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Gabriela Cruz
Publicado em 10 de junho de 2026 às 10:22
O DFB Festival 2026 abriu oficialmente sua programação nesta terça-feira (9), transformando o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura em um grande encontro entre moda, música, economia criativa e formação de novos talentos. Integrado às comemorações pelos 300 anos de Fortaleza, o evento iniciou uma maratona de quatro dias que reúne alguns dos principais nomes da moda autoral brasileira e projeta a capital cearense como um dos principais polos criativos do país.>
A cerimônia de abertura reuniu autoridades, representantes do setor cultural e parceiros institucionais do festival. Estiveram presentes a vice-prefeita de Fortaleza, Gabriela Aguiar; o secretário do Turismo do Ceará, Gustavo Montenegro; a secretária da Cultura do Ceará, Gecíola Fonseca; a secretária do Turismo de Fortaleza, Denise Carrá; a coordenadora de Comunicação da Enel Ceará, Patrícia Varela; e a superintendente do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Camila Rodrigues.>
DFB 2026
Mais do que apresentar coleções, o DFB volta a defender uma bandeira que acompanha sua trajetória desde a criação: a valorização da moda autoral como ferramenta de inovação e renovação da indústria brasileira. “É para isso que existe e resiste o DFB Festival. Para a gente continuar gritando com respeito e lutando em nome da moda autoral, porque é dela que a indústria se renova, é a partir dela que o mercado se oxigena. É por causa dela que o Brasil tem sempre novos motivos de se orgulhar”, afirmou o diretor do festival, Cláudio Silveira, durante a abertura.>
A fala resume o espírito de uma edição que amplia sua presença pela Praia de Iracema e leva os desfiles para além dos espaços tradicionais. Pela primeira vez, o festival ocupa simultaneamente diferentes pontos do bairro, incluindo a Rua dos Tabajaras, o Estoril, a Ponte dos Ingleses e o próprio Centro Dragão do Mar, criando uma conexão direta entre moda, patrimônio urbano, memória e comportamento.>
A programação de estreia começou com o tradicional Concurso dos Novos, uma das iniciativas mais longevas do DFB. A primeira etapa reuniu estudantes do Ateneu, Universidade de Caxias do Sul (UCS), Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) e Universidade Federal do Cariri (UFCA), reafirmando o compromisso do festival com a formação e a descoberta de novos criadores.>
Na sequência, o público acompanhou os desfiles do projeto 100% CeArt e das marcas Almir França, Casa Aika, Mancuda e David Lee.>
Entre os destaques da noite esteve a estreia da Casa Aika no line-up do DFB. A marca apresentou a coleção "Bença", construída como uma homenagem ao feminino e marcada pelo uso de modelagens fluidas, transparências, linho e técnicas artesanais desenvolvidas por artesãs cearenses.>
O projeto 100% CeArt levou à passarela a coleção "Do Sagrado ao Encanto", inspirada nas manifestações da fé popular e nas tradições culturais do Ceará. As peças foram produzidas por artesãos de 18 municípios do estado, reforçando a conexão entre moda e patrimônio cultural.>
A Mancuda apresentou "FavelaWear", coleção que propõe uma reflexão sobre a estética produzida nas periferias de Fortaleza. Com volumes ampliados, texturas marcantes e referências ao cotidiano das comunidades, a marca levou para a passarela uma leitura contemporânea da identidade urbana cearense.>
Encerrando os desfiles da noite, David Lee apresentou "Ofertório", coleção que revisita símbolos do sertão nordestino por meio de bordados, crochês, trabalhos em couro e elementos inspirados em festejos populares da região.>
A partir desta quarta-feira (10), a Bahia passa a ter presença expressiva na programação do festival. Criadores do estado participam de diferentes momentos do line-up levando para Fortaleza coleções que traduzem a riqueza do artesanato, dos saberes tradicionais e da moda autoral produzida no Nordeste.>
Parte dessa representação acontece por meio do Mãos da Moda, iniciativa da Nordestesse em parceria com o Riachuelo Lab. Idealizada pela jornalista baiana Daniela Falcão, a Nordestesse se consolidou como uma das principais plataformas de valorização da produção criativa nordestina, conectando moda, artesanato, design e economia criativa.>
Apresentado pela primeira vez em maio, durante o festival realizado no Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC_Bahia), em Salvador, o Mãos da Moda chega agora ao DFB reunindo oito marcas autorais. Desse grupo, seis são baianas: Adriana Meira, Luci Bortowski (paulistana radicada na Chapada Diamantina), Dua (criada em 2018 por Camila Oliveira ao lado de sua mãe, Nádia), Teroy13 (fundada em 2019 pelos soteropolitanos Alexsandro Rodrigues e Albert Lefundes), Areia, do designer de moda Adailton Junior, e Inttuí, assinada pelo estilista baiano Washington Carvalho). Completam o coletivo a Carnavália, da paraibana Duda Carvalho, e a Morada, marca da designer Luciana Azevedo, brasiliense radicada em João Pessoa.>
O projeto funciona como uma vitrine para o encontro entre criação contemporânea e técnicas artesanais transmitidas entre gerações. As coleções nasceram da colaboração entre estilistas e comunidades de artesãs de diferentes territórios nordestinos, transformando saberes tradicionais em peças que dialogam com o presente sem perder suas raízes.>
No DFB, Adriana Meira apresenta a coleção Rio que Conta, inspirada no trabalho de artesãs dos quilombos da Barra, Riacho das Pedras e Bananal, em Rio de Contas, na Chapada Diamantina. A Areia leva à passarela Mimosa 2: Açucarados, desenvolvida em parceria com a Associação das Mulheres Artesãs Padre André (AMAPA), de Correntina, enquanto a Inttuí apresenta Pele de Céu, criada com a Associação de Rendeiras de Dias d'Ávila (Rendavan), tendo a renda de bilro como elemento central da coleção. >
Já Luci Bortowski apresenta a coleção Memórias para o Futuro, desenvolvida a partir do trabalho das rendeiras de Saubara; a Dua, com a coleção Benditas, construída em diálogo com artesãs de Barroquinha e do Santo Antônio Além do Carmo; e a Teroy13, que leva ao DFB uma criação desenvolvida em parceria com artesãs de Guanambi. Juntas, as coleções revelam diferentes técnicas, saberes e narrativas presentes em diversas regiões da Bahia, reforçando o protagonismo do estado dentro do Mãos da Moda.>
Entre os representantes baianos, três nomes têm uma conexão especial com o público do CORREIO. Adriana Meira, Areia e Inttuí também fazem parte da trajetória do Afro Fashion Day, projeto realizado pelo jornal e reconhecido nacionalmente pela valorização da moda afro-brasileira e da criatividade negra.>
A presença baiana no DFB não se limita ao Mãos da Moda. A programação da Nordestesse também abre espaço para a Almacor, marca de DNA baiano e mineiro que desenvolve um trabalho singular ao transformar em estampas obras produzidas por cinco jovens neurodivergentes, com idades entre 12 e 25 anos.>
As telas criadas pelos artistas são adaptadas para o universo têxtil e aplicadas às peças da coleção, criando uma proposta que conecta moda, arte e inclusão social.>
Para sua estreia no DFB, marcada para sexta-feira (12), a Almacor apresenta trabalhos inspirados em jardins floridos e diferentes linguagens artísticas. Algumas estampas dialogam com uma estética mais pop, enquanto outras se aproximam do impressionismo, traduzindo para a moda a sensibilidade e a criatividade dos jovens artistas envolvidos no projeto.>
Quem quiser acompanhar a participação baiana no DFB Festival encontrará representantes do estado distribuídos ao longo dos três últimos dias de programação.>
Nesta quarta-feira (10), o projeto Mãos da Moda leva à passarela as coleções de Adriana Meira, Luci Bortowski e Dua. Na quinta-feira (11), será a vez de Teroy13 e Areia dividirem a apresentação com a paraibana Carnavália. Já na sexta-feira (12), Inttuí sobe à passarela ao lado da Morada. Também na sexta-feira, a Almacor integra a programação apresentada pela Nordestesse.>
Além dos criadores ligados ao universo nordestino, a agenda reúne alguns dos nomes mais importantes da moda autoral brasileira, entre eles Lino Villaventura, George Azevedo, J. Cabral, Melk Zda, Gabriela Fiuza e Silvânia de Deus.>
Além das passarelas, a Arena DFB, instalada na Praça Verde do Dragão do Mar, recebe uma programação musical gratuita. Na noite de abertura, a cantora Alice Caymmi apresentou repertório que mistura MPB, pop e experimentação contemporânea, enquanto Ana Cañas emocionou a plateia com o espetáculo "Ana Cañas Canta Rita Lee", dedicado à obra da artista que marcou gerações da música brasileira. >
Além dos desfiles e shows, o evento segue até sexta-feira com ocupação urbana e ações voltadas à economia criativa.>
A jornalista viajou à Fortaleza a convite da organização do evento.>