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Roberto Midlej
Publicado em 9 de setembro de 2023 às 05:00
O assassinato da socialite Ângela Diniz em 1976 tornou-se um dos mais emblemáticos casos da luta feminista no país. Até ali, seguramente, nenhum outro caso de feminicídio havia tido, na história do Brasil, tanta repercussão. >
Ângela Diniz foi assassinada por Raul Fernando do Amaral Street, o Doca Street, que, graças a um inacreditável argumento de "legítima defesa da honra", foi inicialmente condenado a apenas dois anos de cadeia. O criminoso dizia ter matado por amor e foi daí surgiu o grito Quem Ama Não Mata, repetido em manifestações. >
Agora, chega aos cinemas o filme Angela, ficção baseada na vida da socialite. O filme de Hugo Prata - que dirigiu Elis, sobre Elis Regina, e a série As Aventuras de José & Durval, sobre Chitãzinho e Xororó - começa na noite em que Ângela e Raul se conheceram. No filme, Isis Valverde dá vida à socialite e Gabriel Braga Nunes vive Doca Street.>
Tomados por uma paixão repentina, Ângela e Raul decidem viver juntos numa casa em Búzios, no litoral do Rio de Janeiro. "Hugo queria mostrar como deve ter sido a vivência de Ângela ao lado de Raul, especialmente na casa de praia. Eu vi a oportunidade de mostrar como uma história de amor pode virar uma história terrível", diz a roteirista Duda de Almeida, que repete com o diretor a parceria da série sobre Chitãozinho e Xororó.>
Isis, que repete a boa atuação a que já nos acostumamos a ver em outros trabalhos dela, sabe da importância de interpretar este papel icônico: "O papel da arte é fazer refletir e ajudar nas transformações sociais que precisamos testemunhar. Meu desejo é que o filme seja um vetor de mudança, que ele propicie debates sobre a violência contra a mulher".>
Mas, enquanto Isis exala seu carisma por todos os cantos da tela e nos faz entender muito bem por que Ângela era uma mulher tão sensual, Gabriel Braga Nunes cai nos erros de sempre, confirmando ser até meio canastrão. E o problema não é que seu personagem não seja carismático: trata-se mesmo de uma limitação do ator. Até porque o Doca real devia ter algum carisma, para atrair uma mulher como Ângela, que podia ser dar ao luxo de escolher o homem com quem iria se relacionar.>
Uma cena do filme resume bem o que é a cultura machista e por que o Brasil tem índices de feminicídio tão altos, com uma média de 11 por dia no ano passado. Numa discussão, Ângela diz a Doca: "Se eu precisasse de dinheiro, eu não tava com você". Ele dá um tapa nela e diz: "Olha o que você me fez fazer!". Ou seja, a culpa, claro, é sempre da mulher.>
De positivo, o filme tem, além de Isis, a ótima ambientação dos anos 1970, nas festas glamourosas da alta sociedade carioca embaladas pela disco music. Angela é também um drama essencial para entender até onde pode chegar um relacionamento tóxico e despertar definitivamente na sociedade brasileira a urgência de um debate sobre isso.>
Em cartaz no Saladearte do Paseo, do Museu e do MAM e no Glauber Rocha.>
Por que a vinheta do plantão da Globo assusta tanto?>
Quer saber como as vinhetas da Globo, principalmente a do Supercine, manipulam suas emoções? A resposta está no ótimo canal do YouTube Aprofundo, do jornalista Lucas Reichert, que, a partir de temas extremamente originais, desenvolve uma pesquisa realmente "aprofundada", fazendo jus ao nome do canal. Neste vídeo citado, por exemplo, em vinte minutos, Lucas analisa a trilha sonora e a edição de diversas vinhetas da Globo e explica, com demonstrações práticas e um pouco de teoria musical - ele é também músico amador -, como a emissora nos deixa tão assustados quando ouvimos a tão característica chamada do Plantão de notícias da emissora. >
Em outra, ele ressuscita o esquecido filme baseado na série A Grande Família e explica por que hoje ninguém se lembra daquele produto. Para isso, ele faz uma análise sobre o sucesso da série - explicando até a importância de seu cenário kitsch - e a compara com o longa-metragem. Mas, para se "aprofundar", Lucas, ao contrário da maioria dou youtubers, concentra-se na qualidade da pesquisa e na quantidade de produção de vídeos. Tanto que, em três meses, tem somente sete vídeos publicados. É a prova daquele clássico dito: qualidade é mais importante que quantidade.>
Show e feirinha na Ponta do Humaitá>
A banda Jammil anima a tarde deste domingo (10), a partir das 16h, na Ponta do Humaitá. Além do show, o local vai receber, no sábado e no domingo, a Feira de Talentos e Artesãos da Bahia, que tem foco em aumentar a renda familiar de pequenos artesãos. A entrada, tanto para o show como para a feira, é gratuita.>
Cássia Valle derruba estereótipos sobre mulher negra>
O sagrado feminino negro e a visão da mulher preta como uma fortaleza que suporta tudo são os temas que norteiam o espetáculo Memórias Povoadas, neste sábado (9) e domingo (10), na Sala do Coro do TCA, às 20h. A peça é dirigida por Cássia Valle, com co-direção e direção musical de Cell Dantas, e questiona a visão estereotipada de força das mulheres pretas. Os ingressos custam R$ 30 | R$ 15.>