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Heider Sacramento
Publicado em 25 de março de 2026 às 09:00
Rita Batista atravessa um daqueles momentos raros na carreira em que tudo parece novo outra vez. Depois de mais de duas décadas no jornalismo, a apresentadora estreia nesta quarta-feira (25) como atriz na novela A Nobreza do Amor, da TV Globo, no papel de Ladisa. E, apesar da experiência diante das câmeras, o frio na barriga é inevitável. >
“É a estreia de uma primeira vez. O trem gera uma ansiedade, né? É natural isso, eu acho, por ser algo que eu nunca fiz dessa forma. Quando são estreias de programas ao longo dos meus 22 anos de carreira no jornalismo, claro que tem expectativa, mas é aquilo que eu já fazia. Agora é a primeira vez que estou fazendo uma novela com uma personagem”, conta.>
Conhecida do público por participações em novelas como ela mesma, em Vai na Fé, Fuzuê e Dona de Mim, Rita agora assume um novo lugar. “Eu já tive essas experiências, mas como Rita Batista apresentadora. Agora eu tenho essa possibilidade de defender uma personagem: Ladisa”, explica.>
Na trama, Ladisa surge como uma das figuras centrais da resistência no fictício reino africano de Batanga. Aliada da princesa Alika, ela enfrenta o reinado de Jendal em uma disputa marcada por conflitos políticos e simbólicos.>
“Ladisa é uma mulher que faz de uma dor pessoal uma luta coletiva. Ela tem esse compromisso com a princesa Alika e com o povo de Batanga. É uma personagem que entende que nunca será livre se o seu povo não for”, define.>
Rita Batista estreia como Ladisa
A construção da personagem também passa por uma dimensão mais profunda, que dialoga diretamente com a trajetória da própria atriz. “Ladisa carrega muito de nós, mulheres negras. É uma ode e uma homenagem às nossas ancestrais. São mulheres de luta, que vão para o front quando é necessário”, afirma.>
Para dar vida à guerreira, Rita mergulhou em referências históricas e pessoais. “Minha preparação foi muito buscando na literatura, nos livros de história e no corpo também, trazendo essa memória de quem veio antes de mim. A história da minha família, dessas mulheres que lutaram para que outras fossem livres, também está ali”, diz.>
A decisão de migrar para a atuação não foi impulsiva. Veio, segundo ela, como consequência natural das experiências anteriores dentro da TV. “A própria TV foi colocando esse gostinho de mel na minha boca. A partir das participações, eu comecei a pensar: e se eu tivesse uma personagem mesmo? Aí bati na porta da teledramaturgia e disse: quando tiver um teste, me chama”, relembra.>
Rita Batista
O convite veio rápido, ainda em 2025, acompanhado de uma escolha importante. “Eu precisei decidir se queria continuar no que já fazia ou me desafiar mais uma vez. E escolhi me desafiar”, afirma.>
Mesmo com a mudança, Rita não vê ruptura com o passado. “Isso não significa que abandonei os meus 22 anos de carreira. Eu continuo sendo muito feliz no jornalismo. Vejo isso como mais um tijolinho na minha construção”, completa.>
Se a presença diante das lentes sempre foi familiar, a lógica de atuação trouxe desafios inéditos. O primeiro deles, aparentemente simples, exigiu reaprendizado. “A minha primeira dificuldade foi não olhar para a câmera. Durante mais de duas décadas eu sempre olhei diretamente para ela. Agora eu ignoro a câmera, ela é quem vem atrás de mim”, explica.>
Outro ponto foi a relação com o texto. “No jornalismo, a gente decora muito, mas são textos informativos, em que podemos improvisar. Na teledramaturgia, não. O texto tem uma base, um porquê. Como estou chegando agora, sigo à risca o que está escrito”, diz.>
A troca com outros atores também trouxe uma nova dinâmica. “Você não está sozinho, está dialogando o tempo inteiro. Aquilo precisa acontecer de forma verdadeira. Isso a gente aprende fazendo”, pontua.>
O primeiro contato do público com Ladisa promete ser intenso. Rita antecipa que sua cena inicial carrega uma carga emocional forte, e pessoalmente desafiadora. “Minha primeira sequência já diz muito. Eu tive que lidar com uma emoção de perda que, graças a Deus, não vivi, mas sei que é a realidade de muita gente. Eu apareço cantando, mas não é só cantar. É cantar com emoção, é o cantar da perda, de enterrar seu marido”, revela.>
A cena também expõe uma habilidade pouco conhecida da apresentadora. “Pouca gente sabe que eu canto. Mas ali não era técnica, era sentimento”, completa.>
Dividir o mesmo projeto com nomes consagrados da dramaturgia brasileira também marca esse início de trajetória. “Só de estar no mesmo produto que Lázaro Ramos, Welket Bungué, Ana Cecília Costa, Fábio Lago, Emmanuelle Araújo, Erika Januza, Duda Santos, já é muito grande. É um lugar de aprendizado o tempo todo”, afirma.>
Rita diz que passou a assistir novelas de outra forma. “Agora eu vejo como os atores aplicam as emoções, como honram o texto. É um outro olhar”, conta.>
A Nobreza do Amor
A Nobreza do Amor aposta em uma narrativa que mistura elementos fictícios e históricos para construir uma trama que atravessa continentes. “É uma história que nunca antes foi contada dessa forma. Essa África vista de outra maneira, com essa interseção com o Brasil. É uma fábula, mas com muita ancestralidade e brasilidade”, destaca Rita.>
Para ela, o envolvimento do público será determinante na construção da novela. “Novela é uma obra coletiva, construída também com quem assiste. Estou muito satisfeita com o que já gravamos, mas a estreia é só o começo”, diz.>
E o que esperar de Ladisa ao longo dos capítulos? Rita responde sem entregar demais: “Pode esperar coragem, questionamentos, falas contundentes e muitas surpresas”.>