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Poeta baiano Nílson Galvão lança coletânea O Inquilino das Horas

Novo livro de poemas reflete o íntimo, o concreto e o imaginário das vivências do dia a dia

  • Foto do(a) author(a) Luiza Gonçalves
  • Luiza Gonçalves

Publicado em 3 de junho de 2024 às 09:32

Poeta baiano Nílson Galvão lança coletânea O Inquilino das Horas
Poeta baiano Nílson Galvão lança coletânea O Inquilino das Horas Crédito: Divulgação

Um espelho do dia a dia na poesia. Seja no íntimo das ações cotidianas ou na expansão das reflexões sobre o tempo, o ordinário e o extraordinário, o contemporâneo em suas superficialidades e possibilidades. Em O Inquilino das Horas, lançamento do poeta e jornalista baiano Nílson Galvão, os poemas conduzem a uma narrativa que trilha a passagem dos dias em seus dramas, amores e fabulações marcados por ritmo e liberdade de escrita que envolvem a cada estrofe.

O livro faz parte de uma nova série da editora Villa Olívia, dedicada exclusivamente à poesia de autores brasileiros contemporâneos. O primeiro título foi Borrasca, de Rita Santana, lançado em março deste ano. O Inquilino das Horas vai ser lançado neste sábado, 8, às 15h, na Cervejaria ArtMalte, Rua Feira de Santana, Rio Vermelho, com a presença do autor.

“São poemas que eu vinha escrevendo nos últimos dois, três anos e apesar de não haver, inicialmente, um projeto de reuni-los em um livro, eles têm uma unidade temática por espelharem uma fase vivida nesse período e essa relação com tempo. Ele se difere de alguns livros anteriores meus, que são mais discursivos, por exemplo, tendo um tom mais bucólico. Tenho uma expectativa boa, acredito que é um livro mais redondo, coeso e com uma fase bem demarcada. Espero que as pessoas gostem”, diz Nilson Galvão.

Mais intimista

Em seus 73 poemas, o livro passeia por imagens de casa: o canto da sala; a chuva que escorre na janela; os diferentes céus azuis, cinzas, estrelados; o relógio, as frutas na cozinha. “É um texto, a meu ver, um pouco mais pictórico, nesse conjunto e construção de cenas”, explica o escritor. “Uma obra mais intimista, se comparada a trabalhos anteriores como o Espiritismo Segundo o Google Street View (2017) e #nibrotas (2020)”, acrescenta Nilson.

O autor confirma que Paulo Leminski (1944-1989) é um referência para esses textos mais recentes: “Com certeza, porque tem exatamente essa tentativa de falar as coisas de uma forma mais coloquial, mais prosaica”, diz Nílson. Humor, ironia e metáforas, que equilibram a densidades dos tópicos com a leveza na escrita. Como no poema Instagramável: “não há um só coração instagramável / diz o anjo caído no sereno”. Autor de outros cinco títulos, O Inquilino dos Sonhos brinca e reflete a poesia de uma forma mais “orgânica”, acredita Nilson.

A forma e o ritmo da escrita também chamam atenção na obra. Poemas curtos, repetições, jogos de palavras opostas, quebras inesperadas e aliterações que se propagam nas interpretações. “A ideia da poesia é que a experiência que a gente coloca ali possa ser traduzida pelas pessoas com suas próprias vivências. Na escrita, eu gosto de tentar trabalhar com o ritmo, aquela ideia de você ter de um lado a melodia do poema e no outro as imagens, mas também gosto de quebrá-lo. Quebrar a maneira como se percebem as coisas, mudar os ângulos e ir para outras dimensões do tempo, para provocar o leitor”, sintetiza o escritor.

SERVIÇO: Lançamento do livro O Inquilino das Horas. Sábado, 8, 15h. Cervejaria ArtMalte (Rua Feira de Santana, Rio Vermelho). Valor do livro: R$ 45

*com orientação da editora Dóris Miranda