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Moda autoral ganha destaque no 17º Dragão Fashion Brasil

Teve estilista baiano, homenagens à Espedito Seleiro e muito trabalho artesanal na semana de moda

  • Foto do(a) author(a) Gabriela Cruz
  • Gabriela Cruz

Publicado em 9 de maio de 2016 às 10:02

 - Atualizado há 3 anos

As artesanias de Almerinda Maria, Lindebergue Fernandes e Rebeca Sampaio (fotos: Roberta Braga/Silvia Boriello/Ricardo K./divulgação) O Ceará voltou a ser território oficial da moda autoral com o 17º Dragão Fashion Brasil (DFB), realizado de quarta-feira até ontem, no Terminal Marítimo de Passageiros de Fortaleza. Nessa edição, o evento destacou a Colômbia como exemplo do potência criativa da América Latina. Contemplando o tema Sangue Latino, lançou o olhar para a consolidada indústria têxtil do país vizinho. A ideia foi do criador do DFB, Claudio Silveira, que decidiu expandir o alcance do evento justamente em um ano difícil para a economia.

“Em vez de nos deixar contaminar com a maré pessimista que insiste em fazer o Brasil parecer corrompido e sem esperança, falo com o coração latino, que contraria a razão. Temos que inovar e fazer acontecer”, afirmou. A conexão Brasil-Colômbia gerou o projeto Mano a Mano, que levou ao DFB o I Seminário Internacional de Moda, Cultura e Desenvolvimento, dentro da programação do Dragão Pensando Moda, o desfile da marca colombiana Lenerd e a exposição Artesanías de Colombia.

PassarelaAlém da Lenerd, o DFB apresentou 31 desfiles assinados por 22 criadores brasileiros e convidados, além de coletivos que promovem fashion-shows de projetos apoiados pelo evento, como Concurso dos Novos e Comunidade Moda. No line up, revelações do meio e renomados estilistas comprometidos com a ideia de moda autoral, como o baiano Jeferson Ribeiro, que apresentou na quarta-feira a coleção Khaos.

DESTAQUESA modelo baiana Liza S puxa a fila do desfile do baiano Jeferson RibeiroKhaos  Em sua quarta participação, Jeferson Ribeiro inovou. Inseriu o jeans nas suas criações e ampliou o já conhecido mix de materiais, tendo a seda como protagonista. O resultado foi uma coleção mais urbana, com momentos coloridos, na qual o minimalismo deu lugar a um “grunge nordestino” com gibões desconstruídos misturados a vestidos-lingerie. “Desenho roupas para mulheres questionadoras, independentes e que gostam de assumir riscos”, define o criador, que tem entre fãs do seu trabalho a atriz Camila Morgado e a cantora Marcia Castro.O belo vestido de Gisela Franck inspirado em Espedito SeleiroNordeste contemporâneoFormada em Londres, Rebeca Sampaio foi uma das estilistas a trazer um novo olhar para a mulher sertaneja, no qual materiais típicos do Nordeste, como o couro, ganharam novas leituras. A região aparece ainda na escolha dos tons neons lavados e nos toques de bordado.

A turma criativa do Babado Coletivo também enxergou um Nordeste contemporâneo e traduziu a identidade em produtos de moda e decoração feitos com técnicas ancestrais e design atual. Além do desfile, as 13 marcas venderam suas criações numa feira.

O tema de Weider Silveiro foi a cultura indígena brasileira, mas nem por isso a coleção ficou folclórica. Toda em branco e vermelho, trouxe peças em comprimento midi, muitas com tecidos entrelaçados ou bordados exagerados inspirados na fauna brasileira. Para além das roupas, a pegada urbana ficou por conta da trilha sonora de funk, que transformou a passarela em baile.Bikiny Society, Babado Coletivo e Rio de Jas: 32 marcas desfilaram no Dragão FashionArtesanias valorizadas  Um dos nomes mais incensados do artesanato cearense, Espedito Seleiro, 77 anos, foi homenageado no livro Meu Coração Coroado (Senac/CE - R$ 149). A biografia escrita por Eduardo Motta conta a história do mestre, apresenta suas obras e parcerias com grandes nomes do design, como os Irmãos Campana. Seleiro também foi tema da estilista Gisela Franck, que fez um dos desfiles que mais aliou criatividade e viabilidade comercial, preenchendo a passarela de roupas que traziam detalhes alusivos ao trabalho do artesão e que despertavam desejo imediato.

A valorização do artesanal esteve também na coleção de Lindebergue Fernandes, que misturou neoprene e crochê para criar peças oversized com inspiração no surfe, e convidou a designer Betina Gauche - e um time de colaboradoras – para produzir tecidos em patchwork de algodão. Foram confeccionados 10 metros de tecido com sobras das fábricas em que Lindebergue trabalha. A moda festa também é território para o artesanal.

Prova disso é o trabalho de Almerinda Maria, que criou uma coleção em preto e branco, toda feita à mão, inspirada no filme Bonequinha de Luxo. As tramas típicas do estado – renascença de algodão, labirinto em organza - reforçaram as raízes nordestinas da criadora, que assina também a marca Alma Concept ao lado do estilista Deóclys Bezerra. Detalhe: suas peças únicas custam até R$ 25 mil.A moda festa de Ivanildo Nunes e a tribo urbana de Weider SilveiroCelebrar E, por falar em festa, o cearense gosta de uma badalação. Dois desfiles concorridíssimos e aplaudidos de pé foram protagonizados por modelos usando trajes de luxo. Kallil Nepomuceno e Ivanildo Nunes abusaram do brilho dos paetês que coloriram seus vestidos. O segundo valorizou as artesanias ao confeccionar suas peças com renda de bilro, richelieu, renda renascença, bordado à mão e crochê.

*A jornalista viajou a convite da organização do evento