Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Doris Miranda
Publicado em 10 de abril de 2026 às 06:00
Segredos inconfessos, triângulos amorosos e paixões inflamadas que se cruzam com o melodrama de acontecimentos do Brasil: após sete anos de sua estreia, o espetáculo Vermelho Melodrama volta para sua segunda temporada. O espetáculo mergulha no gênero do melodrama com gosto e, a partir de suas típicas construções, aciona questionamentos sobre as ficções de nossa realidade. >
Baseada em texto do dramaturgo Gildon Oliveira, com encenação e adaptação de Jorge Alencar, a peça agora reúne Diogo Lopes Filho, Lia Lordelo, Neto Machado, Véu Pessoa e Vinicius Bustani em seu elenco. Serão 15 apresentações em cinco semanas, de 10 de abril a 10 de maio, no Teatro Gregório de Mattos, de sexta a domingo. Além de ocupar um espaço com acessibilidade arquitetônica, serão oferecidas audiodescrição e tradução em Libras em cinco datas: 12, 17 e 26 de abril e 1º e 10 de maio.>
Peça Vermelho Melodrama
O texto original, Vermelho Rubro Amoroso… Profundo, Insistente e Definitivo!”, é como uma ode ao melodrama por detalhar meticulosamente a sua arquitetura. Gênero dramático que se firmou no teatro francês no final do século XVIII, caracterizado principalmente pelo acesso direto à sentimentalidade do espectador, o melodrama, desde seu nascedouro, teve grande apelo popular ao mesclar dramaturgia, música, pantomima, narrativas corporais, vaudeville e comédia ligeira. Largamente presente na cultura brasileira, sobretudo pelas telenovelas, o melodrama é evidenciado na peça como fenômeno atual que atravessa, de diversas formas, as nossas subjetividades: afetos, valores, pensamentos, singularidades.>
Vermelho Melodrama coloca a dramaturgia do baiano Gildon em diálogo com uma série de outros autores, como Clarice Lispector, Angela Davis, Linn da Quebrada e Georges Didi-Huberman, levantando assuntos como a emoção na contemporaneidade e o direito ao afeto. >
“Remontar um melodrama hoje vai muito além de dar corpo a uma narrativa rocambolesca com suas guinadas e personagens arquetípicos. Há quem fale que o melodrama morreu. Há quem jure que suas mutações seguem infiltradas em todo tipo de plataforma contemporânea. Há quem reivindique que as tramas políticas de nosso país superam qualquer ficção”, contextualiza o diretor Jorge Alencar. “Como e a quem é dado o direito de melodramar por amor? Quais são as performances de gênero aí reiteradas ou rejeitadas? Qual medida tomar para falar de sentimentos desmedidos? Quais aberturas textuais permitem a existência de outras vozes?”, completa.>
Crime do ketchup>
Premiado como Melhor Espetáculo do Prêmio Braskem de Teatro 2019, no qual recebeu cinco indicações e também levou o troféu de Categoria Especial pelo figurino e adereços de Luiz Santana, Vermelho Melodrama derruba máscaras com seus personagens arquetípicos, grandes revelações e reviravoltas.>
A história central, inspirada no famoso “crime do ketchup”, ocorrido no interior da Bahia em 2011, gira em torno dos órfãos Lúcio Mauro, Carlos Manuel e Lurdes Maria, que foram criados como irmãos. O motor dramatúrgico é uma carta que não foi entregue ao seu destinatário, guardando uma revelação que pode mudar o destino de todos. Numa dinâmica entre real e simulacro, as emoções são amplificadas e colocam sentimentos à frente de um pensamento exclusivamente racionalista.>
A peça tem assistência de direção de Larissa Lacerda e Marina Martinelli, colaboração artística de Ellen Mello e Jacyan Castilho e direção de arte da Tanto Cria, de Patricia Almeida, Fábio Steque e Daniel Sabóia. A trilha sonora e direção musical são do compositor Luciano Salvador Bahia. Quem assina as canções é o músico e cantor Leo Fressato, autor da música Oração, tocada pel’A Banda Mais Bonita da Cidade. A realização é da Dimenti Produções Culturais, o projeto Vermelho Melodrama: O Retorno (Ainda Mais Intenso e Visceral).>
SERVIÇO - Espetáculo Vermelho Melodrama | de 10 de abril a 10 de maio, sextas e sábados (19h) e domingos (18h), no Teatro Gregório de Mattos, na Praça Castro Alves | Ingressos: R$ 50 e R$ 25, à venda no Sympla.>