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ESG já influencia cidades, marcas e consumo, apontam especialistas no fórum

Painel reuniu empresários e gestores públicos para discutir inovação, moda sustentável, megaeventos e impacto social a partir da agenda ESG

  • Foto do(a) author(a) Estúdio Correio
  • Foto do(a) author(a) Murilo Gitel
  • Estúdio Correio

  • Murilo Gitel

Publicado em 31 de maio de 2026 às 10:00

Painel discutiu temas ligados a ESG e inovação
Painel discutiu temas ligados a ESG e inovação Crédito: Gabriela Araújo

O ESG já deixou de ser apenas uma pauta institucional para se tornar uma agenda capaz de influenciar cidades, marcas, negócios e relações de consumo. Essa foi a tônica do painel “ESG, Inovação e Impacto na Construção de Cidades, Marcas e Negócios”, realizado durante o 5º ESG Fórum Bahia.

Com mediação de Linda Bezerra, editora-chefe do Jornal Correio, o debate reuniu Gefferson Vila Nova, designer e fundador da Gefferson Vila Nova Label; Isaac Edington, presidente da Saltur e curador do evento; Loyola Neto, fundador e CEO da Ecoloy; e Thiago Awad, gerente de ESG do SESC Bahia. Logo no início, Bezerra compartilhou uma provocação: afinal, o ESG ainda é discurso ou já virou vantagem competitiva real? As respostas dos painelistas apontaram para um caminho comum: quando conectado à estratégia, à operação e às pessoas, o ESG pode gerar inovação, reduzir impactos, fortalecer reputações e abrir novas oportunidades de negócio.

Jornal CORREIO reúne especialistas em fórum sobre ESG no Porto de Salvador por Sora Maia/ Correio

Na moda, Vila Nova defendeu que sustentabilidade e desejo podem caminhar juntos. Para o designer, é possível criar produtos atrativos sem renunciar à responsabilidade com a cadeia produtiva, da escolha de matérias-primas ecológicas e do respeito às pessoas envolvidas em todo o processo.

Moda ética

“Falar de sustentabilidade e consumo consciente na moda é possível. É possível criar um produto, despertar desejo e, ao mesmo tempo, gerar responsabilidades. O peso social é o que mais me fascina”, afirmou. Segundo ele, o consumidor também tem papel decisivo nessa transformação ao escolher marcas comprometidas com práticas responsáveis e evitar empresas associadas a violações como trabalho análogo à escravidão.

Vila Nova também destacou a relação dos povos originários com a natureza como referência de convivência, preservação e respeito ambiental. Durante sua participação, apresentou ao público um vídeo de desfile realizado na São Paulo Fashion Week, demonstrando como a moda pode dialogar com identidade, cultura e sustentabilidade.

Megaeventos

Ao abordar sobre grandes eventos, Edington lembrou que Salvador já acumula experiências práticas na incorporação de ações socioambientais. Segundo ele, esse movimento começou ainda com a criação do Festival de Verão, um dos primeiros festivais do Brasil a chamar atenção para os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), que antecederam os atuais Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas.

“O ‘G’ da governança é muito importante, porque alguém precisa perceber, liderar e fazer acontecer”

Isaac Edington

 presidente da Saltur

De lá para cá, a agenda ganhou novos contornos. “O Festival da Virada foi o primeiro evento desse gênero, no Brasil, a neutralizar suas emissões de gases-estufa. O Carnaval, com uma operação gigantesca, já tem todas as emissões neutralizadas há mais de quatro edições”, ressaltou Edington.

Governança

O presidente da Saltur também citou o recorde reconhecido pelo Guinness Book com a reciclagem de 46 toneladas de alumínio no Carnaval de Salvador. Para ele, a governança é decisiva para que boas ideias saiam do papel. “O ‘G’ da governança é muito importante, porque alguém precisa perceber, liderar e fazer acontecer”, disse.

Edington observou ainda que parte dos patrocinadores do Carnaval já cobrapráticas mais estruturadas de sustentabilidade, o que aumenta a responsabilidade do poder público. O desafio, segundo ele, é engajar pessoas, dialogar com lideranças e transformar intenções em ações concretas. “Começar pequeno é o caminho para dar grandes saltos posteriormente”, resumiu.

Na visão de Loyola Neto, da Ecoloy, a indústria têxtil oferece um dos exemplos mais claros de como o ESG pode se transformar em inovação aplicada. Ele contou que, desde o nascimento do filho, há 15 anos, já buscava formas de reaproveitar resíduos em sua fábrica. A partir de parcerias, como com o SENAI Cimatec, a empresa passou a desenvolver soluções para reduzir impactos ambientais.

“Se você encomenda mil camisas, são 200 quilos de tecido, sendo que 15% viram lixo. O que vai fazer com isso? A gente tem cases que, de fato, reduzem esse resíduo absurdo da indústria”, exemplificou. Entre os produtos apresentados, Loyola destacou uma bolsa sustentável produzida a partir de resíduo têxtil gerado no Polo Industrial de Camaçari. Também citou iniciativas ligadas ao Carnaval, como o desenvolvimento de abadás com maior vida útil e um aplicativo que conecta a peça ao usuário, estimulando novas formas de uso e relacionamento com as marcas.

Para ele, a qualidade do material é parte essencial da solução. “Um abadá, se for feito do pior tipo de tecido, vai estimular que as pessoas o descartem rapidamente no pós-uso”, afirmou. Ao apresentar um vídeo sobre coletes da Codesal transformados em ecobags, Loyola sintetizou a proposta da Ecoloy: “Muito mais do que a entrega de um produto, é a entrega de um legado”.

Pessoas

Thiago Awad destacou que, no SESC Bahia, um dos braços de atuação do Sistema Comércio Bahia, o ESG vem sendo tratado como agenda estratégica. Ele citou programas já realizados pela instituição, como o Mesa Brasil, e lembrou que somente na área de assistência o impacto alcança mais de 1 milhão de pessoas.

Segundo Awad, o apoio da alta liderança é um fator determinante para que o ESG avance de forma consistente dentro das organizações. “Quando a alta liderança apoia, tudo fica mais fácil. Isso contribui para aumentar a consciência operacional da instituição”, afirmou.

Estratégia

O gerente de ESG também observou que a inovação não se sustenta apenas com tecnologia. Para ele, inteligência artificial, automação e novos processos só geram impacto quando as pessoas estão no centro da estratégia. “O que

conecta tudo isso são as pessoas. A gente traz as pessoas no centro, porque são elas que vão efetivamente inovar, utilizar IA e transformar a operação”, justificou.

Ao longo do painel, os exemplos apresentados mostraram que cidades, marcas e negócios podem transformar o ESG em prática concreta quando combinam propósito, governança, inovação e capacidade de execução. Seja no Carnaval, na moda, na indústria têxtil ou em programas sociais, a agenda se fortalece quando deixa o campo das intenções e passa a gerar impacto mensurável na sociedade.

Acompanhe no canal: correio24horas.com.br/esg.

O 5º ESG Fórum Bahia é um projeto realizado pelo Correio, com patrocínio da Acelen, Alba Seguradora - Grupo Aliança da Bahia, Confederação Nacional da Indústria - CNI, Contermas, Neoenergia Coelba, Salvador Bahia Airport, Suzano, Unipar e Veracel com apoio institucional do Alô Alô Bahia, Instituto ACM e Prefeitura Municipal de Salvador, apoio da Blueartes, Bracell, Claro, Grupo Preta, Hexacell, Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), Plano Brasil Saúde, Porsche Center Salvador, Salvador Shopping, Sebrae, Sistema Comércio Bahia - Fecomércio, Sesc e Senac, Sotero e parceria com o Grupo Wish e Zum Brasil Eventos.