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Doris Miranda
Publicado em 14 de abril de 2026 às 06:00
Dezesseis editoras de pequeno porte de diferentes regiões do Brasil se uniram em uma iniciativa inédita no país para mostrar o valor da cena editorial independente. Depois da estreia na Bienal do Livro do Rio, em 2025, agora o Coletivo Compiladas chega à Bienal do Livro da Bahia, que acontece entre 15 e 21 de abril, no Centro de Convenções de Salvador. >
Pelo estande da Compiladas passarão autores e autoras nacionalmente conhecidos, como Leda Maria Martins, Diane Lima, Bianca Santana, Jorge Augusto e Luciany Aparecida. >
O coletivo Compiladas se destaca por integrar editoras com catálogos de excelência gráfica e editorial, pela relevância literária e pela influência cultural. São elas: Arquipélago Editorial, Dublinense (Rio Grande do Sul); Bazar do Tempo, Editora Cobogó, Ímã Editorial, Mórula, Editora Oficina Raquel, Seiva, Tabla (Rio de Janeiro); Editora Ercolano, Editora Fósforo, Lote 42, Nós, Ubu (São Paulo); Relicário (Minas Gerais); e Solisluna (Bahia). >
Todas as editoras são 100% brasileiras e independentes, isto é, não integram nenhum grupo editorial ou econômico. Quase todas as Compiladas foram fundadas no século 21 – a exceção é a baiana Solisluna, com mais de 30 anos de existência. A Solisluna, aliás, é a única representante do Norte/Nordeste na Compiladas. >
Embora torcesse por mais participantes do eixo no coletivo, Valéria Pergentino, sócia-editora da Solisluna, comemora. “A iniciativa é extremamente relevante por reunir editoras independentes de várias regiões do Brasil, com perfis diferentes, mas conectadas pela qualidade de seus catálogos. Em um mercado tão concentrado, essa articulação mostra a força do trabalho coletivo. Para nós, da Solisluna, única editora do Norte e Nordeste no grupo, é especialmente significativo realizar esta edição do Compiladas na Bahia”, destaca ela.>
Comemorando 10 anos de existência, a Ubu estará na Bienal da Bahia pela primeira vez. “O público baiano da Ubu é muito presente e participativo, e esta é uma oportunidade da editora estar mais perto e mostrar as linhas e interconexões do catálogo. O coletivo Compiladas é o que permite que editoras de pequeno porte como a nossa possam estar em eventos fora de São Paulo”, ressalta Florencia Ferrari, diretora editorial da Ubu. >
Expectativas>
Pelo alto investimento e planejamento, a presença em Bienais é desafiadora. Esse segundo momento é muito precioso para as 16 editoras. “Após a nossa primeira experiência com as Compiladas no Rio de Janeiro, fico muito satisfeita de que a rota tenha sido direcionada para fora do caminho previsível do sudeste, e espero que esta seja a primeira de muitas incursões pela Bahia e pelo Nordeste”, destaca Maíra Nassif, editora da Relicário>
Editor da Lote 42, João Varella avalia que estar na Bienal do Livro da Bahia, por meio do projeto Compiladas, é uma oportunidade de ouvir o que o leitor baiano tem a dizer: “O livro independente ganha força quando se movimenta. Trazer nossas publicações do bairro de Santa Cecília, em São Paulo, para Salvador é um intercâmbio cultural necessário para oxigenar a vivência editorial brasileira”.>
Para a Mórula, chegar à Bienal da Bahia fazendo parte do coletivo Compiladas, junto com outras editoras tão importantes na circulação do conhecimento e da literatura, tem um significado muito especial. “É a oportunidade de encontrar leitores, dialogar com a produção local e celebrar de perto a força cultural dessa terra tão viva, que move o Brasil. Estamos muito animados!”, celebra Marilia Pereira, editora da Mórula.>
“Participar da Bienal da Bahia ao lado do coletivo Compiladas é a materialização do nosso desejo de promover a circulação de ideias e de trocar com nossos leitores. Um espaço plural como esse fortalece o livro independente e nos permite ampliar o alcance do nosso catálogo”, analisa Roberto Borges, da Editora Ercolano>
A Oficina Raquel também confirma sua participação na Bienal da Bahia com grande entusiasmo: “Levaremos para o evento um recorte do nosso catálogo que dialoga com temas caros à casa, como memória, território e pensamento contemporâneo. Participar da Bienal é, para nós, uma alegria e uma oportunidade de fortalecer encontros em torno da literatura”, afirma Raquel Menezes, publisher da editora.>
Programação Compiladas na Bienal do Livro da Bahia>
DIA 15/4, quarta-feira:>
Espaço Infantil Portais da Palavra>
11h - Roda de Capoeira e apresentação do livro ‘Pastinha, o menino que virou mestre de Capoeira’, de José de Jesus Barreto e Cau Gomez >
12h - Homenagem à autora Edsoleda Santos pelo conjunto de sua obra>
Café literário >
14h - ‘Território, mercado e política cultural’, com Fabiano Piúba, Tatiana Zaccaro, Raquel Menezes e Rogério Robalinho>
DIA 16/4, quinta-feira:>
Café Literário >
14h - ‘Sobrevivendo na era das fake news’, com Jean Wyllys >
DIA 17/4, sexta-feira:>
Café Literário>
14h - José e os Livros - Anabela Mota Ribeiro, com Pilar Del Rio>
16h - ‘Olodum no Central Park - Jorge Augusto (O mapa da casa)’, com João Jorge, Goli Guerreiro e Franklin Carvalho>
DIA 18/4, sábado:>
Espaço Infantil Portais da Palavra>
15h10 - Era um vez - Histórias que giram e que encantam e lançamento do livro ‘É de ler, de comer e de brincar’, de Sálua Chequer >
DIA 20/4, segunda-feira:>
Espaço Infantil Portais da Palavra>
10h30 - ‘A árvore mais sabida do mundo’, de Mira Silva, com Jell Oliveira>
Café Literário>
18h - Mesa ‘O livro como dispositivo de criação cênica (Das letras ao corpo em festa)’, com Leda Maria Martins >
DIA 21/4, terça-feira:>
Arena Farol>
13h - ‘Diálogo sobre afeto’, com Carla Akotirene, Renato Nogueira e mediação de Tia Má>
Café Literário>
16h - ‘A trama e o tempo - Os horizontes da Literatura Brasileira’, com Luciany Aparecida (Apolinária), Bianca Santana (Aziri) e Denise Carrascoza>
Espaço Infantil Portais da Palavra>
16h20 - ‘Mistério no Mar de Itapuã’, com Thiago Siqueira e as Ganhadeiras de Itapuã>