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Estúdio Correio
Márcia Luz
Publicado em 2 de junho de 2026 às 10:00
A agenda ESG no Brasil pode avançar ao observar experiências internacionais. Essa foi a avaliação de Guga Cruz, advogado, escritor, professor e sócio da AC Governança e Sustentabilidade, durante a palestra “Lições ESG Japão e China”, no 5º ESG Fórum Bahia. >
A partir de recente visita aos países asiáticos, ele destacou como valores culturais influenciam políticas públicas, infraestrutura e práticas empresariais ligadas à sustentabilidade.>
5o ESG Fórum Bahia
Para Cruz, a principal diferença está menos na tecnologia e mais na forma como sociedade, Estado e empresas definem prioridades. “Eles não pararam no tempo. Estão pensando em 2050”, afirmou.>
No Japão, segundo o palestrante, a disciplina nasce do processo de reconstrução do país e se reflete no comportamento coletivo, na polidez e na valorização da espiritualidade. Essa lógica influencia o planejamento das cidades e organizações. A integração entre homem e natureza aparece em corredores verdes, transporte subterrâneo integrado e arquitetura urbana.>
A consciência ambiental também faz parte da rotina. Mesmo sem lixeiras nas ruas, Tóquio permanece limpa porque as pessoas levam o próprio lixo para casa. A adoção de carros elétricos, energias renováveis e tecnologias acessíveis é tratada como questão de dignidade e inclusão.>
Guga Cruz
advogado, escritor, professor e sócio da AC Governança e SustentabilidadeApesar do alto desenvolvimento, o Japão enfrenta desafios como envelhecimento populacional, solidão, saúde mental e desigualdade de gênero. Ainda assim, a pressão do governo tem levado empresas a aderirem à agenda ESG e aos ODS.>
Na China, Cruz destacou o gigantismo de Xangai aliado ao senso coletivo e à simplicidade da população. O país investe fortemente em educação, sucessão familiar e planejamento de longo prazo, tanto em projetos públicos quanto privados.>
Segundo ele, nos últimos 15 anos a China deu um salto em sustentabilidade e energia, tornando-se a maior geradora de energia renovável do mundo. Os carros elétricos representam cerca de 70% da frota nos grandes centros, enquanto a qualidade do ar melhorou significativamente.>
Mudanças trabalhistas também contribuíram para avanços sociais. Desde 2008, a jornada foi limitada a oito horas diárias e passou a exigir contratos formais. A China deixou de ser apenas fornecedora de mão de obra barata e passou a oferecer qualidade e logística.>
Para Guga Cruz, Japão e China mostram que infraestrutura e tecnologia, sozinhas, não sustentam a agenda ESG. O diferencial está na disciplina, no senso coletivo e na visão de longo prazo.>
Entre as lições para empresas brasileiras estão integrar ESG à estratégia, investir em educação e sucessão e tratar inclusão e dignidade como parte dos produtos e serviços. Ele citou como exemplo a acessibilidade presente em passarelas chinesas com escadas rolantes e elevadores. “Avançar no ESG exige mais do que discurso. Requer disciplina, métrica e uma visão que conecte presente e futuro”, concluiu.>
Acompanhe no canal: correio24horas.com.br/esg.>
O 5º ESG Fórum Bahia é um projeto realizado pelo Correio, com patrocínio da Acelen, Alba Seguradora - Grupo Aliança da Bahia, Confederação Nacional da Indústria - CNI, Contermas, Neoenergia Coelba, Salvador Bahia Airport, Suzano, Unipar e Veracel com apoio institucional do Alô Alô Bahia, Instituto ACM e Prefeitura Municipal de Salvador, apoio da Blueartes, Bracell, Claro, Grupo Preta, Hexacell, Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), Plano Brasil Saúde, Porsche Center Salvador, Salvador Shopping, Sebrae, Sistema Comércio Bahia - Fecomércio, Sesc e Senac, Sotero e parceria com o Grupo Wish e Zum Brazil Eventos. >