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Diretor do Instituto Ethos critica “ESG cosmético” e cobra mudança real nas empresas

Caio Magri afirma que agenda só gera valor financeiro e reputacional quando deixa de ser narrativa e passa a orientar decisões

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  • Foto do(a) author(a) Márcia Luz
  • Estúdio Correio

  • Márcia Luz

Publicado em 29 de maio de 2026 às 16:00

Caio Magri
Caio Magri durante a palestra “ESG gera valor? Mito ou realidade” Crédito: Arisson Marinho/CORREIO

A discussão sobre ESG deixou de ser sobre “fazer o bem” e passou a ser sobre “que tipo de estratégia gera valor”. É o que defendeu Caio Magri, diretor-presidente do Instituto Ethos, durante a palestra “ESG gera valor? Mito ou realidade”. Para ele, a agenda só produz resultado financeiro e reputacional quando é tratada como transformação de processos, relações e investimentos, e não como comunicação ou narrativa isolada.

“ESG gera valor, mas não sem estratégia, transformação e alteração de relações”, afirmou Magri. O executivo criticou o que chamou de “ESG cosmético”, prática que se limita a relatórios e ações pontuais sem mudar a forma de operar da empresa. Segundo ele, essa abordagem fragiliza a reputação justamente por não gerar impacto real. “ESG não é filantropia empresarial, nem departamento de boas intenções ou agenda de bondade. Não é uma forma moderna de comunicação”, disse.

Jornal CORREIO reúne especialistas em fórum sobre ESG no Porto de Salvador por Sora Maia/ Correio

De fatores não financeiros ao valor concreto

Magri destacou também que riscos tradicionalmente vistos como “não financeiros” afetam diretamente a capacidade de uma empresa gerar valor. Conflitos internos, corrupção, baixa diversidade e má governança são alguns exemplos de fragilidades que se convertem em risco empresarial, financeiro e reputacional.

Magri apontou, ainda, cinco frentes nas quais ações ESG devem ser desenvolvidas para que haja avanço concreto no cumprimento da agenda. São eles: Redução de riscos - Empresas expostas a riscos socioambientais e de governança enfrentam custos maiores.

“ESG que gera valor é aquele que transforma. Quando sustentabilidade passa a ser tratada como informação relevante para a decisão econômica, ela deixa de ser acessório”

Caio Magri 

diretor-presidente do Instituto Ethos

“É essencial fazer o certo e do jeito certo”, afirmou. A visão de longo prazo impulsiona a adoção do ESG para blindar o negócio contra passivos futuros. Acesso ao capital - Seguros, fundos e financiamentos já incorporam critérios ESG na análise de risco. O avanço de padrões internacionais e as exigências regulatórias têm tornado a demanda por informações mais precisas e comparáveis para nortear decisões econômicas.

Eficiência operacional - Processos mais seguros, fortalecimento das relações trabalhistas, gestão de resíduos e hídrica, economia circular e gestão energética eficiente. Este conjunto de ações reduz custos e aumenta a produtividade, assim a eficiência financeira passa a andar junto com a eficiência ambiental.

Inovação e liderança - A transição para uma economia de baixo carbono abre espaço para novos produtos, novos serviços e modelos de produção. Magri questionou, no entanto, quais políticas públicas poderiam acelerar esse caminho no Brasil e colocar a economia e as empresas brasileiras na posição de liderança.

Legitimidade social - A agenda ESG obriga a empresa a responder qual é seu papel na sociedade. Isso inclui entender como o valor é produzido e qual o impacto social e ambiental da operação.

O mito do selo e a reação ao ESG

Um dos principais mitos combatidos por Caio Magri é a ideia do ESG como selo de certificação, marketing ou blindagem reputacional. “Não basta adotar sigla, publicar relatório, aderir a compromissos genéricos ou plantar árvores sem compromisso. A sociedade está mais atenta, investidores estão mais exigentes; reguladores avançam, a imprensa investiga e as organizações da sociedade monitoram. Essa é a realidade na qual as empresas operam”, alertou.

O valor, segundo o palestrante, aparece quando há materialidade, mensuração, integração estratégica e transformação real. Ou seja, quando a agenda deixa de ser um anexo e passa a orientar decisões centrais do negócio, gerando transformação real na operação.

Magri também reconheceu o momento de reação ao termo “ESG”, especialmente nos Estados Unidos, onde parte do mercado tem buscado substituir a sigla por “sustentabilidade”. Para ele, isso mostra que houve banalização do uso, mas isso não eliminou a necessidade dos temas por trás da agenda. “A reação começou nos EUA e se espalhou, mas isso não fez desaparecer a necessidade da agenda.”

ESG no contexto local

Um dos pontos altos da palestra foi a defesa de um ESG contextualizado ao Brasil. Magri defendeu que não é possível importar modelos internacionais sem adaptação. “Não há ESG eficiente aqui sem enfrentar questões como racismo, trabalho análogo à escravidão, desmatamento, corrupção, violação aos direitos humanos, conflitos trabalhistas, discriminação, acidentes ambientais, baixa diversidade, cadeias produtivas frágeis, pobreza e fragilidade da governança pública e privada. Esses não são fatores externos ao negócio”.

Acompanhe no canal: correio24horas.com.br/esg.

O 5º ESG Fórum Bahia é um projeto realizado pelo Correio, com patrocínio da Acelen, Alba Seguradora - Grupo Aliança da Bahia, Confederação Nacional da Indústria - CNI, Contermas, Neoenergia Coelba, Salvador Bahia Airport, Suzano, Unipar e Veracel com apoio institucional do Alô Alô Bahia, Instituto ACM e Prefeitura Municipal de Salvador, apoio da Blueartes, Bracell, Claro, Grupo Preta, Hexacell, Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), Plano Brasil Saúde, Porsche Center Salvador, Salvador Shopping, Sebrae, Sistema Comércio Bahia - Fecomércio, Sesc e Senac, Sotero e parceria com o Grupo Wish e Zum Brasil Eventos.