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Matheus Ribeiro
Agência Correio
Publicado em 18 de março de 2026 às 09:50
Pode parecer loucura, mas os vírus, que causam muitas doenças, podem ser usados como salvação contra superbactérias. A terapia fágica volta ao centro da medicina em um momento no qual os antibióticos já não conseguem conter parte das infecções mais perigosas.>
Esses vírus são os bacteriófagos, capazes de reconhecer bactérias específicas, invadi-las e romper suas células. Embora o método exista há mais de um século, ele retorna com força por causa da crescente resistência bacteriana aos remédios.>
Antibióticos - medicamentos para bactérias super-resistentes
Quando o tratamento tradicional falha, o tempo para agir fica curto. Nesse cenário, os fagos aparecem como uma alternativa que mira o alvo certo e evita um impacto mais amplo sobre o organismo, algo valioso em casos graves.>
Os bacteriófagos não infectam células humanas. Eles atuam diretamente sobre bactérias e costumam operar com alta especificidade. Por isso, ganham destaque em comparação com antibióticos de amplo espectro.>
Além de enfrentar bactérias que resistem aos medicamentos convencionais, a terapia fágica pode preservar melhor o microbioma. Esse ponto importa porque muitos tratamentos agressivos também atingem microrganismos úteis ao equilíbrio do corpo.>
A estratégia também permite associação com antibióticos e exige um teste prévio para verificar se o fago funciona contra a cepa identificada. Esse caráter direcionado reforça a ideia de uma medicina mais precisa.>
Em 2025, um estudo publicado na Nature Medicine acompanhou nove adultos com fibrose cística e infecção pulmonar por Pseudomonas aeruginosa multirresistente. Os pacientes receberam fagos inalados de forma personalizada.>
Após o tratamento, a carga bacteriana no escarro caiu e a função pulmonar melhorou. O trabalho também não registrou eventos adversos relevantes, resultado que amplia o interesse por essa abordagem em quadros complexos.>
Outra revisão com metanálise, também publicada em 2025, reuniu 130 estudos e 1.115 pacientes com infecções resistentes ou refratárias. O levantamento apontou melhora clínica agrupada de 71% e erradicação bacteriana de 51%.>
Apesar do potencial, a terapia fágica ainda enfrenta barreiras. Os antibióticos são mais simples de padronizar, produzir em escala e distribuir. Já os fagos exigem isolar a bactéria, testar o vírus adequado e montar um coquetel sob medida.>
Esse modelo desafia a lógica industrial e regulatória já consolidada. Além disso, a evidência disponível ainda é heterogênea, com estudos pequenos e protocolos distintos, o que recomenda cautela mesmo diante de resultados promissores.>