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Sem perigos e batalhas: conheça 10 livros de cozy fantasy, o gênero literário que virou febre

Entenda por que a fantasia aconchegante tem atraído atenção de leitores e do mercado editorial

  • Foto do(a) author(a) Thais Borges
  • Thais Borges

Publicado em 27 de maio de 2026 às 06:00

Fantasia aconchegante? Entenda que gênero é esse e conheça 10 livros de cozy fantasy
Fantasia aconchegante? Entenda que gênero é esse e conheça 10 livros de cozy fantasy Crédito: Freepik

Uma das principais tendências literárias dos últimos tempos é a mescla de diferentes gêneros em uma mesma obra. Foi assim que, em meio ao cenário aquecido tanto para a fantasia quanto para a ficção de cura (que traz narrativas reflexivas e acolhedoras), cresceu o movimento da ‘cozy fantasy’ - ou seja, um subgênero da fantasia que foca em cenários de conforto e dinâmicas entre amigos.

Ou seja, ainda que exista construção de mundo, sistema de magia e seres fantásticos (tais como ogros, feéricos e por aí vai), o foco não são guerras épicas. Sem grandes perigos para os protagonistas e destaque para tramas cotidianas, o final feliz é uma certeza na maior parte das vezes.

À espera de um feitiço, de Amy Coombe (Intrínseca). Nesta fantasia aconchegante ambientada em uma livraria de uma cidadezinha, uma princesa amaldiçoada precisa descobrir o verdadeiro desejo de seu coração para se libertar.  por Reprodução

“Embora mantenha características da fantasia clássica e da ficção de cura, o subgênero se diferencia desses estilos ao ‘limitar’ o épico à ambientação, enquanto os dilemas comuns dos personagens, como relacionamentos e trabalho, costumam estar no centro das narrativas. Você não vai encontrar grandes batalhas como as dos livros de fantasia, mas sim os personagens que muitas vezes permeiam essas narrativas”, explica a editora de aquisições da editora Intrínseca, Marina Ginefra.

Foi a Intrínseca que trouxe para o Brasil, em 2024, aquele que talvez seja um dos títulos mais conhecidos do gênero - Cafés & Lendas, de Travis Baldree. Hit no TikTok, a obra é apresentada como uma “alta fantasia de baixíssimo perigo em que uma orc decide mudar de vida e encontra, pelo caminho, uma verdadeira família e um novo amor”. Orc é criatura mágica tal qual uma fada ou um ogro e ganhou popularidade ao aparecer em obras como as de J. R. R. Tolkien.

“Café e Lendas é um dos marcos do subgênero e um dos pioneiros, tanto no Brasil quanto no resto do mundo. Quando ele foi lançado por aqui, quase não existiam títulos de cozy fantasy nos catálogos das editoras. Atualmente esse número aumentou, mas ainda são poucas as opções”, analisa Marina.

Mercado editorial

Pensando nisso, a Intrínseca trouxe mais dois títulos somente esse ano: A loja de feitiços, de Sarah Beth Durst, lançado em março, e À espera de um feitiço, de Amy Coombe. Enquanto o primeiro livro conta a história de Kiela, uma bibliotecária que foge de uma revolução e recomeça a vida em uma ilha mágica vendendo geleias e feitiços secretos, o segundo é um conto de fadas moderno com representatividade LGBTQIAPN+.

Em À espera de um feitiço, a princesa Tandy fica presa em uma livraria mágica e aproveita o isolamento para descobrir o que seu coração realmente deseja. “A aceitação tem sido muito boa, especialmente por atingir um público que procura histórias focadas na experiência humana e cotidiana, e que já conhecia um pouco do universo das cozy fantasies através dos videogames, onde o subgênero faz muito sucesso”, analisa a editora de aquisições.

Para Marina, as fantasias cozy viraram tendência no mercado editorial brasileiro porque são capazes de transmitir a sensação de conforto que muitos leitores buscavam, especialmente depois de vivências como a pandemia da covid-19 e as guerras nos últimos tempos.

Para completar, de acordo com ela, são obras que oferecem uma perspectiva intimista sobre as aventuras cotidianas de mundos fantásticos. Para muita gente que já cansou de histórias épicas sempre vindo calhamaços e sagas intermináveis, essa pode ser uma boa opção. “A entrada de mulheres e pessoas da comunidade LGBTQIAPN+ nesse mercado predominantemente masculino aumentou a diversidade de escritores e leitores do gênero, abrindo um espaço maior para suas variações”, acrescenta.

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Livros