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Roberto Midlej
Publicado em 15 de agosto de 2023 às 06:00
Dona Maria Costa, modelista e costureira de 79 anos de idade, já dançou muito forró ao som de Luiz Gonzaga (1912-1989). Natural de Nova Soure, no interior do estado, ela vive em Salvador há 40 anos e na capital foi a algumas apresentações do Velho Lua. "Vi Seu Luiz no Carnaval, no trio de Dodô e Osmar. E também no circo Troca de Segredos e no Parque de Exposições. Comecei ouvindo no rádio, em emissoras onde ele trabalhou como a Mayrink Veiga e a Nacional", lembra. >
O sonho de Dona Maria é em breve visitar o Museu de Gonzagão, em Exu (PE), terra natal do Rei do Baião. Mas, enquanto não vai, ela aproveita a exposição Luiz Gonzaga 110 anos do Nascimento, que está no Salvador Shopping, com entrada gratuita. "Já vi tudo, fotografei e vou fazer um álbum!", comemorava Dona Maria.>
Explica-se a euforia da fã de Luiz Gonzaga: a mostra tem itens realmente valiosos, originais, como o documento de um carro de que ele foi proprietário, um Furglaine, da Ford. Há, claro, uma sanfona usada por ele e diversas roupas de couro, incluindo, neste caso, algumas réplicas. Há também o manuscrito de uma entrevista que o compositor concedeu a uma revista de Luxemburgo, respondida a próprio punho por Luiz Gonzaga.>
E tem mais: dezenas discos de vinil originais da carreira, lançados de 1958 a 1989, incluindo alguns autografados; um disco de 78 RPM do ano de 1947, contendo o clássico Asa Branca; e dez exemplares de revistas dos anos 50 com textos sobre o artista. Há ainda álbuns de fotografia do acervo da família de Luiz Gonzaga.>
Fã e curador>
Por trás da exposição, está Paulo Vanderley, administrador de formação, fã do compositor pernambucano e pesquisador da obra dele. O paraibano de 43 anos começou a se interessar por Luiz Gonzaga ainda na primeira infância: "Sou filho de um funcionário do Banco do Brasil, que sempre se mudava de cidade. Um dia, acabamos indo morar em Exu e meu pai era gerente da agência que tinha Luiz Gonzaga como o mais ilustre cliente", lembra-se Paulo. Provavelmente, isso permitiu que a exposição incluísse um cartão bancário original usado pelo músico.>
Então, foi ainda na infância que Paulo se aproximou do compositor, antes mesmo de completar dez anos de idade, como mostra uma das fotos na exposição em que o curador aparece ao lado do músico, aos nove anos de idade. Outro item da exposição que vincula Paulo a Luiz Gonzaga é uma câmera de vídeo que o menino, aos nove anos de idade, usou para filmar o enterro do músico.>
A exposição marca também o lançamento em Salvador do livro Luiz Gonzaga 110 Anos do Nascimento. Em papel de alta qualidade, a publicação inclui entrevistas transcritas que o compositor concedeu a diversos pesquisadores, como Dominique Dreyfus, autora do livro Vida do Viajante: A Saga de Luiz Gonzaga. O material foi cedido pela pesquisadora a Vanderley e jamais havia sido publicado. Tem ainda reproduções de revistas e jornais, além de centenas de fotos do músico em flagrantes pessoais e artísticos.>
Mas, para quem é fã "hardcore" de Luiz Gonzaga como Dona Maria, o box incluindo o livro é uma tentação: ali, há reproduções fidelíssimas de itens pessoas de Luiz Gonzaga, como o citado cartão bancário e o documento do carro, além de ingressos para shows que o artista realizou e até a reprodução de um contrato de trabalho como "acordionista", com direto a anotações de férias e atualizações salariais.>
Serviço>
Exposição Luiz Gonzaga 110 anos Do Nascimento>
Local: Salvador Shopping>
Entrada: Grátis>
Livro: R$ 200 | 488 páginas>
Livro na caixa, com itens de colecionador: R$ 320>