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Roberto Midlej
Publicado em 30 de junho de 2023 às 06:00
Estava tudo confirmado para ser na Praça Municipal, mas eis que o secretário de Turismo e Cultura de Salvador comunicou a decisão da Prefeitura de mudar o show do Baianasystem, neste dia 2 (domingo), para a Praça Cairu, no Comércio. "BaianaSystem é grande, a galera pula, vamos mudar de lugar", disse, Pedro Tourinho. A declaração tem um certo tom de humor e de brincadeira, mas é bom levar a sério: todo mundo sabe que, quando os fãs da banda se juntam, "o bicho pega". Tudo na paz. Mas que pega, pega.>
E no domingo, às 18h, o show tem motivo de sobra para ser bem agitado, já que o pretexto da apresentação é o bicentenário do Dois de Julho. E o Baiana não vai estar sozinho. Roberto Barreto, Russo Passapusso e seus colegas vão ter a companhia de diversos convidados: Orquestra Afrosinfônica, o bailarino Elivan Nascimento, as cantoras Rachel Reis, Claudia Manzo e Liz Reis, os cantores Lazzo Matumbi e Vandal, além dos Caboclos de Itaparica.>
A relação e o interesse da banda com o Dois de Julho são antigos: há cerca de dez anos o grupo se juntou à Osba na Concha para celebrar um aniversário da Independência. "Dali em diante, passamos a mergulhar mais fundo na pesquisa sobre a data, para entender a importância dela", diz Roberto Barreto, guitarrista.>
É a primeira - e, talvez, única - apresentação do Sambaquishow, concebido especialmente para essa festa, com roteiro de Russo e Filipe Cartaxo. O título tem origem numa faixa do álbum O Futuro Não Demora, de 2019. "Os sambaquis eram uma construção fóssil que os índios faziam, com ossos, conchas e outras coisas que iam se juntando e entravam em um processo que dava origem a uma nova coisa. Tinha muito na Ilha [Itaparica]", diz Roberto.>
A canção - curta, praticamente uma vinheta - fala em "surra de cansanção", uma referência a uma personagem da independência baiana, Maria Felipa, moradora de Itaparica que teria recebido os inimigos dando-lhes surras com essa planta típica da caatinga, quando tentavam invadir a Ilha. Mas não é só esta música do Baianasytem que remete à luta pela independência: Corneteiro Luís, faixa do disco Ato 3: América do Sol (2021) fala da importância da atuação do corneteiro Lopes no Dois de Julho.>
Corneteiro herói>
canta Russopassapusso
vocalista da bandaTrata-se de uma referência à atuação do corneteiro Luís Lopes na Batalha de Pirajá, episódio fundamental da Independência da Bahia.>
Naquele dia, em vez de dar um toque mandando as tropas recuarem - como havia ordenado o comandante -, Lopes deu o sinal para a cavalaria avançar. Por isso, as tropas lusitanas partiram em retirada, imaginando que os brasileiros haviam recebido reforços. A música Corneteiro Lopes remete a ritmos caribenhos, especialmente a cubanos como a salsa e a rumba. "A música latina é muito presente na música baiana, desde Gerônimo, Brown, Rumbahiana... E o Carnaval tá banhado disso, Luiz Caldas é outro exemplo!", afirma Roberto.>
Nos créditos de Corneteiro Luís, chama a atenção o nome de Felipe Brito, que não é músico nem compositor profissional, mas teve papel essencial na canção. Nativo de Itaparica, ele pesquisa muito a história da Ilha e conheceu os integrantes da banda durante uma apresentação lá. "Ele criou um movimento chamado maré de março, que pega jovens como ele e conscientiza sobre a importância da história de Itaparica. Ele sempre nos alimenta com umas ideias", diz Roberto. A antropóloga Goli Guerreiro é outra que funciona como uma espécie de consultora informal do grupo.>
Sobre o repertório do show, Roberto não revela muito. Mas a união com Lazzo vai render canções que, bem ao gosto da banda, tocam em temas de cunho social. "Isso é muito presente na obra dele. Tocar reggae com Lazzo é sempre uma delícia", entusiasma-se o guitarrista.>
Passado o Dois de Julho, a agenda do grupo é intensa, com shows no segundo semestre em cidades como Fortaleza, Olinda, Belo Horizonte e Natal. E tem dois reencontros agendados: no dia 12 de agosto, no Rio, volta a cantar com Gilberto Gil em uma nova edição do Gilbaiana; em 15 de setembro, no Festival Coala, em São Paulo, é a vez de reencontrar o Olodum, como aconteceu no Festival de Verão, no início deste ano, em Salvador. E, claro, já pensam em um próximo álbum: "Temos a ideia de produzir um disco este ano e já vamos começar a juntar umas ideias".>
Serviço>
Sambaquishow>
Local: Praça Cairu (Comércio)>
Domingo (2), 18h>
Com Baianasystem e convidados>
Grátis>
O projeto Bahia livre: 200 anos de independência é uma realização do jornal Correio com apoio institucional da Prefeitura Municipal de Salvador.>