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Gabriela Cruz
Publicado em 18 de dezembro de 2015 às 14:00
- Atualizado há 3 anos
Depois de uma temporada do Cozinha Prática dedicado à “desgourmetização”, Rita Lobo, 41 anos, acaba de lançar o livro homônimo ao programa, com técnicas culinárias, truques de economia doméstica, sugestões de utensílios indispensáveis e receitas que foram ao ar no canal GNT, além de inéditas. De passagem por Salvador para apresentar o novo projeto, a chef conversou com o BAZAR sobre como decidiu seu futuro profissional. Formada em Gastronomia nos Estados Unidos pelo Institute of Culinary Education, Rita começou a escrever sobre comida em 1995, no jornal Folha de S.Paulo. Em 2000, lançou o Panelinha, primeiro site de receitas testadas para internet brasileira. A empresa cresceu e hoje é também um canal no YouTube, um estúdio de filmagem e uma editora. Como publisher do selo Panelinha, editou livros de autores brasileiros e estrangeiros, entre eles A Cozinha Baiana de Jorge Amado, de Paloma Amado.>
A chef comanda a Panelinha: mix de editora de livros, canal no Youtube e estúdio (fotos/divulgação)Como a culinária entrou na sua vida?Eu não tenho aquele histórico de “ah, sempre amei. Aprendi com minha avó”. Na minha casa, ninguém cozinhava. Trabalhei três anos como modelo e, aos 18, parei para pensar no que queria fazer. Passei dois anos investigando coisas e, num papo com amigas, surgiu a ideia. Morei muito tempo sozinha e cozinhar era uma necessidade. Achei que seria legal aprender, mas não sabia que trabalharia com isso pra sempre. Quando comecei o curso, entendi que tinha uma coisa sensacional, que era poder fazer as outras pessoas me acompanharem nessa aventura.>
Você pensava em fazer o quê com esse aprendizado? Naquela época, o mercado editorial nos Estados Unidos já existia. Tinha canal só de culinária, um monte de revistas legais, mas no Brasil não. Então, quem trabalhava com comida, ou tinha bufê ou restaurante. Resolvi abrir um em 1997. Foi bem, mas eu detestava. Passados 2 ou 3 anos, surgiu a ideia do Panelinha. Levamos 6 meses para lançar, com 200 receitas testadas. >
E como foi a resposta?Naquela época, eu achava que quem entrava na internet para buscar uma receita, queria algo diferente, não o básico, arroz, feijão, ovo frito, omelete. Mas assim que a gente colocou o site no ar, em 23 de março de 2000, comecei a receber e-mails assim: “Muito legal, adorei, mas vem cá, qual o segredo do arroz soltinho? Como é que faz ovo frito?”. Rapidamente percebi que as pessoas não sabiam cozinhar. Pra mim foi muito fácil entender isso, porque eu vim desse lugar. >
E como surgiu a ideia da desgourmetização das receitas?Era uma coisa que o público vinha querendo. Foi uma temporada muito importante do programa, porque tivemos muitos depoimentos de gente que sentiu uma vida transformada em função de conseguir aprender a cozinhar. A pessoa tem filho pequeno, trabalha fora e não tem tempo. Quando você não sabe cozinhar, deixa de ser um prazer e vira um inferno. Então é importante ter alguém que te dê uma mão. Que diga que não é complicado fazer o feijão, o franguinho.>
O que você gosta de cozinhar em casa?Em casa é bem variado. O dia a dia é bem básico, mas eu gosto muito de especiarias, comida com sabores exóticos.>
Você gosta de viajar para comer?Já viajei bastante. Um lugar que fiquei muito impactada foi o Marrocos. Aliás, eu acho que eu fui fazer gastronomia em função dessa viagem. Fiquei fascinada porque, pela primeira vez, achei que comida tinha gênero. Era uma comida feminina, perfumada. >
Que princípios você segue no seu trabalho?Tudo que a gente faz, seja livro, programa, site ou redes sociais, tem que ter ingredientes acessíveis, técnicas bem explicadas e um toque de glamour. Antes eu penso: “a pessoa vai achar o ingrediente em todos os lugares do Brasil?”, “eu consigo explicar essa técnica de um jeito que a pessoa entenda?”,” vamos dar um toque de glamour na hora de servir?”. Meu acervo que é gigantesco, coisas que a pessoa não tem, mas isso não vai impedi-la de repetir a receita, pelo contrário. Pode estimular alguém que não tá nem aí pra cozinha a olhar e pensar: “que prato bonitinho” e se animar a fazer.>
LIVRO>
Cozinha PráticaLivro Parceria da Editora Panelinha e da Editora Senac São Paulo, tem como referência a temporada de desgourmetização de técnicas culinárias do programa homônimo, que Rita Lobo apresenta no canal GNT. Assim como na atração, os capítulos foram organizados por ingredientes comuns aos brasileiros, como arroz, feijão, frango e banana. São 60 receitas divididas em 13 capítulos muito bem ilustrados. Com 304 páginas, o livro pode ser encontrado em sites como Amazon.com e Fnac, a partir de R$ 42,90.>
NA TV >
Rita no #DesgourmetizaTelevisão Depois do sucesso do #desgourmetiza, Rita Lobo prepara novos episódios para a oitava temporada do seu programa no canal GNT. “O assunto é bem profundo. Eu saio da cozinha e vou falar com gente que de alguma forma influencia nosso jeito de cozinhar. Tem nutricionista, colecionador de utensílios... são sete programas especiais”, adianta a chef e empresária, que produz o Cozinha Prática no Estúdio Panelinha desde sua terceira temporada.>