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Prédio icônico tem população maior do que 24% das cidades do Brasil, mais de 30 andares, 5 mil vizinhos e até CEP próprio

Instalação do aluguel por temporada como AirBnb no prédio histórico gerou disputas judiciais entre condôminos

  • Foto do(a) author(a) Luiz Dias
  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Luiz Dias

  • Agência Correio

Publicado em 12 de maio de 2026 às 11:11

O Copan fica na Avenida Ipiranga, nº 200, uma das regiões mais simbólicas da capital paulista. Sua fachada ondulada, os brises e a escala monumental fizeram do edifício uma das imagens mais reconhecíveis de São Paulo, uma
O Copan fica na Avenida Ipiranga, nº 200, uma das regiões mais simbólicas da capital paulista. Sua fachada ondulada, os brises e a escala monumental fizeram do edifício uma das imagens mais reconhecíveis de São Paulo, uma "cidade vertical" Crédito: Andre Moura / Pexels

O Edifício Copan, no Centro de São Paulo, com seus mais de mil apartamentos, é um dos maiores marcos da arquitetura do Brasil. Com mais de 5 mil moradores, ele é mais populoso do que cerca de um quarto do país, o equivalente a aproximadamente 23,8%, segundo dados do Censo 2022 do IBGE.

Projetado por Oscar Niemeyer, o edifício também virou um dos endereços mais disputados por turistas na capital paulista. Pois atualmente, parte de seus apartamentos está disponível em plataformas de aluguel de curta temporada, como o Airbnb.

Regent International Center (Hangzhou, China), mais de 20 mil pessoas por Nishino Asuka / Wikimedia Commons

Airbnb da discórdia

O aluguel de curta temporada virou um dos principais pontos de tensão no Copan. Segundo reportagem da BBC News Brasil, mais de 200 dos 1.160 apartamentos já eram destinados a esse tipo de uso, de acordo com a administração do condomínio.

Ou seja, isso significa que cerca de 17% das unidades do prédio estariam voltadas à hospedagem temporária. É quase um apartamento a cada seis, proporção alta para um edifício originalmente residencial que tem mais de 5 mil moradores.

Para proprietários, plataformas como o Airbnb podem aumentar a rentabilidade dos imóveis, especialmente em um endereço turístico no Centro de São Paulo. Para parte dos moradores, porém, a alta rotatividade muda a rotina interna, amplia o fluxo de desconhecidos e pressiona regras de segurança.

O preço da diária pelos aplicativos, em média, começa em R$ 300 e pode chegar até dois mil
O preço da diária pelos aplicativos, em média, começa em R$ 300 e pode chegar ultrapssar dois mil Crédito: Gustavo Juliette / Pexels

A disputa deixou da escala do prédio para chegar às instâncias jurídicas. Em maio de 2026, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que condomínios residenciais só podem permitir estadias curtas por plataformas como Airbnb se houver aprovação de pelo menos dois terços dos condôminos.

Esse quórum equivale a 66,7% dos moradores com direito a voto e dá mais força às assembleias condominiais. O entendimento do tribunal é que a hospedagem recorrente pode descaracterizar a finalidade residencial do prédio e afetar segurança, sossego e convivência.

Projeto Airbnb no Copan

Antes de o aluguel por temporada virar uma grande disputa no prédio, o Copan já tinha uma operação organizada voltada a visitantes. O projeto “Airbnb no Copan” começou em 2009, quando Judson Sales se mudou para um apartamento de 28 m² no edifício. 

A proposta era transformar pequenos apartamentos em hospedagens de curta duração, aproveitando a arquitetura do prédio, a vista para o Centro e a localização perto da República, da Avenida Ipiranga e de outros pontos turísticos paulistanos.

Com o tempo, a operação ganhou escala. Em 2022, Judson coordenava mais de 34 unidades no Copan. Pelo menos dez delas tinham projeto assinado pela arquiteta Zaira Gon, com reformas pensadas para valorizar espaços compactos.

Naquele período, as diárias variavam de R$ 120 a R$ 440
Naquele período, as diárias variavam de R$ 120 a R$ 440 Crédito: Gabriel de Andrade Fernandes / Wikimedia Commons

Quanto custa morar no Copan?

O custo de vida no Copan varia bastante porque o edifício tem 19 tipologias de apartamentos. Existem unidades de 23 m² a 174 m², além de junções que podem chegar a 345 m² de área útil. 

Em entrevista à Casa Vogue, o síndico Affonso Celso Prazeres afirmou que os menores apartamentos custavam a partir de R$ 480 mil, enquanto os maiores chegavam a R$ 1,6 milhão. Para aluguel, os valores começavam normalmente em R$ 1.500.

O condomínio também muda conforme o tamanho e o tipo de unidade. Ainda segundo a reportagem, as taxas iam de pouco mais de R$ 200 a R$ 1.800 por mês, dependendo do apartamento. 

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