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Ana Pereira
Publicado em 19 de agosto de 2023 às 07:00
A troca da foto da atriz Léa Garcia pela de Jacyra Silva na capa da Folha de S. Paulo no dia seguinte a sua morte é bem sintomático do apagamento que os artistas negros enfrentam no Brasil. Com mais de 60 anos de atuação e uma longa carreira no teatro, no cinema e na tevê, ela não escapou das dificuldades que vem sendo historicamente apontadas, em diferentes frentes, pelos criadores negros. >
O tema é, inclusive, o ponto central do ótimo documentário A Negação do Brasil, de Joelzito Araújo, e do qual Léa é uma das entrevistadas. A produção de 2000, que integra o catálogo do Itaú Cultural Play, mostra como a presença negra era, até então, escassa e limitada a papeis menores na televisão brasileira. Através da histórias de atores e atrizes importantes, como da própria Léa, o filme escancara o racismo estrutural por trás de muitas escolhas e justificativas. >
Mas Dona Léa não era de queixas e seguia firme, trabalhando e recebendo justas homenagens, como na Bahia, no mês passado, na mostra Lugar de Mulher é no Cinema, ou no Festival de Cinema de Gramado – que termina neste sábado (19) e onde ela saiu de cena, na última terça, aos 90 anos. Também deixou trabalhos inéditos, como a série Tributos, do Globoplay, cujo episódio com a paulista foi antecipado pela plataforma. >
Conduzido pela atriz Juliana Alves, o especial reúne pessoas importantes na história de Léa, para falar de seus trabalhos mais marcantes, como as adaptações para o teatro e cinema de Orfeu do Carnaval (1959), premiado com o Oscar de melhor filme estrangeiro em 1960 e também Melhor Filme no Festival de Cannes, na França. O filme lhe rendeu uma indicação de melhor atriz no importante festival. Com bom humor, ela fala de vários temas e personagens, como a controversa Rosa, da novela Escrava Isaura (1976), seu trabalho mais conhecido na TV. >
O especial está disponível no Globoplay, assim como a novela. A plataforma também tem no catálogo outro trabalho importante da artista, a ficção Filhas do Vento (2004), de Joelzito Araújo, e que rendeu a Léa o prêmio de melhor atriz em Gramado. Ao lado de Ruth de Souza e de um elenco majoritariamente negro (Milton Gonçalves, Rocco Pitanga, Taís Araújo, Thalma de Freitas...) o filme conta os dramas de uma família do interior mineiro, marcada pelo racismo e dificuldades, mas também por um sentimento forte de acolhimento. >
Um dos últimos trabalhos de Léa foi o longa Um Dia Com Jerusa, da cineasta baiana Viviane Ferreira, que está disponível na Netflix. No filme de 2021, originado de um curta da mesma diretora,, Léa vive Jerusa, uma senhora de 77 anos, que recebe a visita de jovem pesquisadora Silvia (Débora Marçal), no dia de seu aniversário. O encontro casual se desdobra em revisões sobre o passado e reflexões sobre a vida da mulher negra em temas delicados com ancestralidade e solidão.>
Cinebiografia básica de Léa Garcia>
Orfeu Negro, de Marcel Camus (1959) - YouTube>
A Negação do Brasil, de Joelzito Araújo (2000) - Itaú Cultural Play >
Filhas do Vento , de Joelzito Araújo (2004) - Globoplay >
Um Dia com Jerusa , de Viviane Ferreira (2021) - Netflix >
DIVERSÃO NO FIM DE SEMANA>
Barbie é atração na matinê do Glauber>
A matinê deste domingo do Cine Glauber Rocha promete arrastar uma legião rosada à Praça Castro Alves. Estrelado por Margot Robbie, o filme Barbie é a atração da sessão especial, com preço a R$ 5, às 10h30, com vendas apenas na bilheteria. No domingo, é possível comprar a partir das 9h30. Dirigido por Greta Gerwig, o live-action da boneca mais famosa do mundo apresenta o dia a dia em Barbieland, onde todas as versões da Barbie vivem em completa harmonia. >
No mesmo horário, também com ingresso por R$ 5 , o Cineclube Glauber Rocha exibirá Césio 137 - O pesadelo de Goiânia, do pioneiro do cinema baiano Roberto Pires. Ao final da exibição, haverá debate com o cineasta Petrus Pires, filho de Roberto e responsável pela sua obra.>
Samba na Federação >
O projeto Vai Chegar, no Engenho Velho da Federação, realiza nova rodada do seu Domingo Artístico. Desta vez, o encontro será movido à samba, com o cantor, compositor e pesquisador Mendes, apoiador do projeto. A partir das 10h, as crianças e jovens do bairro serão convidados a participar da Oficina Samba e Culturas, com Roberto, Tedy Santana, presidente do projeto social, e com o músico Jonas Sacramento, morador do bairro. Roberto também se apresenta, acompanhado por seu filho João Mendes no violão, Gustavo Caribé no baixo e Tedy na bateria. Gratuito. >
Casa Rosa faz 3 anos>
A Casa Rosa celebra neste dia 20 seu aniversário de três anos e comemora com o coletivo Outras Vozes, que se apresenta às 19h. Ana Barroso, Angela Velloso, Daniel Farias, Dorea, Fatel, Guigga, Lígia Rizério, Nalessa Paraizo, Luíza Britto e Théo Charles voltam pelo terceiro mês consecutivo ao palco, para ecoar suas músicas e poesias. Ingressos: R$ 60| R$ 30 | R$ 40 (ingresso solidário, com doação de 1kg de alimento não perecível), à venda no Sympla. >
Mostra Interior em Cena >
Quatro espetáculos serão encenados neste fim de semana na programação da Mostra Interior em Cena, novidade deste ano do Prêmio Braskem de Teatro. No sábado, A Saga de João Caixote será apresentada no Goethe Institut, na Vitória, às 11h e 16h. Sábado e domingo será a vez de A Menina das Pedras, com sessões às 18h, na Varanda do Sesi Casa Branca, e de O Velho Lobo do Mar, às 19h, no Centro Cultural Sesi Casa Branca, ambos no Caminho de Areia. Fechando o fim de semana, no Goethe Institut, a peça E Se... no domingo , às 16h e 19h. Ingressos: R$ 20| R$ 10.>
O amor como inspiração>
Em turnê nacional, o grupo mineiro Girarte chega a Salvador para única apresentação, neste sábado, às 19h, no Teatro Vila Velha, no Campo Grande. A companhia traz o espetáculo Entre Passos de Amar, que fala sobre as várias formas de amar. Com 60 minutos, a coreografia convida o expectador a pensar sobre suas relações. “Trabalhamos com os sentimentos pessoais dos bailarinos, traduzindo em movimentos diferentes percepções do amor e do amar, desta forma agregamos preciosidades à construção cênica que transcendem questões técnicas e estéticas, foi a maneira que encontramos para conseguirmos alcançar reflexões sobre a presença e ausência do amor na humanidade”, afirma o diretor Marcus Diego. Ingressos: R$ 20 | R$ 10, à venda no Sympla e na bilheteria.>