Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

Peça no Martim Gonçalves festeja 70 da Escola de Teatro e 80 da Ufba

Espetáculo dirigido por George Mascarenhas estreia nesta quinta (30) e segue até 31 de maio

  • Foto do(a) author(a) Doris Miranda
  • Doris Miranda

Publicado em 28 de abril de 2026 às 06:00

Espetáculo A Hora em Que Não Sabíamos Nada da Gente
Espetáculo A Hora em Que Não Sabíamos Nada da Gente Crédito: divulgação

A Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia (Ufba) estreia nesta quinta (30) o espetáculo A Hora em Que Não Sabíamos Nada da Gente, dirigido por George Mascarenhas, em montagem inédita em Salvador. A temporada segue até 31 de maio, no Teatro Martim Gonçalves, Canela, para marcar a dupla comemoração dos 80 anos da Ufba e dos 70 anos da Escola de Teatro.

Inspirada na obra do dramaturgo austríaco Peter Handke, vencedor do Nobel de Literatura (2019), a encenação propõe uma experiência cênica sem falas, sem narrativa linear e sem personagens fixos. Em cena, uma praça se transforma em espaço de atravessamentos, onde figuras surgem, desaparecem e deixam rastros de histórias fragmentadas.

A dramaturgia se constrói a partir de micronarrativas visuais e corporais, em que o sentido não é dado previamente, mas construído pelo espectador a partir das imagens, gestos e relações que se estabelecem ao longo da encenação. “É uma peça em que a história não está pronta. O que existe são passagens, imagens e presenças que convidam o público a construir seus próprios sentidos. Cada pessoa assiste a um espetáculo diferente”, afirma o diretor George Mascarenhas.

Na leitura proposta por Mascarenhas, a trama imaginada por Handke ganha contornos contemporâneos e incorpora referências da Bahia e de Salvador, aproximando a obra de um repertório sensível local. A cidade entra na cena como pulsação, ritmo e presença, conectando o texto europeu a uma experiência brasileira.

Caráter pedagógico

A encenação da Companhia de Teatro da Ufba e artistas convidados se ancora na mímica corporal dramática, linguagem que coloca o corpo como eixo central da construção cênica. A partir dessa abordagem, o espetáculo aposta na potência do gesto, da fisicalidade e da composição visual como elementos estruturantes da narrativa.

Com cerca de 20 atores em cena, entre estudantes de graduação e pós-graduação, professores, artistas convidados e integrantes da comunidade externa, o projeto assume também um caráter pedagógico, articulando ensino, pesquisa e criação artística.

Para a diretora assistente Deborah Moreira, que é preparadora de elenco, a peça amplia o entendimento do que é narrativa no teatro contemporâneo. “A gente trabalha com a ideia de presença e escuta do corpo. Não existe uma história única, mas múltiplas possibilidades acontecendo ao mesmo tempo. O público é convidado a perceber, associar e construir sentido a partir dessas camadas”, explica.

A montagem dialoga com o tempo presente, marcado pelo excesso de informação e pela fragmentação das relações, propondo uma experiência de contemplação e reconstrução do olhar. “A praça é um espaço de encontro, de fluxo e de observação da vida. Ao trazer esse ambiente para a cena, a gente cria uma espécie de espelho do humano, com suas contradições, ritmos e encontros”, complementa Mascarenhas.

Nesta montagem, o texto de Handke ganha uma abordagem autoral que valoriza o corpo como linguagem e propõe uma experiência estética que transita entre o poético, o cotidiano, o absurdo e o sensível. Além da encenação, o projeto resulta de um processo formativo que resultou de workshops e laboratórios de criação, reafirmando o papel da universidade pública como espaço de produção de conhecimento, experimentação e formação de artistas.

Diretor teatral, ator e professor da Escola de Teatro, George Mascarenhas desenvolve, desde o final dos anos 1990, um trabalho contínuo de pesquisa, ensino e criação em mímica corporal dramática. Doutor e mestre em Artes Cênicas pela Ufba, ele possui formação internacional pela Université Sorbonne Nouvelle – Paris III e pela École de Mime Corporel Dramatique, em Londres.

Atriz, diretora, mímica, dramaturga e preparadora de elenco, Deborah Moreira atua na interseção entre criação cênica e formação de atores, com pesquisa voltada para o trabalho corporal e a construção de presença em cena. Doutoranda e Mestre em Artes Cênicas pela Ufba, é formada em Mímica Corporal Dramática com o aval da International Mime School of London.

SERVIÇO - Espetáculo A Hora em Que Não Sabíamos Nada da Gente | de 30/4 até 31/5, de quinta a sábado, às 20h, e domingo, 19h, no Teatro Martim Gonçalves da Escola de Teatro da Ufba, no Canela | Entrada gratuita

Tags:

Teatro