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Felipe Sena
Publicado em 7 de maio de 2026 às 05:00
Olhar para o passado pode ser o ponto de partida para revisitar a própria história e repensar escolhas. Robson Adorno, o Robyssão, de 46 anos, construiu uma trajetória marcada por desafios até se consolidar como o “Rei do Pagodão”. Hoje, arrasta multidões — inclusive jovens da geração Z — que o apelidaram de “Tio Roby”, refletindo sua experiência no pagodão baiano, ritmo que ecoa pelas ruas, becos, vielas e paredões de Salvador. >
Com correntão, sua marca registrada, clássico chapéu de aba reta, e óculos de lente colorida, Robyssão parece ter saltado de um clipe musical, e revela com orgulho detalhes de sua trajetória e relação com a nova geração. >
Robyssão
“Essa turma da geração Z, consumindo minhas músicas, indo pros shows, comprando ingressos, fico ao mesmo tempo surpreso porque é atípico, não é muito comum você ver essa turma consumir o trabalho de um artista considerado das antigas. É um sinal de que o trabalho está dando certo e paulatinamente a gente vai a cada ano conquistando mais público e espaço”, disse em entrevista ao jornal CORREIO.>
Apesar do sucesso, o cantor que se apresentou no último domingo (3), no Coité Folia 2026, tradicional micareta [carnaval fora de época] realizada em Conceição do Coité, a cerca de 224 km de Salvador, detalhou que houve mudanças em seu repertório. >
Com o aumento dos casos relacionados ao machismo, algumas músicas, como “Me Dá Patinha” que se referem às mulheres de forma pejorativa não envelheceram bem, algo considerado natural do meio artístico com o passar dos anos. “Na vida a gente vai amadurecendo, ponderando e começa a refletir sobre as letras das músicas, a gente canta, Hoje eu entendo”, explicou. >
Antes consideradas apenas entretenimento, hoje parte da sociedade tem um novo olhar sobre determinadas composições. “Eu continuo defendendo que a intenção de todas as músicas que foram consideradas polêmicas, tinha uma única intenção: entreter, uma forma de brincadeira. Até porque naquele período as pessoas interpretavam dessa forma, algo inocente, algumas letras não se encaixam mais no repertório atual, até porque vão se criando leis [como a Lei Antibaixaria - 12.573/2012] e a gente tem que se adaptar a isso, portanto eu retirei essas músicas do repertório”, afirmou.>
Hoje o artista revela cuidado ao compor novas apostas, e relembra canções do passado que envelheceram bem. “Por exemplo, uma música que sempre teve uma letra muito bacana, não era polêmica, chamada ‘Mãos Para o Alto’. As novas como ‘Cuidado Com A Lapada’ não tem nada de polêmico”, disse.>
Ao sorrir, ele adiantou um trecho de um lançamento inédito: “Era 2010, agora é 2026, mas o tempo passou, o que de bom você fez?” >
Um dos alvos para 2027 é o Carnaval de Salvador, que acontecerá entre 4 e 9 de fevereiro. [O Carnaval de 2026 foi muito bom e acredito que em 2027 o circuito da Barra-Ondina vai ser muito top. Vamos pra cima. O melhor ainda está por vir”, disse Robyssão.>
Além da folia momesca, um dos objetivos futuros é realizar regravações audiovisuais com músicas antigas, como “Vaza Canhão” e “Roda Gigante”, assim como gravar audiovisual de músicas inéditas. >
“Tenho ainda o projeto de gravar um documentário sobre a minha vida e um curta metragem, desempenhando um papel de ator. Esse projeto ainda para 2027, e temos outros para 2028, 2029 e por aí vai”, ressaltou.>
Robyssão saiu da banda de pagodão Black Style, onde emplacou vários sucessos para fazer carreira solo em 2013, mas não modificou códigos que lhe fizeram ganhar os holofotes. “É extremamente desafiador iniciar carreira solo e se manter no mercado fonográfico, só o fato de conseguir vencer os obstáculos é algo muito nobre. Quando você vê artistas que já não cantam mais que não estão no cenário da música e o Robyssão se mantém na música, fazendo sucesso e ainda agradando a geração Z, isso pode se considerar um fenômeno”, afirmou.>
Com novos nomes a cada ano, o pagodão baiano se fortalece como gênero que muitos anos foi e ainda é subjugado como “cultura inferior”, mas Robyssão se orgulha ao falar sobre a música que abraçou o jovem lá de trás que nasceu no Rio de Janeiro, mas foi criado nas periferias do Pau Miúdo e Cajazeiras 5. >
“É muita alegria, marquei infância e adolescência com tantas músicas, continuem ouvindo Tio Roby”, concluiu.>