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Agência Correio
Luiz Dias
Publicado em 6 de abril de 2026 às 16:00
O estereótipo do gênio “louco” se popularizou na cultura pop em personagens como o Dr. Sheldon Cooper, da série The Big Bang Theory, mas essa fama pode ter embasamento científico. Estudo do neurocientista Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues explora a correlação entre superdotação e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). >
A partir de uma minuciosa análise metodológica, Rodrigues, que é PhD em neurociência, e sua equipe analisaram que a alta capacidade de processamento mental de determinados indivíduos pode acarretar no desenvolvimento de sintomas do TOC.>
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A pesquisa contou com mais de 500 voluntários e utilizou uma metodologia própria desenvolvida por Rodrigues. O DWRI, Desenvolvimento de Amplas Regiões de Interferência Intelectual, analisa a correlação entre diferentes regiões do cérebro durante a execução de tarefas, como pensamentos.>
Ao contrário do que o senso comum costuma apontar, a alta capacidade de processamento cognitivo (superdotação) aliada ao alto QI não atua como um agente de proteção do cérebro contra transtornos psicológicos, muito pelo contrário.>
Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues
Pesquisador-chefeAlguns mecanismos cerebrais deste tipo de indivíduo acabam por atuar como um “fertilizante psicológico para transtornos”. A já mencionada hiperatividade cortical, que atua na melhora do pensamento cognitivo e análise de padrões, pode gerar quadros de hiperprocessamento de situações que podem guiar a pessoa a pensamentos paranoicos e/ou obsessivos.>
Esses padrões de processamento de informações podem levar a alta consciência metacognitiva, hipersistematização e perfeccionismo. Todos os fatores que podem levar ao desenvolvimento de TOC.>