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Agência Correio
Publicado em 6 de fevereiro de 2026 às 08:55
Voar de primeira classe foi o máximo da experiência aérea e o sonho de muitos viajantes durante décadas. A oferta de assentos mais amplos e confortáveis, atendimento exclusivo dos comissários de bordo, garantia de privacidade e os status de ficar nas poltronas mais confortáveis do avião transformavam a viagem em algo quase tão valioso quanto o destino. Mas esse modelo associado ao imaginário de luxo, tem entrado em declínio nos últimos anos. Agora as companhias aéreas têm apostado em uma classe executiva extremamente sofisticada, com conforto semelhante, e, em muitos casos, até mesmo superior aos da antiga primeira classe.>
A companhia aérea Oman Air é a mais recente empresa a assumir essa mudança de estratégia nos seus voos. A companhia decidiu abandonar definitivamente a primeira classe e investir em uma versão aprimorada da business class, chamada Business Studio, voltada especialmente para executivos e viajantes dispostos a pagar mais por conforto, mas não os mesmos preços da primeira classe tradicional.>
Executiva com cara de 1ª classe - experiência de hotel dentro de avião
Se no início da aviação comercial não havia distinção entre classes, tudo mudou a partir de 1955, quando a Trans World Airlines (TWA) introduziu oficialmente a separação entre primeira classe e classe econômica. Isso criou um novo padrão para o setor aéreo.>
A partir de 1970, com o surgimento da classe executiva, entre a primeira classe e a econômica, as companhias passaram a cobrar até 50% a mais pelas passagens aéreas. Nos últimos anos, a business class evoluiu de forma acelerada e hoje disputa diretamente com a primeira classe, muitas vezes levando vantagem.>
Esse movimento foi catapultado a partir de 2016, quando a Delta Air Lines lançou novas cabines executivas com preços mais acessíveis do que a primeira classe, mas suficientemente elevados para atrair passageiros da econômica premium. O resultado foi significativo: a empresa registrou crescimento de 17% nas receitas da classe premium, o que consolidou a estratégia, segundo especialistas do setor.>
Diversas companhias têm reduzido o espaço dedicado à primeira classe e passado a priorizar a business class e a premium economy. A lógica é financeira. Embora representem menos de 15% dos passageiros, viajantes corporativos correspondem a 75% dos lucros das companhias aéreas pela frequência com que voam. American Airlines, Air New Zealand e Turkish Airlines já abandonaram a primeira classe.>
Con Korfiatis, diretor executivo da Oman Air, disse à revista Fortune, que o Business Studio foi pensado para ser uma “classe executiva de primeira classe”. Ele diz que a queda na demanda por assentos de primeira classe foi decisiva para a mudança no setor.>
O Business Studio contará com distância de 208 centímetros entre os assentos, paredes individuais para garantir privacidade, tela pessoal de 23 polegadas, wi-fi gratuito e refeições à la carte. A proposta é unir a privacidade da primeira classe com a funcionalidade exigida por executivos em voos longos.>
Inicialmente, as novas cabines serão oferecidas apenas na rota Londres–Bangkok. O preço será menor que o da antiga primeira classe da companhia, mas um pouco maior ao da business class tradicional.>
Na prática, muitas das novas classes executivas já superam a primeira classe de outras companhias. Empresas como a Qatar Airways oferecem uma business class considerada por especialistas como uma das melhores experiências aéreas do mundo. Para reforçar o luxo, algumas companhias passaram a incluir caviar e champanhes que chegam a custar 390 dólares por garrafa.>
O que está acontecendo, portanto, é uma reconfiguração do luxo nos aviões. O espaço antes reservado à primeira classe está sendo convertido em algo como uma business plus: assentos ainda maiores, cabines duplas e serviços diferenciados, mas sem alcançar os preços extremos da antiga primeira classe.>
Você pode gostar de saber também que é possível ter vida de luxo por menos de R$ 3 mil e conhecer três países onde isso é uma realidade.>