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Agência Correio
Helena Merencio
Publicado em 9 de março de 2026 às 20:00
Pesquisadores indicam que os olhos dos vertebrados podem ter evoluído a partir de um organismo invertebrado com um único ponto sensível à luz no topo da cabeça. >
O ancestral viveu há cerca de 560 milhões de anos e apresenta características que ajudam a compreender a origem da visão, oferecendo pistas sobre como sistemas visuais complexos se desenvolveram ao longo da evolução. >
Água-viva de 24 olhos
Essa descoberta reforça a ideia de que estruturas aparentemente simples podem ser precursoras de órgãos sofisticados presentes nos animais atuais.>
O animal tinha aparência semelhante à de uma pequena minhoca e passava a maior parte do tempo enterrado no fundo do oceano, mantendo apenas a cabeça exposta para capturar partículas de plâncton e se alimentar. >
Na região superior da cabeça, um conjunto de células sensíveis à luz permitia perceber diferenças entre claro e escuro e orientar o corpo no ambiente, distinguindo o que estava acima e abaixo. >
Embora não formasse imagens, essa estrutura fornecia informações essenciais para a sobrevivência do organismo, permitindo reagir a mudanças de luminosidade e manter-se protegido no fundo do mar.>
Vestígios desse sistema podem ser observados nos vertebrados modernos. A glândula pineal, localizada no cérebro e responsável pelo controle do ritmo biológico, é considerada a equivalente atual da antiga estrutura sensível à luz.>
Sua função no organismo contemporâneo evidencia a continuidade evolutiva de um mecanismo que já existia há centenas de milhões de anos, mostrando como partes do corpo podem conservar vestígios de ancestrais remotos.>
O surgimento dos olhos já provocava debates no século 19. Charles Darwin, em A Origem das Espécies, destacou que imaginar a formação gradual de um órgão capaz de captar luz, ajustar foco e identificar objetos a distância poderia parecer improvável. >
Críticos da teoria evolutiva usaram essa argumentação para questionar se formas intermediárias trariam vantagens suficientes para a sobrevivência. >
Além disso, afirmavam que a evolução de um olho completo exigiria mais tempo do que a história da vida na Terra permitia, reforçando a percepção de complexidade extrema do sistema visual.>
Estudos posteriores buscaram estimar quanto tempo seria necessário para a evolução de um sistema visual funcional. >
Em 1994, Dan-Eric Nilsson e Susanne Pelger calcularam que um olho capaz de formar imagens poderia surgir em cerca de 364 mil anos. >
Mesmo que o cálculo não incluísse todas as proteínas envolvidas na visão, demonstrou que estruturas complexas poderiam evoluir em um período relativamente curto. >
Fósseis de animais com olhos datam de mais de 500 milhões de anos, indicando que houve tempo suficiente para que sistemas visuais surgissem repetidamente ao longo da história evolutiva. >
Pesquisas recentes sobre a posição das células sensíveis à luz em diferentes grupos de animais ajudaram a traçar o percurso evolutivo, conectando o ancestral de olho único aos olhos sofisticados dos vertebrados atuais.>