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Matheus Ribeiro
Publicado em 15 de março de 2026 às 10:00
O choro de um cachorro quando o tutor sai de casa costuma gerar preocupação e até culpa. Muitos donos acreditam que o comportamento é resultado direto da forma como criaram o animal. >
No entanto, especialistas explicam que a ansiedade de separação tem causas mais amplas. Fatores genéticos, experiências de vida e até o período de socialização influenciam a forma como o cão reage à ausência do dono.>
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Por isso, compreender as origens desse comportamento ajuda os tutores a lidar melhor com a situação e evitar interpretações equivocadas sobre o vínculo com o animal.>
Quando um cachorro começa a chorar ou latir ao perceber que o tutor está saindo de casa, muitos interpretam o comportamento como consequência de excesso de carinho ou dependência emocional.>
No entanto, essa explicação simplifica um fenômeno mais complexo. O veterinário Enzo Roubaud, em entrevista ao La Vanguardia, destaca que a ansiedade de separação não pode ser atribuída apenas à educação dada ao animal.>
“Muitos donos chegam ao consultório se culpando porque dizem que mimaram demais o cachorro”, relata o especialista ao abordar a preocupação comum entre tutores.>
Ele reforça que a origem do problema pode ser diversa. “A síndrome de ansiedade por separação tem múltiplas causas e não é por como você o criou. Pensar isso é simplista e castigador.”>
Entre os fatores que podem contribuir para esse tipo de comportamento está a genética. Segundo o veterinário, características herdadas podem influenciar a forma como o cão reage à solidão.>
“Não podemos controlar a genética de um animal”, afirma Roubaud. Isso significa que alguns cães podem ter maior predisposição à ansiedade, independentemente da rotina em casa.>
Outro fator envolve experiências vividas ainda antes da adoção. Situações de estresse durante a gestação da mãe podem afetar o desenvolvimento emocional do filhote.>
Além disso, o contato inicial com a mãe e o período de socialização desempenham papel decisivo. Essas fases ajudam o animal a aprender como lidar com estímulos, ausência do tutor e mudanças na rotina.>
O desenvolvimento emocional de um cachorro começa muito cedo. Especialistas apontam que as primeiras semanas de vida influenciam diretamente o comportamento do animal na fase adulta.>
Quando o desmame ocorre cedo demais, por exemplo, o filhote pode apresentar maior insegurança e dificuldade em lidar com momentos de separação.>
Por outro lado, experiências positivas durante o período de socialização ajudam o animal a desenvolver confiança e autonomia.>