Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

Por que ficar 2 horas sem som nesse domingo regeneram o cérebro (literalmente)

Reservar um tempo sem ruído no domingo pode aliviar a sobrecarga mental e ajudar memória, foco e recuperação da semana

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Foto do(a) author(a) Luiz Dias
  • Agência Correio

  • Luiz Dias

Publicado em 4 de abril de 2026 às 16:00

Extremos da audição, silêncio e barulho, têm efeitos comprovados na psique humana
Extremos da audição, silêncio e barulho, têm efeitos comprovados na psique humana Crédito: Freepik

Reservar um tempo sem TV, sem notificações, sem vídeos curtos e sem conversa de fundo no domingo pode funcionar como uma pausa real para o cérebro. A ciência ainda não prova que isso regenere o cérebro humano por si só, mas já associa o silêncio a menos estresse e mais clareza mental.

O dado mais citado nesse debate vem de um estudo com camundongos, no qual duas horas diárias de silêncio foram ligadas a mudanças no hipocampo, área importante para memória e emoções. Em pessoas, a conclusão precisa de mais pesquisa.

Meditação por Shutterstock

O som do silêncio

O principal estudo usado para sustentar essa conversa foi publicado na revista Brain Structure and Function. Nele, os pequenos roedores passaram por duas horas diárias de silêncio em um ambiente controlado, sem interferência sonora externa.

Houve um registro do aumento de células precursoras no hipocampo. Depois de sete dias, o grupo exposto ao silêncio foi o único a manter mais células ligadas ao surgimento de novos neurônios, o que transformou o achado em um dos mais lembrados quando se fala no tema.

Esse resultado chama atenção porque o hipocampo participa da aprendizagem, da organização das lembranças e do processamento emocional. Ainda assim, é preciso evitar exageros, pois o experimento não autoriza dizer que duas horas de silêncio, sozinhas, já regeneram o cérebro humano literalmente.

Uma conclusão mais realista é de que a descoberta demonstra que o silêncio é um fator condicionante que pode auxiliar na recuperação mental, reduzir a sensação de saturação e abrir espaço para o cérebro trabalhar em questões que antes estariam suprimidas por estímulos cotidianos.

Fadiga do ruído cotidiano

Se o efeito do silêncio ainda exige maior embasamento, o efeito do barulho já é mais comprovado. O ruído contínuo, sobretudo em cidades grandes, interfere no sono, atrapalha a concentração, aumenta a irritação e mantém o corpo em vigilância por tempo demais.

Isso acontece porque o cérebro não trata som como "whitenoise"; ele é um ruído estático constante que atrapalha o fluxo neuronal. Mesmo quando você tenta ignorar, ele segue monitorando cada detalhe do ambiente: buzina, obra, notificação, televisão ligada, trânsito, vizinho e conversa paralela. Tudo isso em um ciclo silencioso de desgaste mental.

Barulho alto já foi inclusive usado como método de tortura, as chamadas “cinco técnicas” usadas pelo Reino Unido na Irlanda do Norte, no início dos anos 1970 Crédito: GiollaUidir / Wikimedia Commons

Com o passar dos dias, surge uma sensação difícil de nomear, mas fácil de reconhecer: a cabeça parece cheia, a atenção encurta, a paciência diminui e qualquer estímulo extra pesa mais do que deveria.

Por isso, o chamado reset dominical não depende de silêncio absoluto, daqueles impossíveis fora de um laboratório. O efeito prático aparece quando a pessoa reduz fontes sonoras desnecessárias e permite que corpo e mente saiam do modo automático.

Crie seu próprio santuário em casa

A boa notícia é que esse hábito não exige isolamento completo nem casa no campo. As duas horas podem ser divididas ao longo do domingo, desde que a proposta seja diminuir estímulos intencionais e não apenas trocar um som pelo outro.

  • Desligue notificações, TV e música por blocos de 20 a 30 minutos.
  • Escolha um cômodo com menos eco, menos luz forte e menos circulação.
  • Evite preencher o vazio pegando o celular a cada poucos minutos.
  • Use o tempo para ler, respirar, alongar, tomar café ou apenas ficar em quietude.

Também vale fechar janelas voltadas para a rua, adiar tarefas barulhentas e combinar com a casa um intervalo mais calmo. Quando isso não for possível, reduzir a quantidade de estímulos já ajuda bastante.

Tags:

Ciência Saúde Mental