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Da Redação
Publicado em 6 de julho de 2017 às 06:10
- Atualizado há 3 anos
Selton Mello interpreta um fotógrafo que vai fazer uma experiência num deserto frio (foto: divulgação)>
Soundtrack é um filme brasileiro, falado em inglês, passado num deserto gélido (embora filmado no Rio) e que reúne em cena um ator sueco, um inglês, um dinamarquês e dois brasileiros - sendo que um deles é mais conhecido por seu trabalho como cantor. Para completar a receita inusitada, o filme é dirigido pela dupla de publicitários Bernardo Dutra e Manitou Felipe, estreante no cinema, que prefere ser identificada com o nome de 300 ml. Com todos esses ingredientes, o filme poderia resultar num caótico show de maneirismos e excessos, mas está bem longe disso: tem um roteiro coeso, é tecnicamente impecável e tem um elenco muito sintonizado - o que é essencial, já que é um filme sustentado principalmente pelos ótimos diálogos.No filme, Selton Mello (novamente em boa atuação) é Cris, um fotógrafo brasileiro que vai para a região polar realizar um experimento artístico: tirar fotos de si mesmo ao som de uma trilha instrumental. Seu plano é, em breve, expor as imagens em um museu, ao som daquelas mesmas músicas que ele escutava enquanto as registrava.Ao chegar à base onde vai se hospedar durante o período da experiência, Cris se depara com uma realidade conflituosa: os outros quatro moradores do local são cientistas com uma perspectiva de vida diferente da que tem um artista como ele. “É um artista e por isso me identifico de imediato com ele. Entendo o que ele é, o que ele sonha e isso me comove porque sei quem é esse cara”, diz Selton, em entrevista ao CORREIO, que acompanhou a pré-estreia do filme em São Paulo.Inicialmente rejeitado pelos colegas que estão na base - com exceção do também brasileiro Cao, interpretado por Seu Jorge -, Cris, aos poucos, vai ganhando a simpatia e a amizade deles. Aproxima-se, principalmente, do inglês Mark (o ótimo Ralph Ineson, o Dagmer Cleftjaw de Game of Thrones), que não pôde acompanhar a mulher grávida porque tinha que ser uma espécie de tutor de Cris, o que o deixa inicialmente com ódio do fotógrafo brasileiro.O roteiro desenvolve muito bem o choque entre os protagonistas e a tensão entre eles às vezes lembra o clima da casa do Big Brother. Mas a força de Soundtrack está também nos aspectos técnicos. Apesar de todo filmado em estúdio, no Rio, a veracidade do cenário impressiona. Foram importadas três toneladas de neve e o resultado é bem convincente. Para completar, a trilha é um rico personagem à parte.Soundtrack vai fundo em temas “sérios”, como amizade, solidão, crise existencial e crise profissional. Mas consegue também, em muitos momentos, construir diálogos leves, divertidos até. A habilidade dos 300 ml também como roteiristas pode ser vista na construção dos diálogos no ótimo curta-metragem Tarantino’s Mind, disponível no YouTube. Nele, Selton Mello e Seu Jorge têm uma conversa sobre como os roteiros dos filmes de Quentin Tarantino estão ligados um ao outro. O repórter viajou a São paulo a convite da Imagem Filmes>