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WIadmir Pinheiro
Estadão
Publicado em 4 de junho de 2026 às 14:13
Persépolis, graphic novel publicada na França em 2000, conta a história de uma garota rebelde que testemunha a queda do xá Mohammad Reza Pahlavi, no Irã, até a ascensão do regime islâmico em 1979, e seu consequente exílio na Europa. A obra critica as regras impostas às mulheres pelo novo regime. >
Os quadrinhos venderam centenas de milhares de exemplares e deram origem a uma animação homônima, lançada em 2007 e indicada ao Oscar. Ambas são assinadas por Marjane Satrapi, escritora, quadrinista e cineasta franco-iraniana, que morreu nesta quinta-feira (4), de "tristeza" após a morte de seu marido.>
A HQ foi eleita um dos melhores livros do século 21 pelo New York Times, e é publicada no Brasil pela editora Companhia das Letras.>
A animação de Persépolis, considerada uma das mais influentes dos anos 2000, perdeu o Oscar de 2008 para Ratatouille, da Pixar. Ainda assim, Satrapi tornou-se a primeira mulher indicada à direção por um filme de animação.>
Embora não tenha vencido em Hollywood, o longa conquistou o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cinema de Cannes, na França, no mesmo ano. >
A premiação ganhou contornos políticos após o governo iraniano protestar formalmente contra a escolha, devido às críticas ao regime presentes na obra. A organização do festival, porém, defendeu o filme.>
A HQ e a animação acompanham a trajetória da própria autora. Vinda de uma família liberal, com integrantes que foram perseguidos e mortos durante o período do xá, Marjane foi enviada aos 14 anos para estudar na Áustria. Ao retornar ao Irã, enfrentou a repressão fundamentalista até decidir se estabelecer definitivamente na França, a partir de 1994.>
No Brasil, Persépolis não está disponível atualmente nos principais serviços por assinatura, como Netflix e Amazon Prime Video. A opção é o streaming Mubi, conforme indicado pelo site JustWatch.>