apenas reconhecido por alguém há milhares de anos, ainda não se sabe. Mas o achado mostra como uma rocha aparentemente comum pode revelar muito sobre a forma como antigos povos viam sentido no mundo ao redor.

Tags:

Ciência