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BTS transforma nostalgia em espetáculo na turnê Arirang

Grupo revisita clássicos com performances mais livres e cria conexão emocional única com fãs em shows marcados por músicas surpresa

  • Foto do(a) author(a) Márcia Luz
  • Foto do(a) author(a) Gabriela Cruz
  • Márcia Luz

  • Gabriela Cruz

Publicado em 2 de maio de 2026 às 06:02

BTS - Tour Arirang
BTS - Tour Arirang Crédito: Divulgação

Ao longo de mais de uma década de trajetória, o BTS construiu algo que vai além de uma sequência de hits. Desde sua estreia, em 2013, o grupo sul-coreano acumula 13 anos de carreira marcados por músicas que atravessam o tempo e, principalmente, a vida de quem escuta.

Faixas como Magic Shop, Zero O'Clock e Idol ilustram esse impacto. Não são apenas canções populares. São marcos emocionais que, para muitos fãs, representam o primeiro contato com o grupo ou momentos de transformação pessoal.

Zorbella esteve na estreia da turnê “Arirang”, na Coreia do Sul por Divulgação

Essa dimensão afetiva ganhou novo significado na turnê “Arirang”.

Durante o bis, o grupo inclui duas músicas surpresa por noite, fora do repertório fixo. A proposta é simples, mas potente, porque desloca o espetáculo para um território mais íntimo, onde memória e música se encontram.

Mas há também uma mudança estrutural na forma como esses shows acontecem.

Se antes as apresentações eram marcadas por coreografias milimetricamente sincronizadas, agora o BTS surge mais solto em cena. Há menos rigidez e mais espontaneidade. O palco deixa de ser apenas performance e se torna celebração.

Os integrantes interagem mais, prolongam momentos e respondem à plateia em tempo real. Em vez de seguir estritamente cada marcação, vivem o show junto com o público. É justamente essa mudança que potencializa o impacto das músicas surpresa.

Diferentes fases

Desde a estreia da turnê, em abril, na Coreia do Sul, o repertório variável percorre diferentes fases da discografia do BTS. Entre as músicas já apresentadas estão Mikrokosmos, I NEED U, DNA, Run e Spring Day.

O movimento vai além dos grandes sucessos. Canções menos frequentes ao vivo também retornam, como Crystal Snow e Save Me. Em outras noites, o grupo revisita hits globais e favoritos do fandom, como Permission to Dance, Pied Piper, Boy with Luv e Life Goes On.

Sem a obrigação de seguir coreografias rígidas, os integrantes observam e reagem à plateia em tempo real, transformando o palco em espaço de troca. Em uma live recente, Suga comentou, ao lado de J-Hope e Jimin, sobre a comoção durante Pied Piper.

Amadurecimento artístico

Há um claro amadurecimento nessa fase. Ao revisitar músicas antigas com leveza, muitas vezes tentando relembrar coreografias, o BTS revela uma relação mais livre com a própria trajetória.

Esse momento carrega forte carga nostálgica. Para muitos fãs, é a primeira chance de ouvir ao vivo músicas lançadas há mais de uma década.

“Ali, eu chorei tudo que guardei durante esses anos”, conta a analista de testes, army e criadora de conteúdo sobre o BTS Zorbella, que esteve na estreia da turnê, na Coreia do Sul.

Isso altera o peso da performance. Não é apenas uma música no setlist, mas a materialização de uma espera.

Mais do que a coreografia perfeita, esse trecho do show reafirma a conexão entre o BTS e o ARMY e o reconhecimento de uma trajetória musical que continua sendo revisitada sob uma nova perspectiva.

Ao alternar entre diferentes camadas da discografia, o grupo constrói uma narrativa que dialoga diretamente com a história emocional do público.

Em uma turnê com mais de 80 datas, essa dinâmica garante que nenhum show seja igual ao outro. Cada apresentação se torna uma experiência singular, mesmo em estádios lotados.

No fim, o BTS parece entender algo essencial. Sua música não pertence apenas ao palco, mas às histórias que se formaram a partir dela.

Ainda mais pessoal

Para quem está na plateia, essa experiência ganha contornos ainda mais pessoais.

“O retorno do BTS já era especial por si só. Ter os meninos de volta pela primeira vez em quatro anos foi um sonho muito esperado. Para alguém como eu, fã há 11 anos e que nunca tinha ido a um show, foi a maior realização da minha juventude”, conta Zorbella.

Ela destaca justamente o impacto das músicas surpresa. “No meu caso, foram Mikrokosmos e I NEED U. ‘I NEED U’ representa uma fase muito especial, foi o primeiro lançamento que acompanhei como fã, em 2015. Já ‘Mikrokosmos’ foi um lembrete. Nunca esqueça o seu brilho.”

A experiência se repete em outros públicos. Bruna, criadora de conteúdo e do perfil @brubrunacoreia, que esteve em dois shows em Tampa, resume. “A energia que o BTS passa não tem como descrever. É emoção do começo ao fim. Ficou nítido o quanto eles estavam com saudades do ARMY e vice-versa.”

Ela também destaca o equilíbrio entre passado e presente. “A mistura das músicas novas com a nostalgia das antigas deixa tudo mais completo. Se pudesse escolher uma para o Brasil, seria Run. É a minha queridinha.”

Para Caroline Barbosa, pedagoga, a conexão vai ainda mais fundo. “Gostaria de ouvir Save Me. Ela tem um significado que vai além da música. Marca um período de virada na minha vida, foi conforto e abraço. Sempre que escuto, volto a um lugar especial.”

No Brasil, o grupo se apresenta nos dias 28, 30 e 31 de outubro no Estádio do MorumBIS, em São Paulo. Os ingressos estão esgotados.

Músicas surpresa da turnê ‘ARIRANG’ do BTS

“Mikrokosmos” – Coreia do Sul (9 de abril)

“I NEED U” – Coreia do Sul (9 de abril)

“DNA” – Coreia do Sul (11 de abril)

“Take Two” – Coreia do Sul (11 de abril)

“RUN” – Coreia do Sul (12 de abril)

“Spring Day” – Coreia do Sul (12 de abril)

“Save ME” – Japão (17 de abril)

“Crystal Snow” – Japão (17 de abril)

“Dope” – Japão (18 de abril)

“For You” – Japão (18 de abril)

“Permission To Dance” – EUA (25 de abril)

“Magic Shop” – EUA (25 de abril)

“Pied Piper” – EUA (26 de abril)

“Boy With Luv” – EUA (26 de abril)

“Silver Spoon (Baepsae)” – EUA (28 de abril)

“Life Goes On” – EUA (28 de abril)

Tags:

Bts Annyeong