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Publicado em 29 de setembro de 2015 às 06:16
- Atualizado há 3 anos
Tucupi, tacacá, bacuri, tapioca, açaí, cupuaçu e tudo que dá para fazer com esses ingredientes já estão no paladar de quem visita Belém do Pará. Mas a terra de pratos fartos e comida de sabor marcante também oferece outras opções. Uma delas é o chocolate. A iguaria, produzida em pequenas fábricas ou artesanalmente em casas e fazendas na região, vem caindo no gosto do paraenses e se misturando aos sabores regionais.>
Tem chocolate com açaí, cupuaçu, bacuri, castanha e mais uma infinidade de frutas regionais. Além disso, o chocolate e o cacau já chegaram às cozinhas dos grandes restaurantes e se combinam aos peixes e ao jambu. E tem ainda nibs (amêndoas do cacau trituradas) misturados nas farofas regionais. Até cerveja já leva chocolate: a Cupulate Porter, da cervejaria Amazon Beer, é feita com o chocolate da semente de cupuaçu.>
Em Belém, além de provar o chocolate e as iguarias locais, vale a pena visitar o famoso Mercado Ver o Peso – todos os ingredientes da cozinha paraense são encontrados por lá, além do artesanato e dos famosos óleos que servem para tudo. Aproveite os atrativos religiosos da cidade do Círio e também os naturais, como o Mangal das Garças.>
A capital, que tem pouco mais de 1,4 milhão de habitantes e completará 400 anos em 2016, já respira o Círio de Nazaré, uma das maiores festa católicas do mundo, que recebe, todos os anos, mais de 2 milhões de pessoas para festejar o que o jornalista, pesquisador e historiador Carlos Rocque chama de “Natal dos paraenses”.>
Cacau da AmazôniaO 3º Festival Internacional do Chocolate e Cacau da Amazônia e Flor Pará: aulas-show e 30 mil visitantes (Foto: Divulgação)Muita gente – inclusive paraense – não sabe, mas o cacau, cujo maior produtor do Brasil é a Bahia, é um fruto nativo das matas do Pará. O fruto sempre foi importante para a economia paraense como commoditie, mas a produção do chocolate no estado ainda é incipiente. Mesmo assim, já não é tão difícil encontrar em Belém chocolates produzidos artesanalmente na própria região. Na semana passada, o 3º Festival Internacional do Chocolate e Cacau da Amazônia e Flor Pará reuniu mais de 100 expositores e 30 mil visitantes.>
“Os estados produtores do cacau, como Bahia e Amazônia, buscam sair do modelo onde fornecem a amêndoa para as grandes marcas fazerem chocolate e esquecem que o cacau é o protagonista dessa história”, diz o organizador do festival, Marco Lessa.>
O evento já acontece há sete anos em Ilhéus (BA), o que possibilitou um intercâmbio. Um grupo de estudantes do Instituto Federal Baiano, por exemplo, foi ao Pará com um micro-ônibus que funciona como minifábrica de chocolate. Produtores baianos e profissionais de outros países, como Estados Unidos, França e Colômbia, também participaram de atividades e aulas-show sobre a produção do chocolate.>
No festival foi lançado o chocolate Gaudens, do chef Fábio Sicilia, do restaurante Dom Vino, em Belém. Também estiveram presentes representantes da produção artesanal, as bombonzeiras, e de duas fábricas da cidade vizinha de Santa Bárbara do Pará, a 47 quilômetros de Belém.>
Chocolate do CombuChocolate artesanal do Combu de Dona Nena: uma das delícias produzidas na pequena fábrica, que recebe visitas de turistas com banquete no café da manhã (Foto: Clarissa Pacheco)A sensação dos chocolates artesanais do Pará é o Chocolate do Combu, batizado assim pelo chef Tiago Castanho, do restaurante Remanso do Bosque. Ele é feito pelas Filhas do Combu na casa da bombonzeira Izete Costa, a Dona Nena, na Ilha do Combu. De Belém até a “fábrica”, são 15 minutos de barco pelo Rio Guamá e depois por um trecho do Rio Combu. Ela trabalha com as filhas Patrícia e Viviane e produz o próprio chocolate desde 2006.>
Em 2011, o chef Tiago Castanho conheceu a bombonzeira e acabou levando o chocolate produzido por ela para o próprio restaurante e para outros renomados, como o D.O.M., em São Paulo, do chef Alex Atala. O cacau é cultivado numa área de floresta no quintal da casa de Dona Nena e lá mesmo é colhido, fermentado, torrado, descascado e moído. São cerca de 50 quilos de massa de cacau por semana, que dão origem a barras 100% cacau para culinária, brigadeiros, bombons, sachês de cacau e nibs (amêndoa triturada), vendidos em feiras e na própria casa com valores entre R$ 3 e R$ 18. >
Dona Nena também recebe visitas, desde que sejam agendadas. O valor é R$ 70, e já inclui café da manhã e aluguel do barco – já que a casa, assim como as outras construções da ilha, fica sobre palafitas e o único acesso é por meio de barquinho. Para agendar: 91 99616-0648.>
GastronomiaRavioli de cacau, caranguejo e manteiga noisette, do restaurante Famiglia Sicilia (foto: Divulgação)O tucupi, sumo extraído da mandioca brava, está para os paraenses assim como o dendê está para os baianos. O caldo e a folha do jambu – que dá uma sensação de dormência na boca – estão na maioria dos pratos de qualquer restaurante de Belém, dos mais simples aos mais sofisticados.Filhote com folhas e licor de cacau e mel de uruçu, do Remanso do Bosque (Foto: Divulgação)O tacacá, feito com tucupi, goma de tapioca, camarão seco, chicória e jambu, também é vendido nas esquinas e disputado em filas, assim como o acarajé em Salvador. O paraense também não dispensa um bom peixe, principalmente servido com açaí – puro, sem açúcar – e os mais encontrados nos restaurantes são o Filhote, o Pirarucu e o Tambaqui, além do camarão rosa, bastante utilizado nos pratos. A comida regional está em todos os lugares.Schwarzbier defumada com chocolate do Combu: na Amazon Beer (Foto: Divulgação)O chef Tiago Castanho, do restaurante Remanso do Bosque, no Marco, por exemplo, garante que cozinha para o paladar paraense. E é preciso força de vontade para conseguir uma reserva por lá. O restaurante a Forneria, no bairro do Umarizal, e o Lá em Casa, na estação das Docas, servem de tudo, mas não dispensam o regional, como o Pato no Tucupi, prato mais famoso da culinária do Pará.>
Ilha do CombuTambaqui com farofa e arroz paraense, no Saldosa Maloca: R$ 120 (Foto: Divulgação)O lugar fica a 1,5 quilômetro de Belém e só é possível chegar lá de barco, pois todas as construções ficam sobre palafitas. No final de semana, a ilha fica lotada. É local de lazer para turistas e belenenses. As travessias são feitas de sexta a domingo, das 10h às 18h, e cada pessoa paga R$ 4. Os barcos saem da Marine Park, no bairro do Condor, e levam direto aos restaurantes, como o Saldosa Maloca, de Dona Prazeres.A ilha do Combu, na qual só se chega de barco, abriga diversos restaurantes: comida regional e banho de rio (Foto: Divulgação)Uma dica é perguntar ao barqueiro sobre a lotação dos restaurantes. Se o visitante chega e o lugar está lotado, a alternativa é aguardar de pé ou voltar para o barco em busca de outro local, já que é o único meio de transporte. A paisagem é linda e dá para ver Belém do outro lado da Baía do Guajará. Aproveite um banho de rio e experimente o Tambaqui com farofa e arroz paraense – carro-chefe da casa. O prato grande custa R$ 120 e serve bem três pessoas.>
O ESSENCIAL>
Fique de olho>
Calor: Belém é uma cidade bastante arborizada, mas ainda assim o clima úmido incomoda quem não está acostumado às altas temperaturas, que chegam facilmente aos 30ºC. Abuse de roupas leves, água e bastante protetor solar e hidratante para os lábios. Até mesmo os paraenses andam pela cidade usando sombrinhas para amenizar o sol. Portanto, vá preparado.>
Culinária: Como dizem os belenenses, a comida na cidade é “bem servida”. Muitos dos pratos individuais à la carte servem duas pessoas. Talvez a melhor alternativa seja perguntar ao garçom sobre a porção ou encarar a abundância e experimentar de tudo sem medo de ser feliz – nem da balança.>
Onde ficar>
Atrium Hotel Quinta de Pedras: Fica na Rua Dr. Assis, a poucos metros do Mangal das Garças e a menos de dois quilômetros do Mercado Ver o Peso e da Estação das Docas, nota 9 no Booking. Diárias a partir de R$ 199.>
Hotel Le Massilia: Fica na Rua Henrique Gurjão, na região central de Belém, a 20 minutos a pé do Mercado Ver o Peso, nota 7,8 no Booking. Diárias a partir de R$ 198.>
Tulip Inn Hangar: Fica na Avenida Duque de Caxias, a 500 metros do Centro de Convenções Hangar e a 20 minutos de táxi do centro, nota 7,5 no Booking. Diárias a partir de R$ 296.>
Como chegar>
De Salvador: Há voos de todas as companhias, mas nenhum deles é direto. As paradas, em geral, são em Brasília (DF), Recife (PE), Fortaleza (CE) e São Luís (MA), com cinco horas de viagem. Custa, em média, R$ 1.500 (ida e volta).>
De São Paulo: Os voos diretos duram em torno de 3 horas e custam, em média, R$ 1.100. Com as paradas, a viagem pode durar até 10 horas. Normalmente, as escalas são em Brasília e tornam a viagem mais barata, cerca de R$ 600 (ida e volta).>
*A jornalista viajou a convite do Festival Internacional do Chocolate e Cacau da Amazônia e Flor Pará.>