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Luiz Dias
Agência Correio
Publicado em 26 de maio de 2026 às 13:43
Uma espécie de tubarão que vive nas profundezas do oceano está chamando a atenção de cientistas depois de aparecer em águas rasas nos Estados Unidos. O animal pertence a uma linhagem mais antiga que os dinossauros.>
O tubarão-de-seis-guelras, conhecido pela ciência como Hexanchus griseus, costuma habitar regiões escuras e profundas do mar. No entanto, pesquisadores passaram a observar a espécie no Estreito de Puget, no estado de Washington.>
Animais abissais que raramente são vistos na superfície
A principal característica marcante da espécie é o ambiente em que ela vive. A espécie costuma ocupar áreas que podem chegar a 2,5 km de profundidade, com pouca luz, baixa visibilidade e difícil acesso para pesquisadores.>
Por isso, cada aparição em águas rasas vira uma oportunidade rara. Cientistas conseguem observar o comportamento do animal, coletar dados e entender melhor como ele usa regiões costeiras ao longo da vida.>
A principal hipótese é que as águas do Estreito de Puget funcionem como berçário. Pesquisadores do Seattle Aquarium afirmam que fêmeas podem retornar à região para dar à luz mais de uma vez.>
Depois do nascimento, os filhotes ficariam por anos em áreas mais protegidas do Mar de Salish. Nesse período, eles fazem pequenos deslocamentos e podem subir para águas rasas ao anoitecer.>
Segundo o Seattle Aquarium, os jovens tubarões costumam se deslocar menos de 3 quilômetros por dia. Eles sobem para áreas mais rasas ao entardecer e descem para águas mais profundas ao amanhecer, possivelmente em busca de alimento.>
Entre maio e setembro, equipes do Seattle Aquarium vão visitar três pontos do Estreito de Puget uma vez por mês. A pesquisa será feita em Redondo Beach, Elliott Bay e nas águas próximas ao sudeste da ilha Bainbridge.>
Os animais serão trazidos à superfície por pouco tempo, sempre com acompanhamento de especialistas. Dependendo do tamanho, o tubarão ficará em um suporte feito para o procedimento ou ao lado da embarcação.>
Durante a coleta, os cientistas pretendem registrar medidas, obter amostras de tecido, fotografar os animais e instalar dispositivos de rastreamento. O processo deve durar de cinco a 10 minutos.>
Esses dados podem revelar três pontos centrais: para onde os tubarões se deslocam ao longo do ano; quais áreas eles usam para se alimentar e crescer; e como a presença humana pode afetar a rotina da espécie.>
Dani Escontrela
cientista de pesquisa do Seattle Aquarium em nota no site oficial da instituiçãoO interesse pelos tubarões-de-seis-guelras de Puget Sound não é novo. Em estudo publicado na revista Frontiers in Marine Science, pesquisadores compararam registros feitos entre 2003 e 2005 com dados de 2008 a 2015.>
O levantamento mostrou forte queda nas aparições perto do Seattle Aquarium. Foram 273 registros no primeiro período analisado, contra 33 no segundo. A razão dessa diferença ainda não foi confirmada.>
Para os cientistas, uma explicação possível é a variação natural no número de jovens tubarões que chegam à região. Ou seja, algumas gerações podem usar o estuário com mais intensidade, enquanto outras aparecem menos.>